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sexta-feira, 4 de junho de 2010

Obrigado, Jorge! Parabéns.

Acende mais um cigarro, irmão
Inventa alguma paz interior
Esconde essas sombras no teu olhar
Tenta mexer-te com mais vigor.

"D. Quixote foi-se embora", Jorge Palma

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Almada Negreiros

É vergonhoso e desumano da minha parte publicar, no mesmo dia, dois posts sobre figuras tão antagónicas como são Almada Negreiros e... e... coiso... (Carlos Castro). Sinto-me mal por tê-lo feito, mas as circunstâncias da vida assim o ditaram.

Nascido em 7 de Abril de 1893, Almada Negreiros faleceu no dia 15 de Junho de 1917. Para comemorar esta data, transcrevo um dos mais belos poemas deste génio da nossa literatura.

Canção da Saudade

Se eu fosse cego amava toda a gente.


Não é por ti que dormes em meus braços que sinto amor. Eu amo a minha irmã gémea que nasceu sem vida, e amo-a a fantaziá-la viva na minha idade.


Tu, meu amor, que nome é o teu? Dize onde vives, dize onde moras, dize se vives ou se já nasceste.


Eu amo aquela mão branca dependurada da amurada da galé que partia em busca de outras galés perdidas em mares longíssimos.


Eu amo um sorriso que julgo ter visto em luz do fim-do-dia por entre as gentes apressadas.


Eu amo aquelas mulheres formosas que indiferentes passaram a meu lado e nunca mais os meus olhos pararam nelas.


Eu amo os cemitérios — as lagens são espessas vidraças transparentes, e eu vejo deitadas em leitos floridos virgens nuas, mulheres belas rindo-se para mim.


Eu amo a noite, porque na luz fugida as silhuetas indecisas das mulheres são como as silhuetas indecisas das mulheres que vivem em meus sonhos. Eu amo a Lua do lado que eu nunca vi.


Se eu fosse cego amava toda a gente.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

..

Cautela!
Que ninguém ouça o que te digo
Dou-te um coração de loiça
Porque o meu anda contigo.


José Saramago

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Hoje canto esta música. Por nada, apenas porque sim...

Eu podia chamar-te pátria minha
dar-te o mais lindo nome português
podia dar-te um nome de rainha
que este amor é de Pedro por Inês.

Mas não há forma não há verso não há leito
para este fogo amor para este rio.
Como dizer um coração fora do peito?
Meu amor transbordou. E eu sem navio.

Gostar de ti é um poema que não digo
que não há taça amor para este vinho
não há guitarra nem cantar de amigo
não há flor não há flor de verde pinho.

Não há barco nem trigo não há trevo
não há palavras para dizer esta canção.
Gostar de ti é um poema que não escrevo.
Que há um rio sem leito. E eu sem coração.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Alguém me ouviu

Chorei,
Mas não sei se alguém me ouviu
E não sei se quem me viu
Sabe a dor que em mim carrego e a angústia que se esconde
Vou ser forte e vou-me erguer
Ter coragem de querer
não ceder nem desistir eu prometo
AC Firmino

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Fake plastic trees

"Tenho medo do liricismo que voltei a sentir, aquele mesmo liricismo que julguei ter perdido nos cantos obscuros de um peito cansado que gostou muito e sofreu. Nunca deixarei a alma estar totalmente presa a objectivos concretizáveis. Quero o sonhar, deixas-me? Pensarei sempre mais longe. Terei sempre que carregar utopias e sonhos em mim. Não vou viver nunca sem sonhar e é por isso que ainda aqui estou. Porque gosto sempre de acreditar até chocar com a realidade de perto e perceber se hei-de ou não continuar."

Texto: Maria
Imagem: José Costa

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Poesia-Orgasmo

De sílabas de letras de fonemas
se faz a escrita. Não se faz um verso.
Tem de correr no corpo dos poemas
o sangue das artérias do universo.

Cada palavra há-de ser um grito.
Um murmúrio um gemido uma erecção
que transporte do humano ao infinito
a dor o fogo a flor a vibração.

A poesia é de mel ou de cicuta?
Quando um poeta se interroga e escuta
ouve ternura luta espanto ou espasmo?

Ouve como quiser seja o que for
fazer poemas é escrever amor
a poesia o que tem de ser é orgasmo.

