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quinta-feira, 15 de outubro de 2009

DOR CRÓNICA
Hasta siempre, Isabel!

Provavelmente este é o último artigo de opinião que escrevo enquanto leiriense. Não por iniciativa própria, mas porque agora o presidente da Câmara é Raul Castro. E toda a gente sabe a inclinação que os Raul Castro têm para a liberdade de expressão. Mas até acho positiva a sua escolha, porque é o primeiro passo para Leiria ficar mais parecida com Cuba (o que faz com que se poupe um dinheirão em férias). Agora, se a Isabel Damasceno ganhasse, colocava-se uma questão importante: “quanto custa mais um estádio?”

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Gostaria de felicitar a SIC que fez dezassete anos. Isto significa que para o ano o Carlos Cruz já pode voltar a apresentar um programa. No âmbito do processo Casa Pia, vários jornalistas estão a ser acusados de terem violado o segredo de justiça. O que os distingue dos outros arguidos é o facto de terem violado apenas o segredo de justiça.

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No futebol, o Benfica está imparável e tem já o ataque mais mortífero da Europa, logo a seguir ao Gangue da Ribeira. Não é fácil competir com profissionais... Notícia é também a dieta que Pinto da Costa está a fazer, praticando agora uma alimentação à base daquilo que passou a vida a dar: fruta.

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O que está a marcar a agenda mediática é, sem dúvida, a entrega do Nobel da Paz a Barack Obama. Depois de se tornar no primeiro presidente negro da história dos Estados Unidos, Obama torna-se agora no primeiro homem a receber o Nobel da Paz sem ter feito nada por isso. Já o Nobel da Química foi atribuído a dois norte-americanos e uma israelita. Este é, seguramente, um prémio que Cavaco Silva e José Sócrates nunca poderiam ganhar. Nunca houve grande química entre eles…

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Não posso terminar esta crónica sem dar os parabéns ao Quinze, um jornal que - só pelo nome - captou a atenção de muitos deputados e apresentadores de televisão do nosso país.

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Jornal Quinze

Imagem: DR

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

DOR CRÓNICA
Sem cura

Com o Verão a chegar ao fim, muitas são as pessoas que regressam de férias. Grande parte de carro funerário, é certo, mas também ninguém as manda ter ido para o Algarve. É que no Algarve há duas coisas que atentam contra o bem-estar das pessoas: as falésias e a Gripe A (que este ano facturou mais do que o Zézé Camarinha).

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É preciso estarmos preparados para esta epidemia. Já há um plano de vacinação: primeiro os velhos, depois as mulheres e as crianças. Eu concordo. Se é para experimentar, que testem primeiro em quem não faz falta.

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“Não fazer falta” – uma expressão que, a par da expressão “Código Deontológico? O que é isso?!”, se adequa perfeitamente a Manuela Moura Guedes. O seu afastamento da TVI só pode ser uma medida preventiva em relação à Gripe A. Com uma boca daquelas, a transmissão de vírus torna-se mais fácil.

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Sócrates é encarado como o principal suspeito por ter provocado esta suspensão. E os partidos, como sempre, criticam-no. Mas está tudo doido? Se ele o fez, não merecia uma reprimenda, mas antes um louvor e a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique pela defesa do Jornalismo.

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Um assunto que está a provocar muito debate é a chamada de Liedson à Selecção Nacional. Eu acho que estamos a apostar no género errado. Toda a gente sabe que a nossa selecção funciona melhor com brasileiras.

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Repetem-se os casos de negligência médica em Portugal. Há umas semanas, uma jovem violada esperou 12 horas para ser atendida pelo médico. Ela diz que foi muito tempo, mas tendo em conta os casos de abuso de menores no nosso país, ter estado 17 anos sem ser violada é que é um exagero.

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Agora que as aulas estão a começar, gostava de deixar um conselho para as crianças: nunca aceitem guloseimas de alguém com um blusão vermelho! Muito menos com batina.

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Jornal Quinze

quarta-feira, 8 de julho de 2009

DOR CRÓNICA
Branco no Preto


Quando me disseram que Michael Jackson tinha morrido, as primeiras palavras que me vieram à cabeça foram: “Outra vez?!” Em sua memória, vou escrever toda esta crónica da forma como ele próprio viveu a sua vida, a preto e branco.

