segunda-feira, 13 de novembro de 2006

1 Ano de Tinta Electrónica

Um ano passou e o tempo continua. Para uns é tempo de acordar, abrir os braços e viver! Para outros, o tempo é escasso e nada melhor que esvaziar uma garrafa e gastar o salário em nicotina.

Para estes e para os restantes tenho escrito, na esperança de os apoiar no seu objectivo de vida mas também na esperança de fazer pensar. Gosto de provocar, apoiar, incentivar, criticar, ajudar, crescer, amar e viver! E são estas as palavras que compõem o objectivo máximo deste blog, tantas palavras que por vezes se misturam no meu coração e viajam às cavalitas do sangue que percorre todo o meu corpo…

Espero que todos os que habitualmente visitam as minhas letras continuem a fazê-lo. Olhem para elas, sorriam, chorem, cantem, gritem, escrevam!

Comigo, continuarão os meus pedaços de saudade que vou traduzindo em palavras. Saudade passada, saudade do que irei sentir e saudade de tudo aquilo que nem sequer entrará no meu dicionário mental.

André Pereira

sexta-feira, 10 de novembro de 2006

A confirmação do óbvio: Benfica Maior do Mundo!

O Benfica entrou oficialmente para o Guinness Book of Records como clube com mais associados do Mundo, precisamente 160.392 sócios, número que figurará na edição de 2007 do mais famoso livro de recordes.

O certificado, que arrebatou o estatuto aos ingleses do Manchester United, que "reinavam" com 152.000 associados, foi hoje entregue ao presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, que dentro de três anos quer atingir a meta dos 300.000 sócios.

"A ideia é ir batendo anualmente o nosso próprio recorde até chegar à meta dos 300.000", frisou o dirigente, que quer agora centralizar nos sócios a estratégia do novo mandato.

Nesse sentido, o futuro canal de televisão do Benfica "permitirá aperfeiçoar a comunicação com sócios e adeptos" para atingir o ambicioso objectivo dos 300.000 associados, "aliando uma estratégia empresarial ao sentido da paixão".

"Hoje tivemos o reconhecimento mundial da nossa grandeza. Mas tracei uma meta e quero lá chegar. Agora, queremos que todos os sócios tragam um amigo ou familiar benfiquista para se filiar. Só com essa ajuda poderemos alcançar os 300.000", alertou o presidente do Benfica.

Para Luís Filipe Vieira, serão os associados a determinar as ambições do Benfica no futuro próximo: "são eles que vão dizer se querem ou não um Benfica na Europa".

Aproveitando a época festiva que se avizinha, Luís Filipe Vieira adiantou que será revelado em breve "porque é que o Pai Natal é vermelho", antecipando, sem revelar grandes pormenores, uma campanha que passará também em sensibilizar os associados a oferecer um "kit" como prenda natalícia.

O clube da Luz projecta também o lançamento do "kit sócio" em Angola e deseja reforçar a campanha em curso na América do Norte.

Em meados de Julho, quando o clube assumiu a corrida ao recorde mundial, o Benfica contava precisamente com 151.424 associados, cifra que, na altura, já ultrapassava outros dois "gigantes" mundiais, o Bayern de Munique (Alemanha) e o FC Barcelona (Espanha), ambos com cerca de 145.000 sócios.

Fonte: RTP

Diário de Vendas - 99% de Desconto*

Não se espantem os leitores com o título desta rubrica. O Diário de Fictícias não abandonou o mundo das letras para se dedicar ao comércio de qualquer outro produto. O único diário semanal optou por dar um passo rumo ao desconhecido, dedicando as próximas linhas à divulgação e recomendação de variados produtos que se podem tornar utensílios indispensáveis, tendo em conta a sociedade em que vivemos actualmente.

Graxa – Numa altura em que a aparência é mais importante do que a essência, nada melhor que ter sempre à mão (ou melhor, ao pé) uma pequena caixinha de graxa. Se a utilizar conforme está indicado no rótulo, poderá subir muitos degraus na carreira política. Isto porque os sapatos se tornam mais resistentes, pois claro…

Colete Salva-vidas – O mau tempo vai chegando e, com ele, outras inundações irão causar alguns danos. Mas, para evitar males maiores, nada melhor que ter bem colado ao corpo um colete que, para além de o proteger de outros perigos, impede que se afogue mais em dívidas. Muitos são aqueles que se vestem de gala mas esquecem-se que actualmente vivemos num Titanic moderno: mais tarde ou mais cedo iremos bater com um iceberg que nos chama à realidade e aí, será tarde demais.

Martelo – Qualquer cidadão responsável tem na sua garagem, junto de todas as outras ferramentas, um martelo que é essencial para construir, arranjar ou destruir, conforme a situação. É a ferramenta mais importante de qualquer carpinteiro, uma vez que trabalha com a madeira e, por vezes, é preciso uma boa martelada para ela amolecer. Basta de bichos da madeira!

