quinta-feira, 25 de maio de 2006

Direito ao Sigilo Profissional


A comunicação social desempenha uma função decisiva na criação de um clima de liberdade de expressão, que permita a todos os cidadãos estarem informados sobre a forma como se desenvolve a vida.

O público, por um lado, tem o direito à informação mas, por outro lado, o jornalista pode ou não revelar tudo.

No fundo, o trabalho jornalístico está repleto de contradições: o jornalista está protegido pelo seu código deontológico que lhe permite decidir se deve ou não revelar a identidade das fontes. Contudo, o código penal “obriga” o indivíduo a contribuir com a justiça, o que poderá levar o jornalista a ter que revelar a identidade das fontes.

A violação do sigilo profissional pelo jornalista, enquanto revelação da identidade da fonte, não acarreta qualquer sanção penal.

Deverá, igualmente, prever-se uma interdição de proceder, sem prévia decisão judicial, a busca ou apreensão de materiais, quer na sede da empresa de comunicação social, quer nos domicílios dos jornalistas e dos outros profissionais implicados na produção desse órgão de comunicação social. O caso do “Envelope 9” enquadra-se neste aspecto.
Por outro lado, “os jornalistas e as empresas não podem ser desapossados do material utilizado ou obrigados a exibir os elementos recolhidos, salvo por mandado judicial e nos demais casos previstos na lei.”
André Pereira

sexta-feira, 12 de maio de 2006

Touro Enraivecido


No passado dia 7 de Maio de 2006, na Praça de Touros da Figueira da Foz, decorreu uma festa dedicada aos estudantes do Ensino Superior de Coimbra, a Garraiada.
O espírito era de festa e euforia, misturado com as lágrimas e os sorrisos dos finalistas que ali encontravam o lugar perfeito para se poderem divertir.
Cá fora, a confusão era muita e as várias entradas para o recinto estavam repletas de gente de capa e batina. Os fitados entravam pela porta principal, uma vez que iriam desfilar na arena para mostrarem as emoções e abanarem as fitas da saudade.
Tudo decorria como previsto quando, no átrio que dá acesso à arena, um segurança decidiu usar da sua maior qualidade enquanto pessoa, a força, e impediu que alguns estudantes do Ensino Superior da Universidade de Coimbra tivessem acesso ao desfile de felicidade que há tanto aguardavam. Com palavras de ordem e agressões quer físicas quer verbais, este indivíduo encontrou ali o momento adequado para descarregar a sua fúria perante algo que talvez só possa ser explicado à luz da psiquiatria. “Eu pego na tua cabeça e atiro-te ao chão!”, “A loira aqui não sou eu”, foram as palavras proferidas por este agente de autoridade que tanto a quer impor mas que não a sabe ter. Por outro lado, encostou contra a parede ainda três estudantes, agarrando nos colarinhos de um e ameaçando-o “delicadamente”.
Lá dentro, a festa era outra e, mais tarde, deu-se a largada do touro. O ambiente era excelente e as corridas emocionantes. Contudo, uma coisa não me sai da cabeça: enganaram-se no animal a colocar na arena.
André Pereira

segunda-feira, 1 de maio de 2006

Entrevista Ficcionada - Cadeira da Assembleia da República


Diário de Fictícias
"A minha meta é o Parlamento Europeu"
Confortável, macia, conversadora e simpática; é assim a cadeira da Assembleia da República (CAR) que concedeu uma breve entrevista ao nosso jornal.

DF: Qual é a sua função e onde trabalha?
CAR: Eu sou uma cadeira que trabalha na Assembleia da República, no parlamento português. Tenho por função proporcionar bem-estar aos deputados durante as suas reuniões.

DF: Como é o seu dia-a-dia?
CAR: De manhã sou acordada ao som do Hino Nacional. Logo de seguida, várias empregadas de limpeza passam cerca de uma hora a arrumar a Assembleia. Da parte da tarde, há reuniões com leis a aprovar e questões a debater. Ao fim do dia, apagam-se as luzes e dormimos.

DF: Qual é o seu horário laboral?
CAR: Eu tenho uma grande flexibilidade nesse aspecto. Apesar de haver uma escala com os horários estipulados, raramente é cumprido. Nós, as cadeiras, não temos para onde ir nos períodos mortos, somos obrigadas a ficar naquela sala enorme. Os deputados quase nunca chegam a horas e, quando chegam, são raros os que aquecem o lugar. Mas também há aqueles que aproveitam para descansar um bocadito os olhos. Tenho colegas de trabalho que sofrem muito com as diferenças de temperatura. Estando sempre descobertas, basta uma corrente de ar para ficarem logo constipadas. No que diz respeito a férias, posso dizer que temos alguma facilidade, pois são raras as vezes em que a Assembleia se encontra cheia.