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Com a notícia da morte do Rei da Pop, os seus discos atingiram recordes de vendas, o que vem comprovar a teoria de que um artista morto tem muito mais valor. Eu até acho que muitos dos nossos músicos deveriam seguir esta estratégia. No seu testamento, Michael Jackson deixa à família o rancho de Neverland, um nariz e três criancinhas a estrear.

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Por cá, uma mãe adolescente fez greve de fome porque queria ter de volta o filho que deu para adopção. Dizem que foi a primeira vez que uma criança fez greve de fome. Eu não concordo. Em África já fazem isso há muito tempo. E lá, a fome é negra. Negra é também a caixa do avião da Air France que ainda não foi encontrada. Eu não entendo a razão de tanta demora, até porque, pela cor, só pode estar escondida na Damaia.

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Por falar nisso, o especulador Bernard Madoff foi condenado a 150 anos de cadeia. Ou era isto ou ser confrontado com o Nuno Melo no Parlamento. Preferiu, obviamente, a prisão. Por cá, vamos receber dois a três ex-detidos de Guantánamo. Como é hábito nestes casos, os envolvidos já estão a formar listas para as autárquicas.

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Depois das Europeias, mais duas eleições marcam a actualidade: as do Irão e as do Benfica. Ambas geraram muita contestação, até porque envolvem a religião. Se no Irão é Alá, no Benfica é Jesus. Nuno Gomes também renovou o seu contrato com o Glorioso. Com Jesus como treinador, é normal que a Maria Madalena ficasse no clube. Em relação ao Porto, acho estranho o Cissokho não ter assinado pelo clube de Ronaldinho Gaúcho por causa dos dentes.

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Para terminar, um conselho: quando acenderem uma vela em homenagem a Michael Jackson, não a deixem acesa durante muito tempo porque ele derrete.

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Quinze

quarta-feira, 17 de junho de 2009

DOR CRÓNICA
Dói mesmo

Um dos grandes temas deste mês foi, sem dúvida, as Eleições Europeias, aquelas que me dão mais prazer em votar, porque quem ganha vai embora. Por isso não compreendo a elevada taxa de abstenção. Apesar de tudo, pelo menos 238 passageiros da Air France foram às urnas. Estranho não ter havido nenhum português a bordo, até porque nós somos como os Palestinianos, estamos espalhados por todo o lado. Mas naquele voo nem um português. Porquê? Porque se atrasou no embarque… Temos que deixar de chegar atrasados, está bem Sócrates?

Quem não pára de voar é Cristiano Ronaldo. De Manchester para Madrid com escala em Paris… Hilton. Aliás, esta transferência para o Real Madrid foi precedida por um namoro de dois anos, algo a que Ronaldo não estava habituado. Curioso, ainda, o BES perguntar onde é que o Cristiano Ronaldo vai estar daqui a três anos. Eu acho que eles sabem, sempre me foi ensinado que o Espírito Santo tinha contactos privilegiados.


Já por obra e graça do mesmo, a Ana Malhoa foi capa da Playboy portuguesa. E numa coisa sai ao pai, usa risco ao meio. Passando para o mundo da música, a cantora norte-americana Lady Gaga disse que gosta de homens que se pareçam com mulheres. Cláudio Ramos… sortudo, hã? Por falar nisto, o famoso e violento jogo "Grand Theft Auto" tem agora uma versão gay. Porém, com duas novidades: os carros só têm marcha-atrás e a personagem principal é o Daniel Nascimento.


No mundo real, a Produtora UAU lançou uma audição para rapazes actuarem nus em palco. A última vez que isto aconteceu foi na Casa de Elvas. Segundo a Organização Internacional do Trabalho, mais de 200 milhões de crianças são vítimas de trabalho infantil. Esta notícia foi patrocinada pela NIKE.


Para terminar gostava de deixar uma mensagem àqueles que me chamam de insensível por fazer piadas sobre a queda do avião. A verdade é que eu tenho sentimentos e, de tanto chorar, estou com mais água nos olhos do que as vítimas do acidente...

