terça-feira, 12 de junho de 2007

Vapores de álcool

Mesmo sem pianos para consertar, havia manhãs e tarde em que entrava no cemitério de pianos para ficar sozinho. Eram manhãs em que, verão ou Inverno, a janela era sempre atravessada pela mesma luz, o mesmo tom acastanhado, sujo. Na véspera, podia ter passado horas na taberna, podia ter brigado com a minha mulher. Lentamente, passavam-me fios da noite anterior pela cabeça: vapores de álcool que se dissolviam, palavras ou imagens da minha mulher que surgiam de repente. Eram tardes em que me arrependia, em que desistia por instantes, mas em que, de repente, logo a seguir, acreditava com toda a força que seria capaz de mudar tudo. E olhava para os pianos, e pensava.

José Luís Peixoto
Cemitério de Pianos

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Rex Bowling abre em Cantanhede

Cantanhede à distância de um strike

Após nove meses de “gestação”, o “Rex Bowling” foi inaugurado. A data escolhida foi o dia 5 de Junho. Este novo complexo desportivo está localizado no bairro de Santo António, junto aos estaleiros da Câmara Municipal de Cantanhede.

Tendo o bowling como actividade âncora, este espaço oferece um elevado manancial de actividades a todos os que o pretendam visitar. O público-alvo envolve toda a família, e tem uma área que abrange não só a região centro como todo o território nacional.

“Este complexo não é só para Cantanhede, mas para todo o país, e espero pôr a minha cidade na rota dos grandes acontecimentos”, refere Carlos Cantarinho, orgulhoso da obra que um dia sonhou executar e agora está praticamente concluída.

O maior complexo de bowling nacional ocupa uma área coberta de 2.000 metros quadrados, e possui dois parques de estacionamento para mais de 1.000 viaturas. Dividido em dois pisos, este espaço tem capacidade para cerca de 1.500 pessoas.

No piso superior, saltam à vista 10 pistas de bowling profissional com as medidas adequadas à realização de competições. Este compartimento inclui mesas de apoio para os jogadores e para o público, quatro ecrãs plasma e ainda um balcão exclusivo para os praticantes desta modalidade, onde podem adquirir o calçado apropriado.

Este espaço possui, ainda, um bar e um palco onde se pode proceder à realização de concertos com bandas da região e de todo o país.

As cores “quentes”, as palmeiras, as oliveiras e os balcões revestidos a palha transmitem um ambiente tropical e bastante acolhedor. Carlos Cantarinho revela que a intenção da decoração é de proporcionar um “ambiente relaxado”.

Ainda no primeiro piso, há espaço suficiente para dar um passo de dança, numa das pistas, acompanhado de uma música cantada em karaoke por um amigo. Se preferir, pode apreciar a música sentado numa das confortáveis cadeiras da esplanada.

Descendo alguns degraus, encontramos um espaço bastante amplo, com inúmeras actividades à disposição dos visitantes. Oito mesas de snooker, 10 computadores com ligação à Internet, jogos de setas, simuladores de jogos e uma pista de carros telecomandados animam este piso. Podemos ainda encontrar mesas de pingue-pongue, matraquilhos, quatro ecrãs plasma e um balcão em forma de pino de bowling. Para os mais pequenos, há também um local onde é possível brincar.

Na cerimónia de inauguração, Carlos Cantarinho mostrou-se bastante feliz com a “concretização de um sonho”, agradecendo a todos os que estiveram envolvidos directa ou indirectamente neste projecto, com especial atenção para o presidente da Câmara de Cantanhede. Na festa inaugural, estiveram ainda presentes empresários de bowling espanhóis e alemães.

Apesar do “forte investimento”, o ex-emigrante não se mostra arrependido. Antes pelo contrário. “Será um sucesso!”, assegura. “O Rex Bowling é um espaço válido para a região de Cantanhede e para todo o distrito de Coimbra”, conclui.

Para além do dinamismo que pretende trazer a esta região do país, Carlos Cantarinho sente-se feliz por ter criado 16 postos de trabalho.