DF: Já teve algum acidente de trabalho?
CAR: Felizmente apenas um. Estava a descer as escadas do Parlamento, escorreguei e parti uma perna. Como seria de esperar, durante dois meses tornei-me numa cadeira de rodas…

DF: Como são os seus colegas?
CAR: As outras cadeiras do Parlamento são cadeiras simpáticas e muitas vezes falamos sobre os assuntos em destaque nas discussões parlamentares. Conhecemo-nos há décadas. Os deputados é que variam, normalmente, de 4 em 4 anos. Cada partido tem os seus lugares marcados, mas as pessoas raramente são as mesmas durante muito tempo. Até na forma de sentar são diferentes: uns sentam-se mais à direita, outros mais à esquerda, e outros nem se sentam de um lado nem do outro, depende da maré… (risos)

DF: Gosta daquilo que faz?
CAR: Gosto muito do meu trabalho. Conheço, de antemão, os problemas do nosso País, e as soluções que cada grupo parlamentar apresenta para os resolver. Por outro lado, divirto-me muito com algumas propostas apresentadas. Há dias em que até me chega a doer a almofada de tanto rir.

DF: Que caminho percorreu antes de chegar aqui?
CAR: O tradicional. Fui cadeirinha de bebé, passei pela escola primária, concluí o Ensino Básico e o Secundário. Essa altura da minha vida foi muito complicada pois tinha duas opções: ou ia para cadeira do Estádio Alvalade XXI, a convite de um conhecido do meu pai, ou iria para a Universidade. Decidi-me pelo curso superior. Foi a melhor escolha; se fosse para o Estádio do Sporting provavelmente teria que mudar de visual (mudar de cor) e talvez ficasse atrás de um placard que me impediria de ver os jogos… Terminada a minha licenciatura, fui estagiar como cadeira de escritório para o gabinete do Primeiro Ministro da altura, e, devido ao meu carácter, também à qualidade da minha pele, três anos depois fui proposta para cadeira do Parlamento. E aqui estou, a minha profissão resume-se à Assembleia da República.

DF: Que objectivos pretende alcançar?
CAR: Bem, a minha principal meta como cadeira é a Europa, ou seja, ser cadeira do Parlamento Europeu. Todos nós sabemos que aqui em Portugal o campeonato não é muito competitivo, só há duas equipas grandes. Na Europa tudo é diferente, a visibilidade a que estou sujeita é muito maior.

DF:
Tem alguma cadeira que admire?
CAR: Sim, admiro muito a minha falecida avó, que arriscou imenso em prol da democracia. Foi a última cadeira em que Salazar se sentou, lembra-se, não se lembra? Uma heroína, a senhora...

quinta-feira, 20 de abril de 2006

Parabéns Tuna Real Torga


Parabéns!!!

Hoje, dia 20 de Abril, a Tuna Real Torga faz anos!
Nós fazemos anos!

Em nome deste grupo de amigos desejo a todos um feliz aniversário! A Tuna ainda é pequenina, apenas 2 anitos, mas irá, seguramente, crescer com todo o apoio, carinho, esforço e dedicação de todos os elementos! Juntos conseguiremos fazer desta Tuna uma "Tuna a sério"!

E agora, toca a cantar os parabéns, e a pedir um desejo!
André Pereira

terça-feira, 11 de abril de 2006

11 Abril 2003


Jogarás para sempre connosco...

quinta-feira, 6 de abril de 2006

Carta de Suícído de Kurt Cobain - 12 anos depois

20-02-1967 * 05-04-1994
Para Boddah (Amigo imaginário que Kurt tinha quando era pequeno)

"Falando da língua de um simplório experiente que obviamente preferiria ser um eliminado, infantil e chorão. Este bilhete deve ser fácil de entender.

Todas as advertências dadas nas aulas de punk rock ao longo dos anos, desde a minha primeira introdução a, digamos assim, éticas envolvendo independência a aceitação de sua comunidade provaram ser verdadeiras. Há muitos anos que não sinto o entusiasmo de ouvir ou fazer música, bem como ao ler e escrever. Minha culpa por isso é indescritível em palavras.

Por exemplo quando estou atrás do palco e as luzes se apagam e o ruído maníaco da multidão começa, não me afecta do jeito que afectava Freddy Mercury que costumava amar, deliciar-se com a adoração da multidão que é algo que eu totalmente admiro e invejo. O facto é que eu não vos posso fazer de tolos, nenhum de vocês. Simplesmente não é justo para vocês ou para mim. O pior crime que eu posso imaginar seria enganar as pessoas sendo falso e fingindo como se eu me estivesse divertindo 100%.