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Quinze

Imagem: DR

sábado, 25 de abril de 2009

DOR CRÓNICA
Liberdade

Quem me dera não ser livre. Ter liberdade total para fazer o que me apetece cansa. E tudo o que vá contra os nossos princípios enquanto povo é de condenar. Ser livre é fazer as nossas próprias escolhas, é optar pelo sim ou pelo não, é poder falar ou ficar calado, é ter a possibilidade de dizer a verdade ou de ser Primeiro-ministro.

Mas todas estas opções confundem-nos. Deveria haver uma espécie de “Cartão Dominó” para a liberdade. Continuaríamos a escolher o que quiséssemos, mas dentro de certos limites. Quando era criança, tinha liberdade de atirar pedras aos patos. Sabia que, a seguir, levava logo uma chapada da minha mãe, mas eu atirava na mesma. Dava-me gozo. Não é como agora, em que se atiram medalhas e, em vez de se levar um valente par de estalos, recebe-se o prémio de melhor jogador. Eu tinha prazer em ultrapassar a linha. Hoje em dia não há linhas, não há barreiras… nem patos. Se correr mal, declara-se insolvência.

Há quem diga que a liberdade anda mais à esquerda. Outros à direita. Eu acho que é mais ao menos como o Moita Flores. Está em todo o lado, não faz é o que deveria fazer. Por falar em autarcas, não posso deixar de enviar um grande abraço a esses dois eternos amantes da liberdade que são Isaltino Morais e Avelino Ferreira Torres. Obrigado! Sem o vosso exemplo nunca teria compreendido a expressão “o preço da liberdade”.

Nós, os portugueses, somos livres. E cada vez mais. Basta ver o número de desempregados. Tenho para mim que muito do que é livre é potencialmente mau. Que o diga o Sócrates, com o Caso Free… port. Sinceramente, acho que, mais do que qualquer outra, deveríamos tomar a liberdade do Ambrósio, e pensar nisso.

Quinze

terça-feira, 14 de abril de 2009

Benfica e o Estado Novo

- Um excelente artigo do meu irmão que desmistifica a ligação que se faz entre o Benfica e o Estado Novo -

“O Benfica era o clube do regime!”. Frase esta que já todos ouvimos. Será mesmo que o Benfica era o “preferido” de Salazar? Será mesmo que era este clube patrocinado pelo Estado? Esta ideia correu de tal forma o país que se tornou numa verdade quase absoluta. E, por incrível que pareça, aparece hoje um sportinguista a repor a verdade dos factos.

Começando pelo início, o Benfica era um clube que muito jeito dava ao Estado Novo. Relembrando, este regime vigorou em Portugal entre 1926 e 1974, período que abrange as duas maiores vitórias deste clube lisboeta, a Taça dos Campeões Europeus, nas épocas de 60/61 e 61/62. Ora, todo o protagonismo que o Benfica tinha no panorama internacional nesta altura, bem como a presença do grande Eusébio no seu plantel, fez com que o regime se aproveitasse deste facto para reforçar a sua política ultramarina. Como diria o outro, foi precisamente aqui, que se criou esta suposta ligação, fazendo do Benfica o clube do Estado.

Nada mais errado, posso dizer. E há uma série de factos que o comprovam. O Benfica, num país em que não existia democracia, era conhecido pelas suas altamente concorridas e entusiásticas assembleias-gerais bem como pela eleição livre dos seus dirigentes, em que o povo (porque o Benfica, e bem, é conhecido como o clube do povo) podia expressar livremente as suas ideias e ambições. Mais posso dizer. Não querendo criar aqui um novo rumor, mais ligações podemos fazer ao FC Porto e ao Sporting CP com o Estado Novo do que com o SL Benfica. Vejamos que o antigo estádio das Antas foi inaugurado dia 28 de Maio de 1952 e o antigo campo do Sporting era conhecido como o Campo 28 de Maio, data esta que era comemorativa do golpe de estado que pôs fim à 1ª República e que deu origem ao Estado fascista. Este campo foi posteriormente ocupado pelo Benfica e renomeado Campo 5 de Outubro.

