segunda-feira, 16 de março de 2009

Sugestões - Viagens

Todos os fins-de-semana de manhã, o programa "A Vida São Dois Dias" (apresentado magnificamente pela minha amiga Célia Bernardo) recebe sugestões de alguém do Rádio Clube Português. No fim-de-semana de 7/8 de Março calhou-me a mim a difícil tarefa de fazer de Marcelo Rebelo de Sousa. Ou seja, mandar bitaites sobre tudo. Até de Gastronomia eu falei! Gastronomia!!!

São seis temas sobre os quais eu meditei, reflecti e ponderei. Três sinónimos, é certo, mas que interessa isso perante o poder da mente em poder considerar? Vale a pena pensar nisto... Ok, a primeira sugestão insere-se no tema "Viagens". É verdade que não sou um Mário Soares, mas já fiz algumas. Pourquoi? Je ne sais pas. Mas apeteceu-me dizer isto.

sábado, 14 de março de 2009

Nietzsche e o Nazismo (2/3)

Quanto à raça ariana, Hitler considerava-a como uma raça superior que deveria reerguer os valores nórdicos e palacianos perdidos na Antiguidade. Aqui, nota-se alguma semelhança com Nietzsche, que elevou, em algumas obras, o espírito guerreiro e aristocrático de alguns povos pagãos europeus da Antiguidade, como os Gregos, os Romanos e os Vikings. As suas proezas históricas reflectiam uma vontade de superação do aspecto problemático da própria existência, valor inexistente no ocidente moderno consequente de séculos de predomínio do Cristianismo e da crença em ideais transcendentes. Apesar de tudo, o filósofo alemão nunca defende a soberania de qualquer um destes povos, ao contrário de Hitler. O racismo biológico alemão era bem diferente do “novo homem” proposto por Nietzsche.

Para entender este “novo homem” é necessário uma breve abordagem a uma das suas teorias, a do “Super-homem”. Nietzsche entende que, com a emergência da época moderna, os valores baseados na moral cristã e na tradição metafísica começam a ruir. Simbolicamente, Nietzsche diz que “Deus está morto!”, eliminando, desta forma, todos os valores considerados como absolutos. Com a ausência de valores, o mundo e a própria existência deixam de fazer sentido. A solução, frente a este Niilismo decorrente da “morte de Deus”, é a criação de novos valores. Esses valores não são mais baseados na transcendência, mas sim na terra e na própria vida, mesmo sabendo que há dor e sofrimento – amor à fatalidade (amor fati). E aqui surge o conceito de Super-homem (Übermensch), uma doutrina de superação do próprio homem. Apenas um Super-homem poderia aceitar a vida tal como ela é e, ainda assim, desejar que ela se repita infinitas vezes.

Esta ideia de um Super-homem foi aproveitada por Hitler, porém, de forma completamente deformada, uma vez que o Super-homem nietzschiano não procura uma superação social mas sim uma superação do pensamento e da ética, o oposto defendido pelo ditador austríaco, que dizia estar a “acelerar o inevitável”.

Em relação ao transcendente, Nietzsche e Hitler diferem em larga escala. Nietzsche apoia-se mais na intelectualidade e razão humanas, opondo-se à Moralidade e à Religião. Por seu lado, Hitler era muito supersticioso e fomentava o culto do divino.

É um erro dizer que Hitler era cristão ou nietzschiano. A verdade é que tinha um desejo político baseado no extermínio dos judeus. Para levar a cabo os seus objectivos, procurou, em várias fontes, argumentos que o favorecessem. Uma dessas fontes foi a Filosofia de Nietzsche, especificamente a obra “Assim Falava Zaratustra”, que Hitler mandava distribuir aos soldados alemães nas frentes de batalha.


(continua)

André Pereira

sexta-feira, 13 de março de 2009

13

Esta é uma crónica que fiz no dia 13 Fevereiro deste ano. Passou no programa "Minuto a Minuto", no Rádio Clube Português. Tudo o que possa transmitir alguma qualidade deve-se ao mágico Nuno Cacheira, um excelente sonoplasta. Eu apenas dei voz, e uma certa parvoíce, às palavras.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Nietzsche e o Nazismo (1/3)

A obra de Friedrich Nietzsche tem sido alvo de inúmeras críticas que a apontam como pedra basilar do Nazismo. Nada mais enganador. Através deste texto, pretendo desmistificar essa ligação estreita que muitos fazem entre o Pensamento de Nietzsche e os Ideais Nazis. É óbvio que, como acontece com grande parte das teorias, podem-se sempre criar relações e encontrar justificações para o que se pretende. A obra de Nietzsche é, toda ela, construída em metáforas e aforismos. A complexidade da sua interpretação já é tal que, colocada fora de contexto, pode ser sujeita a interpretações erradas. Assim o fez Adolf Hitler.

Comecemos pela política. Esta, com certeza, não era uma das principais preocupações de Nietzsche. Apesar de se opor ao Absolutismo, também não era partidário da Democracia, uma vez que entendia que o poder deveria pertencer a um pequeno grupo de indivíduos, os verdadeiros nobres, capazes de exercer a vontade de potência.

No que respeita aos Judeus, Nietzsche, na sua obra “Humano, Demasiado Humano”, faz algumas referências a este povo: “Diga-se de passagem que o problema dos judeus existe apenas no interior dos Estados nacionais, na medida em que neles a sua energia e superior inteligência, o seu capital de espírito e de vontade, acumulado de geração em geração em prolongada escala de sofrimento, devem preponderar numa escala que desperta inveja e ódio, de modo que, em quase todas as nações de hoje – e tanto mais quanto mais nacionalista é a pose que adoptam –, aumenta a grosseria literária de conduzir os judeus ao matadouro, como bodes expiatórios de todos os males públicos e particulares. Um povo que, não sem a culpa de todos nós, teve a mais sofrida história entre todos os povos, e ao qual devemos o mais nobre dos homens (Cristo), o mais puro dos sábios (Spinoza), o mais poderoso dos livros e a lei moral mais eficaz do mundo. E além disso: nos tempos mais sombrios da Idade Média, quando as nuvens asiáticas pesavam sobre a Europa, foram os livres pensadores, eruditos e médicos judeus que, nas mais duras condições pessoais, mantiveram firme a bandeira das Luzes e da independência intelectual, defendendo a Europa contra a Ásia.” Através deste excerto, podemos admitir que Nietzsche e Hitler olhavam os judeus de forma bastante diferente. Hitler considerava os judeus como “retrógrados, parasitas da humanidade, abomináveis e mestres da mentira”, como descreveu na sua obra “Mein Kampf” (“Minha Luta”).


(continua)
André Pereira
Quinze

quarta-feira, 11 de março de 2009

Uma vergonha

Eliminar crianças em massa num campo... típico alemão.

"Uma equipa absolutamente fraca", German Press

Aproxima-se mais uma sexta-feira 13. Depois da terça-feira 12...

domingo, 8 de março de 2009

sábado, 7 de março de 2009

Sugestões - A Vida São Dois Dias


Ontem foi a Gala Rádio Clube/Cofaco Açores. A noite terminou... apenas hoje, e cá estou eu em amena cavaqueira com a minha amiga Célia Bernardo no programa 'A Vida São Dois Dias'. Hoje falei de Viagens, Leitura e Gastronomia. Amanhã vou mandar uns bitaites sobre Cultura, Recantos e Pessoas. Entre as 8h e as 12h, no Rádio Clube.

A partir de segunda-feira, irei disponibilizar estas minhas sugestões em podcast.