Cartaz – Hoje em dia, mais importante que saber ensinar ou até mesmo aprender, é ter um cartaz com frases de ordem e insultuosas contra alguma coisa. Pode-se até nem saber do que se trata, mas é essencial ter um!

* Brevemente, será este o número percentual que iremos descontar para a Segurança Social

quinta-feira, 9 de novembro de 2006

“Quero ser optimista, mas entendam o meu pessimismo!”

No passado dia 8 de Novembro de 2006 decorreu, no Instituto Universitário Justiça e Paz, em Coimbra, uma conferência intitulada “Imprensa regional: que futuro?”, proferida pela professora Ana Tamarit Rodríguez, da Universidade Pontifícia de Salamanca.

Promovida pelo Secretariado Diocesano das Comunicações Sociais de Coimbra, esta conferência contou com a presença de muitos estudantes e profissionais de jornalismo da região de Coimbra, representantes de jornais como o “Diário de Coimbra”, “Campeão das Províncias”, “Diário as Beiras”, entre outros.

Tendo como base o tema “Jornalismo Regional”, Ana Rodríguez começa por afirmar que este tipo de imprensa não pode ser considerado de segunda categoria mas sim como diferente de todas as outras.

Num mundo em que a informação navega rapidamente por todo o mundo, a imprensa regional ocupa um papel bastante importante na sociedade, ao contrário do que dizem muitos analistas.

Dirigida a públicos menos numerosos, o círculo de influência é, obviamente, menor. Habitualmente, encontra-se afastada dos centros de poder e os conteúdos referem-se a contextos mais próximos do seu público. Por conseguinte, acede a uma cota de mercado mais pequena, obtendo menos receitas.

Esta informação global chega ao público de formas diferentes. Podemos definir três: descida das elites em cascata, ebulição desde as bases até ao topo e identificação com os grupos de referência. No cimo, encontramos as ideias das elites económicas e sociais. Seguem-se as ideias das elites políticas e governamentais. Como mediador de informação entre as elites e o “povo” temos uma rede de comunicação massiva, pessoal que transmite e difunde as mensagens. Na base desta pirâmide, temos os líderes de opinião a nível local e a estagnação do público e da massa. Logo, a informação, depois de ter passado todos estes níveis, não nos chega da melhor forma.

Esta hierarquia faz-nos pensar na questão da liberdade, uma vez que não acedemos à mesma informação que outras classes acedem. Segundo Ana Rodríguez, “não pode haver liberdade que não tenha informação suficiente para detectar a mentira”.

A oradora aproveitou para fazer a comparação entre Espanha e Portugal, no que diz respeito à importância da imprensa regional. Se, em Portugal, esta ainda não despertou, o mesmo não se pode dizer em relação a Espanha, que conheceu um forte desenvolvimento nesta área.

Esta globalização surge nos anos 80 (simbolicamente com a queda do Muro de Berlim), criando-se grupos multimédia que funcionam como um todo – “pensam globalmente, actuam localmente”.

Estes grupos mediáticos encontram-se implantados em quase todas as regiões, dedicando-se à imprensa, rádio e televisão. Não operam só na região de origem, mas tentam conquistar outros mercados.

Por seu lado, a imprensa regional actua em locais pequenos, com escassos recursos e poucos jornalistas. Depende, portanto, de uma economia que depende de inversões publicitárias do poder local e regional.

Apesar de tentar oferecer informação, a imprensa regional desinforma e entretém, sendo raramente contestada por outra notícia. Notamos, ainda, o predomínio de declarações (“Segundo X…”), como que defesa da sua própria profissão.

Os jornalistas locais são, na sua maioria, gente jovem, sendo os cargos superiores encabeçados por homens.

No final da sua apresentação, a professora Ana Tamarit Rodríguez concluiu com uma frase que marca esta conferência: “Quero ser optimista, mas entendam o meu pessimismo!"
André Pereira

quarta-feira, 8 de novembro de 2006

Afinal Picasso vai à praça

Na segunda-feira, um juiz de Manhattan suspendeu a venda do Retrato de Ángel Fernández de Soto, de Pablo Picasso, porque segundo Julius Schoeps a sua família foi obrigada a vendê-lo durante a Segunda Guerra Mundial. Ontem, o mesmo magistrado decidiu que afinal a pintura pode ir à praça num leilão que a Christie`s tem agendado para hoje, em Nova Iorque. A obra faz parte do período azul de Picasso e é um dos quadros mais procurados do pintor espanhol.

Fonte: Público
Foto: Kirsty Wigglesworth/AP

terça-feira, 7 de novembro de 2006

IV

Encerraram-te aqui as cinzas veneradas;
Esta urna te contém, eternamente, agora,
Nela também existo e as noites e alvoradas
Passem, pouco me importa, ululando lá fora.