Quanto ao horário de funcionamento, o “Rex Bowling” está aberto todos os dias, das 11h até às 4h. Porém, às sextas-feiras, sábados e domingos o horário de fecho altera para as 6h. Não são cobradas entradas e não há um consumo mínimo obrigatório.

Carlos Cantarinho pretende, desta forma, proporcionar bons momentos de diversão. Com apenas 18 anos, Carlos Cantarinho saiu de Cantanhede rumo à Suíça, em busca de melhores condições de vida. Hoje, com 39 anos, regressa à terra que o viu nascer para concretizar um sonho que foi cimentando enquanto esteve emigrado.

“É um regresso bastante feliz”, afirma com um brilho nos olhos. A pista está preparada, os dedos agarram a bola. Inicia-se, agora, a corrida na área de arremesso. Contrariando a nossa memória auditiva, colocamos os “feet on approach” e lançamos a bola pela pista… Agora, resta esperar por um strike.

André Pereira

domingo, 10 de junho de 2007

Tu...

Pequena parte do Mundo
Onde minha mãe me criou
Rasgado por um mar sem fundo
Torturado por quem não voltou.

Urge lembrar memórias
Gerar um novo passado
Alimentar a esperança de que um dia
Lá apareça o desejado.


André Pereira

sábado, 9 de junho de 2007

À Espera do Fim

Vou andando por aí
Sobrevivendo à bebedeira e ao comprimido
Vou dizendo sim à engrenagem
E ando muito deprimido
E é difícil encontrar quem o não esteja
Quando o sistema nos consome e aleija
Trincamos sempre o caroço
Mas já não saboreamos a cereja

Já houve tempos em que eu
Tinha tudo não tendo quase nada
Quando dormia ao relento
Ouvindo o vento beijar a geada
Fazia o meu manjar com pão e uva
Fazia o meu caminho ao sol ou à chuva
Ao encontro da mão miúda
Que me assentava como uma luva

Se ainda me queres vender
Se ainda me queres negociar
Isso já pouco me interessa
Perdemos o gosto de viver
Eu a obedecer e tu a mandar
Os dois na mesma triste peça
Os dois à espera do fim

Tu tens fortuna e eu não
Podes comer salmão e eu só peixe miúdo
Mas temos em comum o facto de ambos vermos
A vida por um canudo
Invertemos a ordem dos factores
Pusemos números à frente de amores
E vemos sempre a preto e branco o programa
Que afinal é a cores.

Se ainda me queres vender
Se ainda me queres negociar
Isso já pouco me interessa
Perdemos o gozo de viver
Eu a obedecer e tu a mandar
Os dois na mesma triste peça
Os dois à espera do fim
Só à espera do fim!!!


Letra: Jorge Palma
Fotografia: Graça

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Las Chávez del Poder

Jornalista – Buenos dias, caros telespectadores! Hoy estamos em directo da Venezuela, daí eu estar com este sotaquezinho castelhano. O Diário de Fictícias decidiu deslocar-se a esta magnífica cidade de... (perguntando ao colega) Como se chama esta cidade? Ai caracas, que me esqueci...
Ajudante –
É isso, é isso!

Jornalista – Ah sim, perdão! Estamos em Caracas! Não viemos cá procurar a pequena Maddie nem fazer nenhum “sic(k)” directo que tanto tem resolvido. Também não viemos para falar com o presidente... (é interrompido violentamente)
Encapuzado –
Presidente?!?! Presidente?!?!

Jornalista – Desculpe... Excelentíssimo Senhor Ilustre Magnífico Presidente Hugo Chávez.
Encapuzado –
Ah, assim está mejor!

Jornalista – Peço imensas desculpas! Estamos a ser muito bem tratados neste magnífico país, onde todas as liberdades são defendidas com unhas e dentes, especialmente a liberdade de imprensa!

Nacional:
O Primeiro-Ministro português deslocou-se à Rússia para um encontro com Vladimir Putin. Ambos trocaram acusações, acabando mesmo pela ameaça de Putin em direccionar os mísseis nucleares para a Europa. Sócrates reagiu de forma positiva, até porque ficou claramente explícito que não somos alvos.