Outras importantes referências podem ser feitas a factos que refutam completamente qualquer ligação das Águias ao regime. O facto de bandeiras do Benfica terem sido usadas em vez das então proibidas bandeiras da antiga União Soviética em manifestações populares após a vitória dos aliados na II Guerra Mundial é um exemplo bastante elucidativo. O silenciamento do antigo hino do Benfica “Avante pelo Benfica!”, a proibição de usar a palavra “vermelhos” para fazer referência ao clube nos jornais ou até mesmo o facto de 64% dos campeonatos ganhos pelo Sporting terem sido ganhos com Salazar no poder, são factos que não podemos deixar passar.

Não sendo o meu objectivo dizer qual era, ou se havia, o clube preferido do Estado Novo, há mais duas situações que eu penso serem importantes. A primeira é o facto de o Benfica ter sido obrigado a jogar a final da Taça de Portugal em casa do seu adversário (Vit. Setúbal) apenas um dia após ter jogado a final da Taça dos Campeões Europeus em 1961. A segunda é uma situação que ocorreu na época de 1954/55 em que o Benfica, apesar de ter sido campeão nacional, não foi indicado para ir à Taça dos Campeões Europeus, tendo sido preterido em favor do Sporting, uma vez que esta era uma decisão das autoridades nacionais.

Independentemente de eu ser um fervoroso adepto leonino, sou ainda maior adepto da liberdade e da verdade. Parece-me inquestionável agora que o Benfica não só não era o “Clube do Regime”, como era um clube que lutava contra o regime e é injusto que se pense o contrário num país em que tanto se lutou pela Liberdade.


Pedro Pereira
Quinze

sábado, 21 de março de 2009

DOR CRÓNICA
Racismo

Eu sou racista. Admito! Não gosto de cobras. Nem de moscas. Muito menos de pombos! Nunca gostei. Cheguei a ir muitas vezes com a minha mãe para o Rossio dar-lhes comida, mas sempre pensei que o milho estivesse envenenado. Por isso é que ia tantas vezes para lá. E as correrias que fazia atrás deles, com as pontas dos pés a fazerem mira ao raio dos bichos... Hoje já não faço isso. Agora, como quem não quer a coisa, ou mando-lhes uma chapelada ou esmigalhaço-os sentado ao volante.

Em relação a estes animais faço prevalecer a “raça humana”. Neste caso, sou racista. Agora, conotar seres humanos como pertencentes a uma ou outra raça é algo de tão retrógrado e animal que nem entre esses seria admitido. Logo, o conceito de racismo não é o mais correcto. A não ser para aqueles que se acham superiores só pelo tom de pele ou pela origem. Certamente serão superiores, mas em estupidez.

Infelizmente, ainda hoje em dia assistimos a muitos casos de “racismo”, a maior parte das vezes camuflado. Ao balcão, somos todos sorrisos, mas mal viramos costas, franzimos as sobrancelhas e rosnamos entre dentes. “Cabrão do preto…” ou “Vai para a tua terra” são das expressões mais desumanas e cruéis ditas nas mesas de café ou nas ruas do nosso (orgulhosamente só) Portugal.

Estes seres vêem o mundo a preto-e-branco e comunicam através de grunhidos. Normalmente vivem em cavernas, andam sempre em grupo e são conhecidos pela ausência de cérebro. Como exemplo, entre eles nunca poderia haver um Descartes. Porque só comprovam uma parte da sua máxima, a de existir (infelizmente).

Mas talvez faça sentido ser “racista”. Até porque essas pessoas, da forma como “pensam” (com muitas aspas), só podem pertencer a uma espécie defeituosa.

terça-feira, 17 de março de 2009

Nietzsche e o Nazismo (3/3)

Hitler aproveitou-se, claramente, da obra de Nietzsche para cimentar e suportar o seu Ideal Nazi. Recolheu as informações que necessitava e usou-as conforme lhe convinha. Neste processo, contou com a preciosa ajuda de Elizabeth Foster, irmã de Nietzsche, defensora convicta dos ideais nazi-fascistas.

Elizabeth, ao assegurar a difusão do Pensamento de Nietzsche através da criação do Nietzsche-Archiv, em Weimar, acabou por transformar o seu irmão no que ele tão intransigentemente combateu. Com a subida de Hitler ao poder, em 1933, a colaboração entre o Nietzsche-Archiv e o programa cultural do Partido Nacional-Socialista intensifica-se. A obra é apresentada ao público como prenúncio filosófico do pangermanismo e do anti-semitismo, abrindo caminho para aquilo que seria uma espécie de destino de grandeza do povo alemão.