Às vezes eu acho que deveria accionar um despertador antes de entrar no palco. Eu tentei tudo ao meu alcance para gostar disso (e eu gosto, Deus, acredita em mim eu gosto, mas não foi o suficiente). Eu aprecio o facto de que eu e nós atingimos e divertimos muitas pessoas. Eu devo ser um desses narcisistas que só dão valor às coisas quando elas se vão. Eu sou sensível demais. Preciso ficar um pouco dormente para ter de volta o entusiasmo que eu tinha quando criança.

Nossas últimas três tournées, tive um reconhecimento por parte de todas as pessoas que conheci pessoalmente e dos fãs de nossa música, mas eu ainda não consigo superar a frustração, a culpa e a empatia que eu tenho por todos. Existe o bom em todos nós e acho que eu simplesmente amo as pessoas demais, tanto que me chego a sentir mal. O triste, o sensível, insatisfeito, pisciano, pequeno homem de Jesus. Por que simplesmente não aproveito? Eu não sei!

Eu tenho uma esposa que é uma deusa, que transpira ambição e empatia, e uma filha que me recordam muito do que eu era, cheio de amor e alegria, beijando todas as pessoas que ela encontra porque todo o mundo é bom e não a fará nenhum dano. E isso me apavora ao ponto de eu mal conseguir funcionar. Eu não posso ficar com a ideia de Frances se tornar o triste, o auto-destrutivo e mórbido roqueiro que eu virei. Eu tive muito amor, muito mesmo, e eu sou grato por isso, mas desde os sete anos, passei a ter ódio de todos os humanos em geral. Apenas por que eu amo e sinto demais por todas as pessoas, eu acho.

Obrigado do fundo de meu nauseado estômago queimando por suas cartas e sua preocupação ao longo dos anos. Eu sou mesmo um bebé errático e triste! Não tenho mais paixão, então lembrem, é melhor queimar do que se apagar aos poucos.
Paz, Amor, Empatia.

Kurt Cobain

Frances e Courtney, eu estarei em seu altar. Por favor vá em frente Courtney, por Frances. Por sua vida, que vai ser mais feliz sem mim. EU AMO-TE, EU AMO-TE!"

domingo, 12 de março de 2006

Cavalo à Solta


Minha laranja amarga e doce, meu poema
Feito de gomos de saudade, minha pena
Pesada e leve, secreta e pura
Minha passagem para o breve, breve instante da loucura.

Minha ousadia, meu galope, minha rédea
Meu potro doido, minha chama, minha réstea
De luz intensa, de voz aberta
Minha denúncia do que pensa, do que sente a gente certa.

Em ti respiro, em ti eu provo
Por ti consigo esta força que de novo
Em ti persigo, em ti percorro
Cavalo à solta pela margem do teu corpo.

Minha alegria, minha amargura
Minha coragem de correr contra a ternura…

Minha laranja amarga e doce, minha espada
Poema feito de dois gumes, tudo ou nada
Por ti renego, por ti aceito
Este corcel que não sossego à desfilada no meu peito.

Por isso digo, canção, castigo
Amêndoa, travo, corpo, alma, amante, amigo
Por isso canto, por isso digo
Alpendre, casa, cama, arca do meu trigo.

