terça-feira, 29 de abril de 2008

Acordo Ortográfico - Hífenes

Há uma tentativa de simplificar as regras do uso do hífen. Será eliminado nos casos em que o prefixo termina em vogal e o elemento seguinte começa por vogal diferente (autoestrada) ou por «r» ou «s» (antirreligioso e minissaia). No entanto, o hífen continua a usar-se sempre que o prefixo termine com a vogal que inicia o elemento seguinte (micro-ondas e contra-almirante), excepto no caso de «co» (coobrigação). Mantém-se nas palavras compostas da área da botânica e zoologia (couve-flor ou formiga-branca) e é suprimido no presente do indicativo do verbo haver (hei de, hás de, há de, heis de, hão de).

Fonte: Atual. O novo acordo ortográfico, de João Malaca Casteleiro e Pedro Dinis Correia (Texto Editores)
Imagem: Direitos Reservados

sábado, 26 de abril de 2008

O que o 25 abriu...

Cheguei agora a casa. Provavelmente muitos dirão que não são horas para chegar a casa. Amanhã, talvez, terei de me levantar cedo e, não só chego tarde a casa, como ainda vou escrever um texto para colocar no meu blogue. Não cabe na cabeça de ninguém. Muito menos na minha, de tão pequena que é para ser ocupada com coisas triviais como esta: chegar ou não chegar tarde a casa. Um pensamento digno de Hamlet, talvez. Porém, a personagem de Shakespeare que mais se adapta ao tema que pretendo abordar é Otelo. Contrapondo todos os que me possam criticar, haverá, certamente, muita gente que se regozija pensando que um jovem como eu foi festejar o grandioso dia que foi o 25 de Abril de 1974.

Perdoem a minha sinceridade e a displicência com que fui apenas beber um copo com um amigo, sem sequer levar um cravo no bolso do casaco. E não, não coloquei nenhum cd do Zeca Afonso no carro. Muito menos do Manuel Freire, do Fernando Tordo, do Adriano ou do Fausto. Não porque não goste deles, antes pelo contrário! Admiro-os, venero-os como músicos e cantores que o foram, e alguns deles ainda o são, de um povo enorme e único como o português!

Para quê apenas recordar a “Tourada” do Ary ou a “Grândola” do Zeca no dia 25 de Abril? Ao contrário da esmagadora maioria das pessoas que neste dia cerra o punho e grita liberdade, eu oiço estas músicas nos restantes dias do ano. Tal como oiço Metallica ou Rammstein, também oiço a “Trova do Vento que Passa” e a “Pedra Filosofal”. Mas sim, para quem não sabe e vive apoiado na sua mão esquerda com um poster do Che Guevara no quarto enquanto fuma um ou outro charuto (cubano, de preferência) há outros dias no ano para além dos dias em que há manifestações e daquele que existe entre o dia 24 e o dia 26 de Abril.

No entanto, parece que Portugal pára para recordar este heróico dia. Não estou a criticar esta mobilização dos cravos – nem dos escravos –, esta invasão de chaimites blindadas em todos os meios de comunicação social, longe de mim! Aliás, até concordo com o relembrar de todas estas memórias. O que me preocupa é a forma como estas lembranças são recordadas.

Eu tenho a plena noção histórica daquilo que foi a Revolução dos Cravos. Digo histórica porque, feliz ou infelizmente, não a vivi como os meus pais ou os meus avós a viveram. Não fui um dos combatentes da liberdade que lutou bravamente contra a falta desta durante o regime fascista existente até então.

Mas sempre que se aproxima este dia, lembro-me do Natal. Não que exista alguém que se assemelhe ao Pai Natal e distribua prendinhas por todas as crianças. Quer dizer, talvez o Álvaro Cunhal, que até vestia de vermelho e tudo… Mas é uma mera coincidência. Nesta altura lembro-me da época natalícia porque são sempre as mesmas pessoas a falar na televisão, os mesmos filmes a rodarem em horário nobre, as mesmas músicas a ecoarem-nos nos ouvidos. Eu até gosto de ver o “Sozinho em Casa”, rir-me com o Mr. Bean e ouvir o Jingle Bells, mas chega a uma altura em que cansa.

