"Quando comecei o programa, o meu cabelo era preto e o Presidente dos EUA era branco."Jay Leno, na despedida do Tonight Show
Vivemos no tempo dos assassinos, tempo de todos os hinos, e ouvimos dobrar os sinos, quem mais jura é quem mais mente. Vou arquitectar destinos, sou praticamente demente.
Era uma vez vinte e cinco soldados de chumbo, todos irmãos, porque tinham sido todos feitos da mesma colher de cozinha. Tinham armas aos ombros e olhavam em frente, muito elegantes nos seus uniformes encarnados e azuis. — Soldados de chumbo! — foi a primeira coisa que ouviram neste mundo, quando levantaram a tampa da caixa onde estavam. Um rapazinho tinha dado esse grito e batido as palmas; tinham-lhos dado como prenda de anos, e ele colocou-os em cima de uma mesa. Os soldados eram todos iguais uns aos outros — excepto um, que só tinha uma perna; fora o último a ser moldado e já não havia chumbo que chegasse. No entanto, mantinha-se de pé tão bem como os outros que tinham duas pernas, e é ele o herói desta história.Hoje comemoram-se 200 anos do nascimento de um dos maiores génios da literatura fantástica e de terror. Em jeito de homenagem, uma das suas maiores obras, The Raven.
"Once upon a midnight dreary, while I pondered, weak and weary,
Over many a quaint and curious volume of forgotten lore,
While I nodded, nearly napping, suddenly there came a tapping,
As of someone gently rapping, rapping at my chamber door."
'Tis some visitor," I muttered, "tapping at my chamber door;
Only this, and nothing more."
Hoje bebi leite quente. Meti as mãos à volta da chávena, aqueci os dedos, senti o vapor a tocar-me o nariz e queimei a ponta da língua. Horas antes, havia puxado o cobertor, abraçado a minha almofada e levado os joelhos ao peito. Sinto o abanar das árvores, as folhas a baterem na janela, o vento a soprar nos ouvidos. Saio à rua. Vôo no mesmo sítio, semi-cerro os olhos para andar, sinto o cheiro a terra molhada.
Bater palmas quando o avião aterra é coisa tuga. E eu contra mim falo. Tenho de admitir que, quando vou no meu carro e chego ao destino, também bato palmas, levanto-me, grito “bis”e ainda atiro flores e ursinhos de peluche para cima do tablier. Nos aviões, as pessoas fazem isso porque o piloto conseguiu aterrar bem. No entanto, a mentalidade deveria ser outra. Se o piloto tivesse feito um peão ou qualquer outra acrobacia aí é que se deveria bater palmas. Esta atitude portuguesa só mostra que nós somos um povo que gosta de assistir sentadinho ao espectáculo e, quando terminado, mandar o seu bitaite. Somos uma claque de futebol camuflada por minis e tremoços, cachecóis do Benfica e palitos entre os dentes.
Dinis Machado
O Homem é uma espécie narcisista por natureza. Nós colonizámos os quatro cantos do nosso pequeno planeta. Mas não somos o topo da cadeia evolutiva. Esse título pertence às baratas. Capazes de viver meses sem comida. Podem viver semanas sem cabeça. Resistentes à radiação. Deus com certeza criou Sua própria imagem. Então posso dizer que Deus é uma barata.