Minha alegria, minha amargura
Minha coragem de correr contra a ternura…

Minha ousadia, minha aventura…


José Carlos Ary dos Santos

terça-feira, 21 de fevereiro de 2006

Voar nas Asas de um Corvo


Há muitos anos que o nome “Sport Clube Leiria e Marrazes” me ecoa nas paredes do cérebro. Já em pequenino os meus pais me levavam ao campo de futebol a ver os jogos e, talvez aí, tenha adquirido este sentimento que agora faz parte do meu quotidiano. Para mim, falar deste clube é como falar de um membro da minha família, uma vez que sempre estive ligado a ele. Desde cedo me juntei a esta massa humana, dando uns toques na bola e esfolando os joelhos. Recordo com saudade esses tempos, em que andar à chuva e ao sol, pisando a lama e correndo atrás de uma bola, me davam a alegria que necessitava para viver.
Hoje, vejo o Marrazes de uma forma diferente, mais madura e assente em pilares que fui construindo ao longo da minha vida. A história deste clube é inegável, recheada de troféus e vitórias marcantes. Contudo, os dias actuais não são de grande vaidade. Pelo contrário, o Sport Clube Leiria e Marrazes encontra-se a disputar, há vários anos, campeonatos distritais não conseguindo sair desta triste sina. Muitas são as pessoas que desejam pegar no clube e fazer dele o que já foi, mas quando chega a hora de agir, não existe quem o faça. As direcções vão-se sucedendo e o clube vai-se afundando cada vez mais. Não se pode viver do passado. Aliás, a vida é um constante pensar no futuro, agindo no presente, tendo em conta o que se sucedeu no passado. E é isto que se deve ter em mente quando se pega num projecto como este, o Sport Clube Leiria e Marrazes. Como ex-jogador do clube, durante 13 anos, e como Treinador dos Escolinhas, posso afirmar que a “coragem, esperança e dedicação” tão falados entre os mais velhos se mantêm no seio desta instituição. Falta apenas o “passo seguinte”, dado pelas pessoas que têm poder, que é o de equipar o clube com as infra-estruturas necessárias e adequadas à prática desportiva.
O Sport Clube Leiria e Marrazes tem uma área abrangente bastante grande, alastrando-se a todo o país, onde as pessoas que conhecem o clube relembram com saudade os gloriosos tempos desportivos. Mas os tempos mudam e, como que de um dia para o outro, surge o União Desportiva de Leiria, através da junção de vários clubes da região. Surge a rivalidade entre os dois clubes, um representante da pequena aldeia de Marrazes e outro representante da cidade de Leiria. Disputam-se jogos, torneios, campeonatos e a rivalidade vai crescendo cada vez mais. O tabuleiro do jogo vai-se invertendo, e o União Desportiva de Leiria assume-se como principal clube de Leiria. Razões claras para esta tão brutal reviravolta não encontro, mas o que é certo é que após esta subida ao poder do “clube do Lis”, cada vez mais vai aumentando o fosso entre este e os outros clubes da região. A verdade é que, como clube, o União Desportiva de Leiria não existe, funcionando apenas com os apoios da Câmara Municipal de Leiria. Por seu lado, o Sport Clube Leiria e Marrazes possui dois campos de futebol e uma sede, recebendo também apoios da Câmara. Não se percebe é o porquê desta disparidade.
Apesar de todas estas divergências, o Marrazes mantém-se fiel aos seus princípios, parecendo neste momento renascer das cinzas que o têm impedido de atingir novos horizontes. E eu, que cresci como homem dentro deste clube, continuarei a trabalhar na esperança que um dia, os meninos que hoje lutam por uma bola, possam marcar outro tipo de golos ao longo da sua vida.
André Pereira

segunda-feira, 30 de janeiro de 2006

No teu Poema


"No teu poema
existe um verso em branco e sem medida,
um corpo que respira, um céu aberto,
janela debruçada para a vida.

No teu poema
existe a dor calada lá no fundo,
o passo da coragem em casa escura
e, aberta, uma varanda para o mundo.


Existe a noite,
o riso e a voz refeita à luz do dia,
a festa da Senhora da Agonia
e o cansaço do corpo que adormece em cama fria.

Existe um rio,
a sina de quem nasce fraco ou forte,
o risco, a raiva e a luta de quem cai ou que resiste,
que vence ou adormece antes da morte.

No teu poema
existe o grito e o eco da metralha,
a dor que sei de cor mas não recito
e os sonhos inquietos de quem falha.

No teu poema
existe um cantochão alentejano,
a rua e o pregão de uma varina
e um barco assoprado a todo o pano.

Existe um rio
a sina de quem nasce fraco ou forte,
o risco, a raiva e a luta de quem cai ou que resiste,
que vence ou adormece antes da morte.

No teu poema
existe a esperança acesa atrás do muro,
existe tudo o mais que ainda escapa
e um verso em branco à espera de futuro."
José Luís Tinoco

segunda-feira, 2 de janeiro de 2006

Deus

Como primeiro texto de 2006, escolhi "Deus", um texto da minha autoria. Achei o texto mais adequado para iniciar o ano, uma vez que por "ele" se age, por ele se reage, por ele se mata.

Não nego. Porém, a questão da Tua existência perturba o meu espírito e as minhas acções. Sinto que não existes mas persistes por toda a parte, sinto que nunca foste mas serás sempre qualquer coisa. Os extremos aproximam-me de Ti e sinto, nessas alturas, que Tu poderás eventualmente existir. Mas quando tudo aquilo que vejo se revela tristemente real, a dúvida emerge e navega a alta velocidade no meu mar de ideias inconstante. Por vezes, olho a estibordo e tenho a máxima certeza da Tua existência. Mas quando olho a bombordo, a Tua pessoa é afogada e afirmo com raiva e convicção que Tu não existes. Paro para pensar e não consigo encontrar respostas. Talvez um dia seja forçado a ver o invisível e me juntarei, então, à homogeneidade rebânica que Te segue cegamente.

André Pereira