Há que exaltar os valores atingidos através da Revolução, mas, na minha opinião, esta exaltação contínua só nos encaminha para dentro de nós próprios. Isto é, parece que lembramos com saudade os tempos em que vivíamos “orgulhosamente sós” com Salazar, em que a PIDE nos pegava pelos colarinhos e nos mandava para os calabouços do Tarrafal, em que nos apoiávamos sob a mão protectora do Presidente do Conselho… E que conselhos estas pessoas nos dão a nós, juventude que não sabe o que é viver aprisionada pelos grilhões de um regime? Atiram-nos com documentários a preto e branco e com espectáculos cujas figuras principais são, nem mais nem menos, do que os velhos?

Uma vez mais realço a minha extrema admiração por estes “velhos”, mas o que critico é a forma como o 25 de Abril tem vindo a ser contado aos “novos”. Quem diz o 25 de Abril, diz a política em geral. Ontem, o nosso presidente da República criticou mesmo a forma como os políticos se têm comportado, criando uma espécie de barreira entre a juventude e a política E, do meu ponto de vista, Cavaco Silva tem razão. A confiança depositada nos nossos estadistas tem sido gradualmente destruída pelo trabalho, ou falta dele, que estes têm desenvolvido.

Talvez seja esta a razão de recordarmos tanto o 25 de Abril de 1974. Não porque queremos regressar ao fascismo, mas porque sentimos falta de um ideal forte por que lutar. Encontrámos esse ideal e soubemos lutar por ele, mas… e depois? Tal e qual um jogador que finta todos os jogadores mas depois não sabe como há-de rematar à baliza. E ali fica, eternamente, até que lhe surja uma ideia e a coloque em prática ou então espera que o guarda-redes lhe tire a bola.

Lutámos pela liberdade, derrubámos o regime, gritámos nas ruas, abraçámo-nos… e agora? É este enorme ponto de interrogação que tem incomodado os portugueses. Aliado a muitos outros (por exemplo, será que D. Sebastião ainda nos virá salvar?) a nossa vida baseia-se numa curva sobre um pontinho minúsculo. A curva são as nossas incertezas, o ponto é o que nos falta. Andamos numa constante espiral procurando o porquê de tantos gritos de liberdade e de “povos unidos”. Damos voltas e mais voltas, mas voltamos sempre ao mesmo local.

Hoje em dia, não há um “aproveitamento” real do 25 de Abril. Aconteceu, foi óptimo, foi uma libertação! Nada contra. Mas… como utilizar esta liberdade para nos expandirmos em direcção a outras liberdades? Será que esta pela qual muitos compatriotas nossos deram a vida serviu apenas para podermos recordar constantemente o que se passou? Utilizemos esta liberdade para pensar, para criar, para imaginar, para evoluir!

Vamos dar novas liberdades ao mundo, ou pelo menos a este nosso país cujas pessoas só se sabem queixar do aumento dos impostos e das medidas mais ou menos acertadas de qualquer que seja o governo!

Passe a concordância do predicado com o complemento, a sociedade somos todos, e a liberdade não serve apenas para podermos criticar à vontade com bandeiras vermelhas e rastas mal lavadas. A liberdade serve para andar para a frente, avançar com inteligência, inventar novas formas de vivermos melhor!

Apesar de não ter escrito nada de novo, é essencial que olhemos para a nossa História de uma forma inteligente e astuta. Ok, adquirimos a liberdade, agora vamos utilizá-la! E não continuar, apenas, a cantá-la e a transmiti-la em filmes e programas sem pachorra.

Hoje, é verdade, eu cheguei tarde a casa. Mas há quantos anos anda o nosso país a chegar tarde?


Texto: André Pereira
Imagem: Direitos Reservados

quinta-feira, 24 de abril de 2008

"O Abc do Amor"

Um clássico de Woody Allen, "Everything you Always wanted to Know About Sex but were Afraid to Ask" descreve-nos de uma forma completamente alucinada a forma como vemos e vivenciamos o amor.

Nesta cena, o mestre Allen satiriza "Hamlet" de Shakespeare. O pai do bobo aparece a este numa noite de nevoeiro e diz-lhe o que fazer, à semelhança do Rei Hamlet, que faz a sua aparição ao seu filho. "Pai, tu que morreste à nascença!"

