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domingo, 4 de outubro de 2009

Avançou Portugal (parte 5)

Resumindo - de forma bem espremidinha - estas Legislativas:

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O PSD é o partido que sai mais fragilizado destas eleições. O PS perdeu votantes amuados para o BE, mas vai recuperá-los. O CDS-PP ganhou votantes historicamente seus. O PCP mantém o seu núcleo duro. O BE recebeu as migalhas do PS. Mais tarde, o BE perde essas migalhas para o PS e volta ao partido minoritário que é. O PSD tem um núcleo duro, mas que é mais mole e fragilizado do que necessariamente rijo. O PSD não consegue mais porque não tem onde ir buscar eleitores. O CDS-PP tem os seus eleitores definidos e vai ter cada vez mais. O PS ganha as eleições sem todos os seus eleitores, e daqui por uns tempos volta a ter os perdidos. Mas atenção. Este puxão de orelhas foi valente e pode dar lugar a uma “ida para o quarto sem televisão”. O PSD nunca pode ir buscar eleitores ao BE nem ao PCP. Portanto, ou muda de política e de forma de a fazer, ou então será como o Sporting: o eterno segundo.

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Imagem: DR

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Avançou Portugal (parte 4)

PCP-PEV: Ocupa a posição que mais se adequa às suas políticas: a última (dentro dos cinco grandes partidos). Se há coisa que não entendo nos militantes do PCP é a raiva com que transmitem as suas ideias. Parece que estão sempre zangados, fecham as mãos, rangem os dentes, espumam pela boca, dão murros no ar e gritam cânticos de (des)ordem. Esta militância excessiva pela defesa do proletariado e pela constante atribuição de culpas a quem está no poder é algo que revela uma falta de inteligência e estratégia tais que nem merece um contra-argumento. De qualquer das formas, há que realçar a liderança (há liderança num partido comunista?) de Jerónimo de Sousa, que trouxe uma comunicação mais cuidada ao partido.

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Abstenção: é uma vergonha o elevado número de pessoas que não vai votar. É preciso uma exagerada dose de ignorância, burrice e debilidade para não cumprir um dever cívico. O voto é a forma mais directa que nos aproxima das decisões políticas para o nosso país! E 39% dos eleitores portugueses decidiram abdicar desse direito/dever. Pois bem, que o façam. Infelizmente, não há uma lei que obrigue as pessoas a votar. Tal como não há nenhuma lei que impeça essas mesmas pessoas que não votam de fazer parte de sindicatos, de movimentos grevistas, de manifestações. Mas devia. Quem não vota deveria entrar numa lista negra. As pessoas que tivessem o nome nessa lista deveriam ser proibidas de exercer qualquer outra actividade que estivesse relacionada com a política.

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(a última parte será um resumo bem espremidinho das Legislativas)

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Imagens: DR

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Avançou Portugal (parte 3)

CDS-PP: Excelente trabalho de Paulo Portas ao leme do partido que já tantas vezes morreu e renasceu. As suas bandeiras eleitorais – Segurança, PME’s, Rendimento Mínimo – funcionaram como fortes argumentos para esta subida no número de votos. Paulo Portas é directo, próximo e simples. Usa frases curtas, bem ditas e com mensagens fortes. É muito direccionado nos objectivos e na forma como os procura. Ficou à frente do BE quando ninguém o esperava, tornando-se no único partido (à excepção do PSD), com quem o PS pode fazer maioria parlamentar numa ou noutra situação mais pontual.

BE: Ficou-se pelo quarto lugar, quando muitos (?) esperavam que se assumisse como a terceira força política. Francisco Louçã enganou-se e, apesar de todo o seu discurso demagógico de vitória, a verdade é que foi ultrapassado com grande classe pelo CDS-PP. Ultimamente, o Bloco de Esquerda tem-se apelidado de “verdadeira esquerda” e de “grande força política”. É certo que os últimos resultados eleitorais têm colocado o BE como partido a ter em conta; no entanto, acho que tudo não passa de um bluff. O BE é um partido muito vago, sem ideologia passível de ser posta em prática. Para além disso, todos os eleitores que foi ganhando têm sido “migalhas” que o PS tem deixado cair: ou seja, são aqueles que por algum motivo se zangaram com o PS e, para não votar na direita, votam no BE (votar na PCP está fora de questão). Mais cedo ou mais tarde, os “zangados” fazem as pazes com o PS e volta tudo à “ordem natural das coisas”.