Internacional:
Good morning Vietnam! Fidel Castro está mais próximo do regresso. Cada vez com melhor aparência, o eterno revolucionário encontrou-se com o presidente do partido comunista do Vietname. Consta-se que houve troca de charutos e de bombas de napalm. Hasta siempre!

Desporto:
Os jogadores Anderson e Nani foram transferidos para o Manchester United! Nuno Gomes conseguiu marcar um golo... no computador. Simão Sabrosa já consegue tocar com os pés no chão quando está sentado à mesa. Paulo Bento chateou-se com o cabeleireiro e fez um corte radical, risco ao meio... A cadela de José Mourinho já é idolatrada por todos os seus amigos caninos. Aliás, disse mesmo que seria, de certeza, a cadela do ano, eleita pela revista “Time (to bark)”. Ah, e já me esquecia, parece que uma rapariga que se chama Vanessa... Fernandes venceu a etapa de Madrid da Taça do Mundo de Triatlo, alcançando uma inédita sequência de cinco vitórias consecutivas na mesma prova, e a sua 16ª na sua carreira.

André Pereira
O Despertar

quinta-feira, 7 de junho de 2007

Tratado de Tordesilhas

A 7 de Junho de 1494, os procuradores de D. João II, rei de Portugal, e de Fernando e Isabel, reis de Aragão e Castela, assinaram na vila de Tordesilhas dois tratados com amplas repercussões nos destinos ibéricos, mormente no que era para os finais do século XV uma das linhas de acção fundamentais para qualquer das partes: a expansão para fora do quadro peninsular.

quarta-feira, 6 de junho de 2007

domingo, 3 de junho de 2007

Li no jornal que há Ota hipótese

Bom dia, senhores passageiros, fala-vos o comandante do avião. Estamos a 5.000 Marques Mendes de altura, o que significa que estamos a tocar com as asas nas árvores. Mas não se preocupem que eu sei guiar isto muito bem. Tirei o curso de piloto na Universidade Independente.

Ora bem, continuando… Estamos com alguma turbulência devido às rajadas de vento que se aproximam pela nossa direita. Já agora, peço-vos que confirmem se as portas estão bem fechadas. Muito obrigado! A nossa hora prevista de chegada será às 17h31, porém não sabemos se podemos aterrar. Por um lado, ainda não temos confirmação da existência de um aeroporto lá em baixo e, por outro, os funcionários saem do serviço às 17h30. Logo, não saberemos se podemos aterrar em segurança ou se vamos ter de nos despenhar contra qualquer coisa.

A temperatura na cidade de destino é elevadíssima. Estão previstos cerca de 40º à sombra, portanto não se esqueçam dos chinelos, dos turbantes e da carta de condução.

Passageiro – Carta de condução?!
Piloto –
Escuto… Sim, senhor passageiro, a carta de condução para conduzir camelos. Espero que se tenham informado acerca do vosso destino de férias.

Passageiro – Mas, se vai estar assim tanto calor, não é melhor levar água?
Piloto –
Escuto… Ora aí está uma pergunta extremamente estúpida! Ali em baixo, apesar de ser um deserto, água é o que não falta. Pelo menos, há pessoas especializadas no assunto, provenientes do centro urbano, para meter água.

Passemos agora às regras de segurança! Atenção às hospedeiras de bordo porque parece que vamos ter mesmo de ir contra qualquer coisa… A gasolina está a acabar…

Hospedeiras – Se sentirem que o avião está a cair a pique, sem qualquer rumo certo que não o chão, não entrem em pânico e façam o favor de colocar estas máscaras de oxigénio. Se sobreviverem ao embate, podem sempre utilizá-las para se protegerem das armas químicas que estão escondidas no gabinete do presidente do Futebol Clube do Porto. É que agora não há ninguém para acender o cigarro. Por isso, o melhor é prevenir. Por falar em FC Porto, o apito que têm ao peito pode ser a vossa salvação. Qualquer um que teve o privilégio de o usar conforme o combinado, teve direito a viagens para destinos, esses, de sonho! Tenham um resto de uma boa viagem, e até qualquer diiiiiiiiiiiiiaaaaaaaaa….

