quinta-feira, 20 de abril de 2006

Parabéns Tuna Real Torga


Parabéns!!!

Hoje, dia 20 de Abril, a Tuna Real Torga faz anos!
Nós fazemos anos!

Em nome deste grupo de amigos desejo a todos um feliz aniversário! A Tuna ainda é pequenina, apenas 2 anitos, mas irá, seguramente, crescer com todo o apoio, carinho, esforço e dedicação de todos os elementos! Juntos conseguiremos fazer desta Tuna uma "Tuna a sério"!

E agora, toca a cantar os parabéns, e a pedir um desejo!
André Pereira

terça-feira, 11 de abril de 2006

11 Abril 2003


Jogarás para sempre connosco...

quinta-feira, 6 de abril de 2006

Carta de Suícído de Kurt Cobain - 12 anos depois

20-02-1967 * 05-04-1994
Para Boddah (Amigo imaginário que Kurt tinha quando era pequeno)

"Falando da língua de um simplório experiente que obviamente preferiria ser um eliminado, infantil e chorão. Este bilhete deve ser fácil de entender.

Todas as advertências dadas nas aulas de punk rock ao longo dos anos, desde a minha primeira introdução a, digamos assim, éticas envolvendo independência a aceitação de sua comunidade provaram ser verdadeiras. Há muitos anos que não sinto o entusiasmo de ouvir ou fazer música, bem como ao ler e escrever. Minha culpa por isso é indescritível em palavras.

Por exemplo quando estou atrás do palco e as luzes se apagam e o ruído maníaco da multidão começa, não me afecta do jeito que afectava Freddy Mercury que costumava amar, deliciar-se com a adoração da multidão que é algo que eu totalmente admiro e invejo. O facto é que eu não vos posso fazer de tolos, nenhum de vocês. Simplesmente não é justo para vocês ou para mim. O pior crime que eu posso imaginar seria enganar as pessoas sendo falso e fingindo como se eu me estivesse divertindo 100%.

Às vezes eu acho que deveria accionar um despertador antes de entrar no palco. Eu tentei tudo ao meu alcance para gostar disso (e eu gosto, Deus, acredita em mim eu gosto, mas não foi o suficiente). Eu aprecio o facto de que eu e nós atingimos e divertimos muitas pessoas. Eu devo ser um desses narcisistas que só dão valor às coisas quando elas se vão. Eu sou sensível demais. Preciso ficar um pouco dormente para ter de volta o entusiasmo que eu tinha quando criança.

Nossas últimas três tournées, tive um reconhecimento por parte de todas as pessoas que conheci pessoalmente e dos fãs de nossa música, mas eu ainda não consigo superar a frustração, a culpa e a empatia que eu tenho por todos. Existe o bom em todos nós e acho que eu simplesmente amo as pessoas demais, tanto que me chego a sentir mal. O triste, o sensível, insatisfeito, pisciano, pequeno homem de Jesus. Por que simplesmente não aproveito? Eu não sei!

Eu tenho uma esposa que é uma deusa, que transpira ambição e empatia, e uma filha que me recordam muito do que eu era, cheio de amor e alegria, beijando todas as pessoas que ela encontra porque todo o mundo é bom e não a fará nenhum dano. E isso me apavora ao ponto de eu mal conseguir funcionar. Eu não posso ficar com a ideia de Frances se tornar o triste, o auto-destrutivo e mórbido roqueiro que eu virei. Eu tive muito amor, muito mesmo, e eu sou grato por isso, mas desde os sete anos, passei a ter ódio de todos os humanos em geral. Apenas por que eu amo e sinto demais por todas as pessoas, eu acho.

Obrigado do fundo de meu nauseado estômago queimando por suas cartas e sua preocupação ao longo dos anos. Eu sou mesmo um bebé errático e triste! Não tenho mais paixão, então lembrem, é melhor queimar do que se apagar aos poucos.
Paz, Amor, Empatia.

Kurt Cobain

Frances e Courtney, eu estarei em seu altar. Por favor vá em frente Courtney, por Frances. Por sua vida, que vai ser mais feliz sem mim. EU AMO-TE, EU AMO-TE!"

domingo, 12 de março de 2006

Cavalo à Solta


Minha laranja amarga e doce, meu poema
Feito de gomos de saudade, minha pena
Pesada e leve, secreta e pura
Minha passagem para o breve, breve instante da loucura.

Minha ousadia, meu galope, minha rédea
Meu potro doido, minha chama, minha réstea
De luz intensa, de voz aberta
Minha denúncia do que pensa, do que sente a gente certa.