José Carlos Ary dos Santos
Fotografia: Ana Cruz

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Olá, tu por aqui?

- Ela saiu, não sorriu, mal me olhou, mas deixou ficar
O nosso amor pelo chão para eu arrumar
Deixou a dor a correr e a saudade na nossa mesa
Deixou o amor por fazer e a tristeza no ar

- Quando ela entrou, e sorriu-me, e olhou-me, não deixou ficar
O nosso amor pelo chão para eu arrumar
Pôs a ternura a aquecer toda a noite à lareira
Pôs o amor a correr e a alegria no ar, para eu cantar:

- Olá! Tu por aqui?
- Olá... então como vais?
- Tudo vai bem?
- Olha, tudo vai mal para mim.
- Mas tudo vai mal porquê?

- Foi um amor que eu perdi,
Ela partiu, eu fiquei...
Se a encontrares, diz-lhe que eu estou por aqui
- Se a encontrar, direi.

- Ela saiu, não sorriu, mal me olhou, mas deixou ficar
O nosso amor pelo chão para eu arrumar
Deixou a dor a correr e a saudade na nossa mesa
Deixou o amor por fazer e a tristeza no ar

- Ela voltou, e sorriu-me, e olhou-me, e não quis deixar
O nosso amor pelo chão para eu arrumar
Pôs a ternura a aquecer toda a noite à lareira
Pôs o amor a correr e a alegria no ar, para eu cantar:

- Olá! Tu por aqui?
- Olá, então como vais?
- Tudo vai bem?
- Não, tudo vai mal para mim...
- Mas tudo vai mal porquê?

- Foi um amor que eu perdi,
Ela partiu, eu fiquei...
Se a encontrares, diz-lhe que eu estou por aqui
- Se a encontrar, direi.

- Olá! Tu por aqui?
- Olá, então como vais?
- Tudo vai bem?
- Tudo vai mal para mim.
- Mas tudo vai mal porquê?

- Foi um amor que eu perdi,
Ela partiu, eu fiquei...
Se a encontrares, diz-lhe que eu estou por aqui
- Se a encontrar, direi.

Paulo de Carvalho
Imagem: Direitos Reservados

domingo, 12 de agosto de 2007

Orfeu Rebelde

Orfeu rebelde, canto como sou:
Canto como um possesso
Que na casca do tempo, a canivete,
Gravasse a fúria de cada momento;
Canto, a ver se o meu canto compromete
A eternidade do meu sofrimento.

Outros, felizes, sejam os rouxinóis...
Eu ergo a voz assim, num desafio:
Que o céu e a terra, pedras conjugadas
Do moinho cruel que me tritura,
Saibam que há gritos como há nortadas,
Violências famintas de ternura.

Bicho instintivo que adivinha a morte
No corpo dum poeta que a recusa,
Canto como quem usa
Os versos em legítima defesa.
Canto, sem perguntar à Musa
Se o canto é de terror ou de beleza.


Miguel Torga
(12 Agosto 1907 – 17 Janeiro 1995)

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

À Espera do Fim

Vou andando por aí, sobrevivendo à bebedeira e ao comprimido
Vou dizendo sim à engrenagem e ando muito deprimido
E é difícil encontrar quem o não esteja, quando o sistema nos consome e aleija
Trincamos sempre o caroço, mas já não saboreamos a cereja.

Já houve tempos em que eu tinha tudo não tendo quase nada
Quando dormia ao relento ouvindo o vento beijar a geada
Fazia o meu manjar com pão e uva, fazia o meu caminho ao sol ou à chuva
Ao encontro da mão miúda que me assentava como uma luva.

Se ainda me queres vender, se ainda me queres negociar, isso já pouco me interessa
Perdemos o gosto de viver, eu a obedecer e tu a mandar, os dois na mesma triste peça
Os dois à espera do fim

Tu tens fortuna e eu não, podes comer salmão e eu só peixe miúdo
Mas temos em comum o facto de ambos vermos a vida por um canudo
Invertemos a ordem dos factores, pusemos números à frente de amores
E vemos sempre a preto e branco o programa que afinal é a cores.