PS – Podem-se sempre salvar! É fácil, é como encontrar um trevo na bossa de um camelo! Tem é de ser um trevo de quatro folhas…

André Pereira
O Despertar

sábado, 2 de junho de 2007

A um adulto

Antes de adormeceres fecha os olhos com força e pensa naqueles que os têm tão abertos que nem conseguem chorar; Pensa em todos os diques salgados que já rebentaram na cara dos que sofrem; Pensa no retrato reflectido na íris de um rasgo de fome, de um rasgo de choro, de um rasgo de morte! Pensa!

André Pereira

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Por entre pulos e avanços

Uma criança colorida nas mãos do mundo

“É uma criança bonita de riso e natural. Limpa o nariz no braço direito, chapinha nas poças de água, colhe as flores e gosta delas e esquece-as. Atira pedras aos burros, rouba as frutas dos pomares e foge a chorar e a gritar dos cães.” O seu nome é Alberto e viaja lentamente pelos seus montes cerebrais, verdes de sonhos, brancos de pureza. Olha o infinito com as costas moldadas a uma macieira, roendo calmamente o fruto proibido que lhe permite saborear toda e qualquer paisagem como contempla o seu rebanho.

Hoje comemora-se o dia mundial da criança. Todos os desenhos animados ganham vida, os carros, as casas, os livros transformam-se em doces e até os adultos sorriem. O mundo hoje é dos pequeninos, das grandes vidas de palmo e meio que, por joelhos esfolados e lábios de chocolate, fazem acontecer a vida à sua própria maneira.

Hoje é dia de acordar de madrugada para ver os desenhos animados, dia de vestir o fato de super-herói e salvar uma cidade inteira, dia de chegar a casa a rir, a chorar de alegria! Dar um chuto numa bola, pedalar até ao infinito, cair num monte de areia, rebolar pelo jardim, andar de baloiço, subir a um escorrega, cantar, pentear uma boneca, construir aldeias de legos… É tempo de viver verdadeiramente, sem preocupações nem mentiras adultas. É tempo de encher um copo de nada, que é tudo! É tempo de fazer voar milhões de papelinhos de todas as cores com toda a inocência e ingenuidade que possamos encontrar dentro de nós.

Joana tem seis anos e gosta muito de ser criança. No entanto, há coisas que ela não compreende nos adultos. Mesmo assim, vive feliz na alegria que emana dos seus olhos azuis que, por vontade ou coincidência, têm a mesma cor do reflexo do mar.

A seu lado, brinca Simão. Um olhar meigo e dócil invade, sem aviso prévio, qualquer outro que não coloque trancas na porta. Mas assim é bom, é saudável, faz-nos sentir cada vez mais pequeninos e recordar aquela que um dia já fomos. Com oito anos, Simão vive enamorado com a sua consola de jogos portátil. As mãos sujas de terra dão lugar aos pequenos dedos que, numa eficácia hábil e imperceptível, constroem mundos dentro de uma pequena caixa de jogos.

O dia mundial da criança celebra-se anualmente no dia um de Junho. Após a Segunda Guerra Mundial, as crianças de todo o mundo enfrentavam imensas dificuldades, desde a deficiente alimentação à escassez de cuidados médicos. Para agravar, os pais tinham pouco dinheiro. Uma das soluções foi retirar os filhos da instrução escolar e fazer com que eles ajudassem em casa, trabalhando de sol a sol. Mais de metade das crianças europeias não sabia ler nem escrever.

Já em 1950, e perante esta situação de pobreza, a Federação Democrática Internacional das Mulheres propôs às Nações Unidas que se comemorasse um dia dedicado a todas as crianças do mundo.