Em ti respiro, em ti eu provo
Por ti consigo esta força que de novo
Em ti persigo, em ti percorro
Cavalo à solta pela margem do teu corpo.

Minha alegria, minha amargura
Minha coragem de correr contra a ternura…

Minha laranja amarga e doce, minha espada
Poema feito de dois gumes, tudo ou nada
Por ti renego, por ti aceito
Este corcel que não sossego à desfilada no meu peito.

Por isso digo, canção, castigo
Amêndoa, travo, corpo, alma, amante, amigo
Por isso canto, por isso digo
Alpendre, casa, cama, arca do meu trigo.

Minha alegria, minha amargura
Minha coragem de correr contra a ternura…

Minha ousadia, minha aventura…


José Carlos Ary dos Santos

terça-feira, 21 de fevereiro de 2006

Voar nas Asas de um Corvo


Há muitos anos que o nome “Sport Clube Leiria e Marrazes” me ecoa nas paredes do cérebro. Já em pequenino os meus pais me levavam ao campo de futebol a ver os jogos e, talvez aí, tenha adquirido este sentimento que agora faz parte do meu quotidiano. Para mim, falar deste clube é como falar de um membro da minha família, uma vez que sempre estive ligado a ele. Desde cedo me juntei a esta massa humana, dando uns toques na bola e esfolando os joelhos. Recordo com saudade esses tempos, em que andar à chuva e ao sol, pisando a lama e correndo atrás de uma bola, me davam a alegria que necessitava para viver.
Hoje, vejo o Marrazes de uma forma diferente, mais madura e assente em pilares que fui construindo ao longo da minha vida. A história deste clube é inegável, recheada de troféus e vitórias marcantes. Contudo, os dias actuais não são de grande vaidade. Pelo contrário, o Sport Clube Leiria e Marrazes encontra-se a disputar, há vários anos, campeonatos distritais não conseguindo sair desta triste sina. Muitas são as pessoas que desejam pegar no clube e fazer dele o que já foi, mas quando chega a hora de agir, não existe quem o faça. As direcções vão-se sucedendo e o clube vai-se afundando cada vez mais. Não se pode viver do passado. Aliás, a vida é um constante pensar no futuro, agindo no presente, tendo em conta o que se sucedeu no passado. E é isto que se deve ter em mente quando se pega num projecto como este, o Sport Clube Leiria e Marrazes. Como ex-jogador do clube, durante 13 anos, e como Treinador dos Escolinhas, posso afirmar que a “coragem, esperança e dedicação” tão falados entre os mais velhos se mantêm no seio desta instituição. Falta apenas o “passo seguinte”, dado pelas pessoas que têm poder, que é o de equipar o clube com as infra-estruturas necessárias e adequadas à prática desportiva.
O Sport Clube Leiria e Marrazes tem uma área abrangente bastante grande, alastrando-se a todo o país, onde as pessoas que conhecem o clube relembram com saudade os gloriosos tempos desportivos. Mas os tempos mudam e, como que de um dia para o outro, surge o União Desportiva de Leiria, através da junção de vários clubes da região. Surge a rivalidade entre os dois clubes, um representante da pequena aldeia de Marrazes e outro representante da cidade de Leiria. Disputam-se jogos, torneios, campeonatos e a rivalidade vai crescendo cada vez mais. O tabuleiro do jogo vai-se invertendo, e o União Desportiva de Leiria assume-se como principal clube de Leiria. Razões claras para esta tão brutal reviravolta não encontro, mas o que é certo é que após esta subida ao poder do “clube do Lis”, cada vez mais vai aumentando o fosso entre este e os outros clubes da região. A verdade é que, como clube, o União Desportiva de Leiria não existe, funcionando apenas com os apoios da Câmara Municipal de Leiria. Por seu lado, o Sport Clube Leiria e Marrazes possui dois campos de futebol e uma sede, recebendo também apoios da Câmara. Não se percebe é o porquê desta disparidade.
Apesar de todas estas divergências, o Marrazes mantém-se fiel aos seus princípios, parecendo neste momento renascer das cinzas que o têm impedido de atingir novos horizontes. E eu, que cresci como homem dentro deste clube, continuarei a trabalhar na esperança que um dia, os meninos que hoje lutam por uma bola, possam marcar outro tipo de golos ao longo da sua vida.
André Pereira

segunda-feira, 30 de janeiro de 2006

No teu Poema


"No teu poema
existe um verso em branco e sem medida,
um corpo que respira, um céu aberto,
janela debruçada para a vida.

No teu poema
existe a dor calada lá no fundo,
o passo da coragem em casa escura
e, aberta, uma varanda para o mundo.