Se ainda me queres vender, se ainda me queres negociar, isso já pouco me interessa
Perdemos o gosto de viver, eu a obedecer e tu a mandar, os dois na mesma triste peça
Os dois à espera do fim
Só à espera do fim…

Letra: Jorge Palma
Fotografia: João Ferreira

terça-feira, 24 de julho de 2007

Bohemian Rhapsody

Is this the real life?
Is this just fantasy?
Caught in a landslide
No escape from reality
Open your eyes
Look up to the skies and see
I’m just a poor boy, I need no sympathy
Because I’m easy come, easy go,
A little high, little low,
Anyway the wind blows, doesn’t really matter to me,
To me

Mama, just killed a man,
Put a gun against his head,
Pulled my trigger, now he’s dead,
Mama, life had just begun,
But now I’ve gone and thrown it all away
Mama ooo,
Didn’t mean to make you cry
If I’m not back again this time tomorrow
Carry on, carry on, as if nothing really matters

Too late, my time has come,
Sends shivers down my spine
Body’s aching all the time,
Goodbye everybody, I’ve got to go
Gotta leave you all behind and face the truth
Mama ooo (any way the wind blows)
I don’t want to die,
I sometimes wish I'd never been born at all

I see a little silhouetto of a man,
Scaramouche, scaramouche will you do the fandango?
Thunderbolt and lightning, very very frightening me
Galileo, Galileo
Galileo, Galileo
Galileo Figaro, magnifico
But I’m just a poor boy and nobody loves me
He’s just a poor boy from a poor family
Spare him his life from this monstrosity
Easy come easy go, will you let me go?
Bismillah! No, we will not let you go (let him go)
Bismillah! We will not let you go (let him go)
Bismillah! We will not let you go (let me go)
Will not let you go (let me go)
Will not let you go (let me go)
No, no, no, no, no, no, no
Mama mia, mama mia, mama mia let me go
Beelzebub has a devil put aside for me, for me, for me

So you think you can stone me and spit in my eye?
So you think you can love me and leave me to die?
Oh baby, can’t do this to me baby
Just gotta get out, just gotta get right outta here

Nothing really matters,
Anyone can see,
Nothing really matters, nothing really matters to me,

Any way the wind blows....

Freddie Mercury

sábado, 21 de julho de 2007

Tabacaria

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
à parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

(…)

Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei-de pensar?

Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Génio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho génios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicómios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora génios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.


Álvaro de Campos

segunda-feira, 16 de julho de 2007

Jura

Jura que não vais ter uma aventura
Dessas que acontecem numa altura
E depois se desvanecem
Sem lembrança boa ou má
E por isso mesmo se esquecem…

Jura que se tiveres uma aventura

Vais contar uma mentira
Com cuidado e com ternura
Vais fazer uma pintura
Com uma tinta qualquer
Que o ciúme é queimadura
Que faz o coração sofrer.

Jura que não vais ter uma aventura

Porque eu hei-de estar sempre altura
De saber
Que a solidão é dura
E o amor uma fervura
Que a saudade não segura
E a razão não serena
Mas jura que se tiver de ser
Ao menos que valha a pena.

Carlos Tê

domingo, 8 de julho de 2007

Basta pensar em sentir

Basta pensar em sentir
Para sentir em pensar.
Meu coração faz sorrir
Meu coração a chorar.

Depois de parar de andar,
Depois de ficar e ir,
Hei-de ser quem vai chegar
Para ser quem quer partir.

Viver é não conseguir.

Fernando Pessoa

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Marcha Fúnebre - II

Esvaziaram de todo a cova em que dormiste
O sono a que ainda tens a tu’alma sujeita,
E vem dela o som cavo, o monótono e triste,
Vão queixume da terra em lágrimas desfeitas.

Sinto distintamente! Esse queixume existe:
É a saudade da terra aos teus ossos efeita;
É o soluço que vem da cova em que dormiste
O sono a que ainda tens a tu’alma sujeita.

Há por tudo o rumor de um choro desolado;
Cantam chorosamente as árvores e os fossos;
Nossas almas lá vão, unidas lado a lado...

Espalharam à noite os teus brancos destroços
E a noite, na viuvez do teu perfil amado,
Verte funereamente o luar sobre os teus ossos!...

Emílio de Menezes

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Fiquei louco, fiquei tonto

Fiquei louco, fiquei tonto,
Meus beijos foram sem conto,
Apertei-a contra mim,
Enlacei-a nos meus braços,
Embriaguei-me de abraços,
Fiquei louco e foi assim.