Dessa forma, os Estados Membros das Nações Unidas reuniram-se e propuseram o primeiro dia de Junho como Dia Mundial da Criança. Houve, assim, o reconhecimento de que as crianças, independentemente da raça, cor, sexo, religião e origem nacional ou social, necessitam de cuidados e atenções especiais, precisam de ser compreendidas, preparadas e educadas de modo a terem possibilidades de usufruir de um futuro condigno e risonho.

Em 1989 foi elaborada, pelas Nações Unidas, uma Convenção sobre os Direitos da Criança, que teve em consideração, entre outros elementos, o teor indicado na Declaração dos Direitos da Criança, adoptada em 20 de Novembro de 1959, pela Assembleia Geral desta Organização, que dizia que “a criança, por motivo da sua falta de maturidade física e intelectual, tem necessidade de uma protecção e cuidados especiais...”.

A ONU reconheceu também que “em todos os países do mundo há crianças que vivem em condições particularmente difíceis e a quem importa assegurar uma atenção especial, tendo devidamente em conta a importância das tradições e valores culturais de cada povo para a protecção e o desenvolvimento harmonioso da criança e a importância da cooperação internacional para a melhoria das condições de vida das crianças em todos os países, em particular nos países em desenvolvimento.” Esta declaração é tão importante que em 1990 se tornou lei internacional.

O distrito de Coimbra comemora este dia de forma muito especial. Hoje, às 10h30 e 14h30, e com o apoio do Exploratório, Centro Ciência Viva de Coimbra, a companhia de teatro “Encerrado para Obras” apresenta no jardim do Exploratório (Casa Municipal da Cultura) a peça “Clones e Clowns”. A peça, criada por aquele grupo, ilustra uma temática extremamente actual e controversa – a clonagem – que se inscreve no tema dominante do novo Exploratório, “Ciências Básicas & Saúde”. A entrada é gratuita e destina-se a todos, crianças, jovens e adultos.

Por sua vez, o Museu da Ciência da Universidade de Coimbra celebra este dia através de actividades pedagógicas e lúdicas pensadas para os mais novos. O programa é diversificado e os vários ateliês são dirigidos a alunos do ensino pré-escolar e do 1º e 2º ciclo do ensino básico. Esta nova iniciativa pretende ser, segundo o Museu, “um instrumento de divulgação e interpretação de fenómenos científicos”, uma vez que aprender significa também recortar, pintar, desenhar, modelar e… brincar, numa palavra. É um pouco tudo isso que o Museu da Ciência propõe nos quatro ateliês temáticos que preparou para o Dia da Criança. Os meninos entre os quatro e os sete anos vão ficar a conhecer todas as características dos astros ao construir o “seu” sistema solar, com plasticina e outros materiais. E será que já sabem como o homem conquistou o ar e o espaço? Nada mais fácil com os OVIS (Objectos Voadores Identificados) do Museu: aviões a jacto, helicópteros e foguetões já não terão segredos para o jovem público, no fim da sessão de hoje.

Aos mais velhos (entre os sete e os 12 anos) serão propostos desafios ainda mais aliciantes, como descobrir quais as cores escondidas na tinta de um marcador, perceber o que compõe a luz branca ou saber como se acende uma lâmpada. As cores e a electricidade são dois fenómenos científicos de relevo que costumam suscitar a curiosidade das crianças.

Está na hora de ir deitar. Ouve-se, bem ao longe, uma música que cai do céu estrelado, flutuando no seu chapéu amarelo… O dia chega ao fim, e as palavras que saíram em cambalhotas pelas pontas dos meus dedos, transformam-se em leves bemóis que te sussurram ao ouvido: “Boa noite, sonhos lindos. Adeus, e até amanhã!”

A criança que pensa em fadas

A criança que pensa em fadas e acredita nas fadas
Age como um deus doente, mas como um deus.
Porque embora afirme que existe o que não existe
Sabe como é que as coisas existem, que é existindo,
Sabe que existir existe e não se explica,
Sabe que não há razão nenhuma para nada existir,
Sabe que ser é estar em algum ponto
Só não sabe que o pensamento não é um ponto qualquer.

Fernando Pessoa

André Pereira
O Despertar