Existe a noite,
o riso e a voz refeita à luz do dia,
a festa da Senhora da Agonia
e o cansaço do corpo que adormece em cama fria.

Existe um rio,
a sina de quem nasce fraco ou forte,
o risco, a raiva e a luta de quem cai ou que resiste,
que vence ou adormece antes da morte.

No teu poema
existe o grito e o eco da metralha,
a dor que sei de cor mas não recito
e os sonhos inquietos de quem falha.

No teu poema
existe um cantochão alentejano,
a rua e o pregão de uma varina
e um barco assoprado a todo o pano.

Existe um rio
a sina de quem nasce fraco ou forte,
o risco, a raiva e a luta de quem cai ou que resiste,
que vence ou adormece antes da morte.

No teu poema
existe a esperança acesa atrás do muro,
existe tudo o mais que ainda escapa
e um verso em branco à espera de futuro."
José Luís Tinoco

segunda-feira, 2 de janeiro de 2006

Deus

Como primeiro texto de 2006, escolhi "Deus", um texto da minha autoria. Achei o texto mais adequado para iniciar o ano, uma vez que por "ele" se age, por ele se reage, por ele se mata.

Não nego. Porém, a questão da Tua existência perturba o meu espírito e as minhas acções. Sinto que não existes mas persistes por toda a parte, sinto que nunca foste mas serás sempre qualquer coisa. Os extremos aproximam-me de Ti e sinto, nessas alturas, que Tu poderás eventualmente existir. Mas quando tudo aquilo que vejo se revela tristemente real, a dúvida emerge e navega a alta velocidade no meu mar de ideias inconstante. Por vezes, olho a estibordo e tenho a máxima certeza da Tua existência. Mas quando olho a bombordo, a Tua pessoa é afogada e afirmo com raiva e convicção que Tu não existes. Paro para pensar e não consigo encontrar respostas. Talvez um dia seja forçado a ver o invisível e me juntarei, então, à homogeneidade rebânica que Te segue cegamente.

André Pereira

quarta-feira, 21 de dezembro de 2005

Estrela da Tarde


"Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia
Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia
Era tarde, tão tarde, que a boca, tardando-lhe o beijo, mordia
Quando à boca da noite surgiste na tarde tal rosa tardia

Quando nós nos olhámos tardámos no beijo que a boca pedia

E na tarde ficámos unidos ardendo na luz que morria
Em nós dois nessa tarde em que tanto tardaste o sol amanhecia
Era tarde de mais para haver outra noite, para haver outro dia

Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria ou se és a tristeza
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza

Foi a noite mais bela de todas as noites que me adormeceram
Dos nocturnos silêncios que à noite de aromas e beijos se encheram
Foi a noite em que os nossos dois corpos cansados não adormeceram
E da estrada mais linda da noite uma festa de fogo fizeram

Foram noites e noites que numa só noite nos aconteceram

Era o dia da noite de todas as noites que nos precederam
Era a noite mais clara daqueles que à noite amando se deram
E entre os braços da noite de tanto se amarem, vivendo morreram

Eu não sei, meu amor, se o que digo é ternura, se é riso, se é pranto
É por ti que adormeço e acordo e acordado recordo no canto
Essa tarde em que tarde surgiste dum triste e profundo recanto
Essa noite em que cedo nasceste despida de mágoa e de espanto
Meu amor, nunca é tarde nem cedo para quem se quer tanto!"



José Carlos Ary dos Santos

sábado, 17 de dezembro de 2005

O dinheiro Na (tal) crise


Com vista a conhecer os hábitos de consumo de algumas pessoas residentes na zona comercial de Celas, nesta época natalícia, decidi pegar no meu trenó e partir à procura de respostas, alternando entre vendedores e clientes.