Tenho-lhe a adoração das relíquias sagradas,
Pois este relicário onde o meu sonho mora,
Contém, para a minh’alma, as ilusões passadas
E a pulverização do teu perfil de outrora.

É-me grato sentir, pelas noites sem termo,
Toda a apaziguação do meu tormento vário,
Tendo-te junto a mim a aclarar o meu ermo.

Tendo-te junto a mim, sob este alampadário,
E ver com que saudade e com que esforço enfermo,
Morre a luz em redor do teu incinerário...

Poemas de Morte, Emílio de Menezes

segunda-feira, 6 de novembro de 2006

Esquecimento

Quando eu morrer,
Sem o cansaço inútil da jornada
- Porque nunca senti -
Sem o manto sublime da amargura
- Porque nunca chorei -
Sem a réstia de fogo da alegria
- Porque nunca me ri -
Aqueles que me odiaram,
Os poucos que me acolheram
E os muitos que nunca vi,
Hão-de chorar por convenção
Ou sorrir por teimosia.
Mas nunca mais ninguém se lembrará
Do pobre que nunca riu
Nem chorou
Nem sentiu.

José Carlos Ary dos Santos

domingo, 5 de novembro de 2006

A revolta de Saddam

Saddam Hussein gesticula contra o juiz no momento em que, hoje de manhã, ouviu a sentença que o condenou à morte por enforcamento por crimes contra a humanidade perpetrados na localidade xiita de Dujail, onde foram massacradas 148 pessoas.

Na sessão de hoje do Tribunal Especial Iraquiano, Saddam gritou várias vezes “Deus é grande” e “Longa vida à Nação”. O antigo presidente do Tribunal Revolucionário iraquiano, um dos três meios-irmãos de Saddam e ex-chefe dos serviços secretos, foram sentenciados com a mesma pena.

Fonte: Público
Foto: David Furst/AP

Negras Lágrimas de Sal

E assim, sem esperança e sem qualquer réstea de ilusão, os olhos enchem-se de sal que vai escorrendo pela face arredondada de um futuro que apenas vê o que a janela lhe mostra...

André Pereira

sábado, 4 de novembro de 2006

Entrevista à Lata - Lata Enlatada

Hoje o dia começou mais tarde para a maioria da população estudantil de Coimbra. Já o sol tinha dado lugar à lua quando as capas negras se levantaram para mais uma noite alegre.

O fuso horário já havia mudado, contudo, nestes dias de festa a Torre da Universidade congela os ponteiros, e o badalar dos sinos é substituído pelos ritmos ensurdecedores vindos do outro lado do rio.

Mas para conhecer verdadeiramente o que se passa na outra margem, nada melhor que dar a palavra à personagem principal deste autêntico filme nocturno.

Diário de Fictícias – Boa noite, Senhora Lata!
Lata –
Olha quem ele é… É preciso ter-me para vir falar comigo. Depois do que aconteceu entre nós…

DF – Desculpe, mas não estou a perceber. O que aconteceu?
Lata –
Não se lembra? Já me andou a arrastar pelas ruas de Coimbra…

DF – Sim, mas já lá vai o tempo. Falemos do que interessa. Como se sente nesta altura do ano, em que uma cidade vive para si?
Lata –
Sabe, já estou habituada a este protagonismo. Durante o ano, os estudantes preferem a garrafa e o copo, mas para começar nesta vida nada melhor que ter lata.

DF – Isso é verdade! É preciso coragem para ficar acordado horas e horas a fio durante a noite e no dia seguinte faltar às aulas…
Lata –
Faltar a quê? Eu sou a verdadeira universidade neste início de ano, e olhe que os meus alunos são assíduos e pontuais! Para além de não faltarem, esgotam em segundos as minhas salas de aula.

DF – Alguns clientes do seu espaço dizem que se sentem como sardinhas enlatadas quando assistem às suas aulas…
Lata –
É normal sentirem-se como sardinhas, não é por acaso que nos encontramos junto ao rio…

DF – Mas o Mondego parece não ser apenas uma fonte de sardinhas… Há rumores de alguns tubarões…
Lata –
Sim, confirmo esses boatos. E, como muita gente já reparou, tive de os colocar na entrada do recinto… Podem não ser muito comunicativos e até mesmo violentos para com as pessoas, mas não tinha outra opção. O mais que pude fazer foi convidar o cão do Mickey, um tigre e alguns GNR para ver se conseguem acalmar os ânimos.

DF – Mas no final é habito a festa acabar em xutos e pontapés… Bem, o nosso tempo está a chegar ao fim, mas ainda há uma última questão que lhe gostava de colocar… Qual é a sua ideia em relação ao estado do Ensino em Portugal?
Lata –
Eu acho que o ensino vai muito bem e a crise económica de que tanto se fala não tem tido repercussões na minha actividade. Antes pelo contrário, a cada ano que passa vou ganhando adeptos. Até já pensei em fazer uma OPA à UC.