Dá-me beijos, dá-me tantos
Que enleado em teus encantos,
Preso nos abraços teus,
Eu não sinta a própria vida
Nem minha alma, ave perdida
No azul-amor dos teus céus.

Boquinha dos meus amores,
Lindinha como as flores,
Minha boneca que tem
Bracinhos para enlaçar-me
E tantos beijos p’ra dar-me
Quantos eu lhe dou também.

Botão de rosa menina,
Carinhosa, pequenina,
Corpinho de tentação,
Vem morar na minha vida,
Dá em ti terna guarida
Ao meu pobre coração.

Não descanso, não projecto,
Nada certo e sempre inquieto
Quando te não vejo, amor,
Por te beijar e não beijo,
Por não me encher o desejo
Mesmo o meu beijo maior.

Ai que tortura, que fogo,
Se estou perto d’ela e logo
Uma névoa em meu olhar,
Uma nuvem em minha alma,
Perdida de toda a calma,
E eu sem a poder achar.


Fernando Pessoa
in Cartas para Ophélia

quinta-feira, 21 de junho de 2007

A miséria do meu ser

A miséria do meu ser,
Do ser que tenho a viver,
Tornou-se uma coisa vista.
Sou nesta vida um qualquer
Que roda fora da pista.

Ninguém conhece quem sou
Nem eu mesmo me conheço
E, se me conheço, esqueço,
Porque não vivo onde estou.
Rodo, e o meu rodar apresso.

É uma carreira invisível,
Salvo onde caio e sou visto,
Porque cair é sensível
Pelo ruído imprevisto…
Sou assim. Mas isto é crível?

Fernando Pessoa

sábado, 9 de junho de 2007

À Espera do Fim

Vou andando por aí
Sobrevivendo à bebedeira e ao comprimido
Vou dizendo sim à engrenagem
E ando muito deprimido
E é difícil encontrar quem o não esteja
Quando o sistema nos consome e aleija
Trincamos sempre o caroço
Mas já não saboreamos a cereja

Já houve tempos em que eu
Tinha tudo não tendo quase nada
Quando dormia ao relento
Ouvindo o vento beijar a geada
Fazia o meu manjar com pão e uva
Fazia o meu caminho ao sol ou à chuva
Ao encontro da mão miúda
Que me assentava como uma luva

Se ainda me queres vender
Se ainda me queres negociar
Isso já pouco me interessa
Perdemos o gosto de viver
Eu a obedecer e tu a mandar
Os dois na mesma triste peça
Os dois à espera do fim

Tu tens fortuna e eu não
Podes comer salmão e eu só peixe miúdo
Mas temos em comum o facto de ambos vermos
A vida por um canudo
Invertemos a ordem dos factores
Pusemos números à frente de amores
E vemos sempre a preto e branco o programa
Que afinal é a cores.

Se ainda me queres vender
Se ainda me queres negociar
Isso já pouco me interessa
Perdemos o gozo de viver
Eu a obedecer e tu a mandar
Os dois na mesma triste peça
Os dois à espera do fim
Só à espera do fim!!!


Letra: Jorge Palma
Fotografia: Graça

sábado, 19 de maio de 2007

19 de Maio de 1890 — 26 de Abril de 1916

Além-tédio

Nada me expira já, nada me vive
Nem a tristeza nem as horas belas.
De as não ter e de nunca vir a tê-las,
Fartam-me até as coisas que não tive.

Como eu quisera, enfim de alma esquecida,
Dormir em paz num leito de hospital...
Cansei dentro de mim, cansei a vida
De tanto a divagar em luz irreal.

Outrora imaginei escalar os céus
À força de ambição e nostalgia,
E doente-de-Novo, fui-me Deus
No grande rastro fulvo que me ardia.

Parti. Mas logo regressei à dor,
Pois tudo me ruiu... Tudo era igual:
A quimera, cingida, era real,
A própria maravilha tinha cor!

Ecoando-me em silêncio, a noite escura
Baixou-me assim na queda sem remédio;
Eu próprio me traguei na profundura,
Me sequei todo, endureci de tédio.

E só me resta hoje uma alegria:
É que, de tão iguais e tão vazios,
Os instantes me esvoam dia a dia
Cada vez mais velozes, mais esguios...

Mário de Sá-Carneiro