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(na quarta parte será analisado o PCP-PEV bem como a taxa de abstenção)

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Imagens: DR

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Avançou Portugal (parte 2)

Eleições Legislativas - Análise PS e PSD:

PS: Conseguiu, de forma bastante categórica, mais uma vitória eleitoral. Perdeu a maioria absoluta, mas não deixa de ser o vencedor. Nestas eleições, foi o partido que obteve mais votos e que elegeu o maior número de deputados logo, ficou em primeiro lugar. Há que reconhecer o mérito de um partido que se viu a par com uma das crises mais graves das últimas décadas e que, contra muitos lobbies já instalados, soube implementar reformas mais que necessárias na Função Pública. Perde a maioria absoluta devido a alguma autoridade (necessária!) em alguns sectores, mas mantém o número suficiente para ser o partido vencedor. O PS sai reforçado pois ultrapassou um teste crucial no seu percurso.


PPD/PSD: Para quem dizia que iria “com toda a certeza” vencer estas eleições, Manuela Ferreira Leite parece que se enganou “um bocadinho”. Por tudo aquilo que apostou, pelos ataques que desferiu e pelo fogo de artifício que disparou, o PSD foi claramente o grande derrotado destas eleições. O discurso pessimista, caquético e putrefacto de Manuela Ferreira Leite teve os seus merecidos frutos. A política de verdade era real, mas correspondia a uma verdade apagada, a uma verdade só para os militantes da derrota. E no PSD esta verdade assenta que nem uma luva. No cômputo geral, o PSD manteve o cinzentismo e apatia que o tem caracterizado de há uns anos para cá. O primeiro lugar nas Europeias, tão aclamado pelos militantes do PSD, afinal não foi mais do que um “acidente de percurso”. É certo que são dois momentos eleitorais bastante distintos, mas não foi isso que Manuela Ferreira Leite quis dar a entender aos portugueses.

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(na parte 3 serão analisados o CDS-PP e o BE)

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Imagens: DR

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Avançou Portugal (parte 1)

Finda mais uma noite eleitoral, o PS é o grande vencedor. No saco dos derrotados, ficaram PSD, CDS-PP, BE e PCP-PEV, respectivamente.

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Quanto aos últimos, nos seus discursos, nenhum líder partidário admitiu a derrota o que, por si só, revela uma de duas coisas: ou não sabem as regras ou então sabem as regras mas não as entendem. Quando se luta pelo primeiro lugar, qualquer outra posição equivale a uma derrota. Ora bem, amigos do PSD, PP, BE e PCP, deixem ver se vos consigo explicar de forma mais simples: 1º lugar – vencedor; 2º, 3º, 4º e 5º lugares: vencidos. Isto tendo em conta que todos os partidos concorrem para o 1º lugar. Se assim não for, não vejo qual a credibilidade das suas propostas. Um partido só se assume realmente como um partido se os ideais que estão na sua génese forem considerados pelos seus membros como os ideais a seguir pelo país. Eu sou do Benfica e “sofro” pelo Benfica porque quero que ele ganhe, que seja campeão. Bem como os adeptos do Porto, do Sporting, do Guimarães, da Académica ou do Braga querem que os seus clubes vençam e sejam os melhores. Não me contento, de forma alguma, com o segundo, terceiro, quarto ou quinto lugares. Por tudo isto, qualquer partido que não tenha ficado em primeiro lugar não se pode nomear de vencedor. É errado. Completamente errado.

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No entanto, compreendo a “síndrome dos pequenitos”. Há um mini-campeonato no qual competem todos os outros partidos que não o PS e PSD. Nesse ponto, o CDS-PP é o claro vencedor, colocando-se surpreendentemente (ou não) à frente do BE (apesar de ter aumentado de forma considerável o número de votos) e do PCP (que também aumentou o número de votos e de deputados). Visto deste prisma – em que ninguém se importa de ficar em último – todos estes partidos foram uns “vencidos-vencedores”, até porque todos subiram no número de votos e conseguiram o objectivo a que se propuseram: tirar a maioria absoluta ao PS.

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(esta é a primeira parte do artigo. Na segunda parte, serão analisados os partidos PS e PSD. Na terceira parte, o CDS-PP e o BE. Na quarta parte, o PCP-PEV e a Abstenção)

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Imagem: DR