Jornalismo Ambiental

Vivemos numa era em que os avanços tecnológicos se sucedem de uma forma tão rápida e envolvente como nunca havia acontecido. Esta evolução que o mundo tem sofrido é, seguramente, uma das causas para a tomada de consciência da população do mundo em que vivemos. Se, por um lado, as novas tecnologias nos permitem viver o mundo de uma forma completamente diferente (quase ao estilo de uma realidade virtual matrixiana) por outro, esta inteligência artificial permite-nos ter acesso a informações de todos os tipos. Há um esbater das classes sociais, neste aspecto, ao nível do antigo “elitismo do conhecimento”. Porém, a facilidade de acesso à informação é proporcionalmente acompanhada pela dificuldade em decifrarmos o verdadeiro conhecimento, o que é real do que é apenas acessório ou falacioso.

Neste universo tecnológico incluem-se, obviamente, os órgãos de comunicação social, que têm sofrido constantes alterações não só a nível estrutural como também a nível da pesquisa e divulgação da notícia.

Centrando-me na problemática existente entre os meios de comunicação social e a temática do aquecimento global, eu entendo que todos os intervenientes (Comunicação Social, grandes grupos económicos e ambientalistas) acabam por sair beneficiados. Com a preocupação constante em relação ao aquecimento global, os órgãos de comunicação social fazem o seu trabalho, divulgando a notícia, obtendo lucros com a sua acção. Por sua vez, os grandes grupos económicos especulam os preços, devido à conjectura ambiental que se vive, lucrando também com isso. Por último, os ambientalistas (que pertencem a grandes grupos económicos) também saem beneficiados por verem o “seu” caso em cima da mesa da opinião pública.

Como é óbvio, todos os alarmes e informações que nos são veiculadas pelos órgãos de comunicação social podem ser facilmente manipulados com o intuito de nos transmitir determinada informação. Mas acaba por ser essa a lei do mercado. Tanto acontece com o “aquecimento global” como com o “terrorismo” ou a “saúde”. Ciclicamente, estes temas são debatidos em praça pública com o intuito de “promover a roda”. Não estou a dizer, porém, que não existe o problema do aquecimento global, neste caso específico. Apenas entendo que o ser humano banal não tem acesso à verdadeira informação, ao conhecimento, tendo apenas que acreditar naquilo que ouve, vê ou lê através dos meios de comunicação social. E aqui é que se gera o debate. Por exemplo: os meios de comunicação social nos Estados Unidos relatam temas avassaladoramente diferentes dos tratados pelos meios de comunicação social árabes. Não quero, com isto, optar por uma ou outra forma de divulgar a notícia, mas o problema reside no facto de a “Notícia” ser diferente. Até que ponto o ser humano (de qualquer continente e não só norte-americano/europeu) pode estar consciente do verdadeiro problema e como deve combatê-lo?

Entendo que, por um lado, os órgãos de comunicação social podem tratar o tema do aquecimento global numa perspectiva de preocupação com as suas consequências. Porém, não é de eliminar a probabilidade propagandística exercida pelos mesmos, sujeitando-se aos elevados interesses económicos.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Acordo Ortográfico - Consoantes Mudas

É a maior alteração do novo acordo ortográfico: na variante luso-africana são suprimidas as consoantes mudas que, até agora, se mantinham por uma questão etimológica. Assim, à semelhança dos brasileiros, passaremos a escrever 'lecionar', 'ação', 'coleção', 'elétrico', 'adoção' e 'batismo'. Nos casos em que a consoante se articula, esta deverá permanecer, como em 'ficcional', 'convicção', 'intelectual', 'opcional', 'opção' ou 'eucalipto'.

Fonte: Atual. O novo acordo ortográfico, de João Malaca Casteleiro e Pedro Dinis Correia (Texto Editores)

terça-feira, 22 de abril de 2008

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Acordo Ortográfico - KWY

O «k», o «w» e o «y» passam a constar do alfabeto da língua portuguesa que, assim, será formado por 26 letras. Trata-se, apenas, de uma questão formal, uma vez que a prática já havia consagrado o seu uso, sobretudo nos vocábulos derivados de nomes estrangeiros como «kantiano» ou «darwiniano». Vamos escrever «windsurfe» e «yoga».

Fonte: Atual. O novo acordo ortográfico, de João Malaca Casteleiro e Pedro Dinis Correia (Texto Editores)

Duo Magnífico

Em relação ao jogo de ontem, apenas tenho uma observação a fazer:
O Secretário ser comentador de um jogo de futebol é a mesma coisa que pedir ao Nuno Gomes que analise um golo. Não combina.

domingo, 20 de abril de 2008