Foi por uma loja de roupa de alta qualidade que comecei o meu estudo. Aqui, a “crise” de que tanto se fala não existe, “aumentando mesmo o peso nos bolsos dos clientes”, segundo Sofia Cardoso.
É de realçar que a classe social que frequenta esta loja é diferente da maioria. Esta maioria prefere as lojas tradicionais, onde os preços são acessíveis podendo comprar mais produtos, mas com menos qualidade. Joana Cardoso afirma isto mesmo: “os clientes desta loja não gastam mais de 15 euros por pessoa”, contrariamente ao que acontece nas lojas de elite, onde os valores variam entre os 750 e os 1000 euros.
Pelas ruas encontram-se pessoas preocupadas em gastar pouco e em encontrar presentes eficazes, é o caso de Carolina Dias, que prefere comprar mais prendas, gastando pouco dinheiro, indo, por norma às lojas chinesas, com grande expansão em Portugal, “ onde há brinquedos e coisas engraçadas a um preço acessível”.
Numa altura baixa a nível económico, as pessoas continuam a subir em pensamento, recorrendo a créditos elevados, sem medir as consequências. Esta época e a época balnear são as mais propícias aos empréstimos bancários, numa altura em que as pessoas pretendem satisfazer alguns sonhos.
A concretização desses sonhos está concentrada no novo centro comercial, em Coimbra, o Dolce Vita, que é preferido em relação aos outros estabelecimentos. É o caso de Catarina Simões que comenta: “vou fazer as minhas compras de Natal ao Dolce Vita, pois lá encontro uma grande variedade de lojas e não ando a perder tempo noutros sítios”. Assim sendo, no resto da cidade, “A afluência de clientes quebrou em relação ao ano passado, por um lado devido à situação económica portuguesa, mas também devido à abertura do novo shopping”, diz Susana Silva funcionária de uma loja de roupa.
Apesar de toda esta indisposição económica, as prendas continuam a descer pela chaminé, poderão é esperar apenas dentro de um sapatinho que se vai remendando cada vez mais.
Trabalho realizado por:
André Pereira
Ana Martins
Mariana Alves
Soraia Fernandes

sábado, 10 de dezembro de 2005

Amor, Sapatos e Zeus by RR


"Então considerei que as botas apertadas são umas das maiores venturas da terra, porque, fazendo doer os pés, dão azo ao prazer de as descalçar. Mortifica os pés, desgraçado, desmortifica-os depois, e aí tens a felicidade barata, ao sabor dos sapateiros e de Epicuro". - Machado de Assis
"Preciso de alguém sem o qual eu passe mal".-Kid Abelha

A falta de amor é um par de botas apertadas. Por que mortificar os pés, e depender do prazer de desmortificá-los? É um prazer masoquista. Mais lógico seria usar sapatos confortáveis, ou então, não usá-los. Mas não: é bom que exista a dor, para que saibamos o que é prazer. Melhor não conhecer o amor do que passar uma vida na infelicidade, tentando encontrá-lo.

Segundo uma lenda grega, no início, os seres eram duplos e esféricos, e os sexos eram três: um constituído por duas metades masculinas; outro por duas metades femininas; e o terceiro, andrógino, metade masculino, metade feminino. Como ousassem desafiar os deuses, Zeus cortou-os para enfraquecê-los. Cada ser tornou-se então um ser distinto, e o amor recíproco origina-se na tentativa de restauração da unidade primitiva. O homem considera-se incompleto, tentando desesperadamente encontrar aquele que o faça passar de um estado de pobreza (espiritual) para um estado de riqueza.

O que eu queria dizer é que seria melhor que não existisse amor; porque a falta dele mortifica a alma. Zeus poderia ter feito seres completos: podemos imaginar um mundo primitivo no qual o amor não existisse: muito sofrimento seria poupado. A humanidade seria constituída por seres completos, e poderia dedicar-se a outras coisas que não a busca do amor, essa coisa passageira e inútil. Claro que são só hipóteses; quem é que abdicaria do amor tendo-o conhecido?

No mínimo, ele trouxe inspiração aos poetas. Na verdade, acho que a única utilidade do amor foi ter ajudado a humanidade a produzir arte. A amizade é um sentimento muito melhor que o amor; é mais irmão, mais fraterno; os amores vêm e vão ao sabor dos ventos. Mas a amizade não resolve o problema da sexualidade, outra necessidade humana cuja falta representa um tormento. O ideal seria não ter sexualidade nem amor, mas, conhecendo-os, é impossível ignorá-los. Por exemplo, durante a infância, a felicidade é plena. Ninguém precisa do amor homem-mulher. Não existe a falta eterna de alguma coisa. Mas quando se entra na adolescência, as duas esferas são magicamente separadas e precisamos de companhia.

O amor é maníaco-depressivo. Na presença dele tudo são flores. Na falta, tudo é um inferno. Deve existir um meio de equilibrar essas duas faces. Não quero precisar de alguém sem o qual eu "passe mal". Parece um vício. Na falta da pessoa amada, é como se existisse uma síndrome de abstinência. O amor destruiu, como a droga: antes, passava-se bem sem ele; fomos-lhe apresentados na adolescência e agora existe um vazio, que nada parece preencher. Mais uma dose, por favor.

Por fim, acabo isto que me atormentava há meses. Fecho o bloco, apago a luz... Ainda assim agradeço o dia em que o amor me foi apresentado. Vem-me à cabeça "Fomos à Lua mas não encontrámos a nossa verdadeira casa. Aqueles que lutam e sofrem por amor encontram-na... "
Adormeço....