Conta-se que Elizabeth, numa visita que fez a Hitler, lhe entregou a bengala de Nietzsche, como símbolo de passagem de testemunho. Também em 1933, por ocasião dos seus 50 anos, Benito Mussolini recebeu da direcção do Nietzsche-Archiv o seguinte telegrama: "Ao magnífico discípulo de Zaratustra, sonhado por Nietzsche; ao genial restaurador dos valores aristocráticos, no espírito de Nietzsche, envia o Nietzsche-Archiv, em profundíssima veneração e admiração, os mais fervorosos votos de felicidades".

Pelo carácter não-sistemático da obra de Nietzsche, pode ver-se o que se quiser em inúmeros circunstâncias. Porém, tomando-se a obra como um todo, as acusações de alicerce do Nazismo mostram-se totalmente absurdas, porque o que se revela é uma filosofia em luta contra qualquer forma de absoluto. Sem este conceito, não há espaço para religiões ou sistemas totalitários.
André Pereira

sábado, 14 de março de 2009

Nietzsche e o Nazismo (2/3)

Quanto à raça ariana, Hitler considerava-a como uma raça superior que deveria reerguer os valores nórdicos e palacianos perdidos na Antiguidade. Aqui, nota-se alguma semelhança com Nietzsche, que elevou, em algumas obras, o espírito guerreiro e aristocrático de alguns povos pagãos europeus da Antiguidade, como os Gregos, os Romanos e os Vikings. As suas proezas históricas reflectiam uma vontade de superação do aspecto problemático da própria existência, valor inexistente no ocidente moderno consequente de séculos de predomínio do Cristianismo e da crença em ideais transcendentes. Apesar de tudo, o filósofo alemão nunca defende a soberania de qualquer um destes povos, ao contrário de Hitler. O racismo biológico alemão era bem diferente do “novo homem” proposto por Nietzsche.

Para entender este “novo homem” é necessário uma breve abordagem a uma das suas teorias, a do “Super-homem”. Nietzsche entende que, com a emergência da época moderna, os valores baseados na moral cristã e na tradição metafísica começam a ruir. Simbolicamente, Nietzsche diz que “Deus está morto!”, eliminando, desta forma, todos os valores considerados como absolutos. Com a ausência de valores, o mundo e a própria existência deixam de fazer sentido. A solução, frente a este Niilismo decorrente da “morte de Deus”, é a criação de novos valores. Esses valores não são mais baseados na transcendência, mas sim na terra e na própria vida, mesmo sabendo que há dor e sofrimento – amor à fatalidade (amor fati). E aqui surge o conceito de Super-homem (Übermensch), uma doutrina de superação do próprio homem. Apenas um Super-homem poderia aceitar a vida tal como ela é e, ainda assim, desejar que ela se repita infinitas vezes.

Esta ideia de um Super-homem foi aproveitada por Hitler, porém, de forma completamente deformada, uma vez que o Super-homem nietzschiano não procura uma superação social mas sim uma superação do pensamento e da ética, o oposto defendido pelo ditador austríaco, que dizia estar a “acelerar o inevitável”.

Em relação ao transcendente, Nietzsche e Hitler diferem em larga escala. Nietzsche apoia-se mais na intelectualidade e razão humanas, opondo-se à Moralidade e à Religião. Por seu lado, Hitler era muito supersticioso e fomentava o culto do divino.

É um erro dizer que Hitler era cristão ou nietzschiano. A verdade é que tinha um desejo político baseado no extermínio dos judeus. Para levar a cabo os seus objectivos, procurou, em várias fontes, argumentos que o favorecessem. Uma dessas fontes foi a Filosofia de Nietzsche, especificamente a obra “Assim Falava Zaratustra”, que Hitler mandava distribuir aos soldados alemães nas frentes de batalha.


(continua)

André Pereira

quinta-feira, 12 de março de 2009

Nietzsche e o Nazismo (1/3)

A obra de Friedrich Nietzsche tem sido alvo de inúmeras críticas que a apontam como pedra basilar do Nazismo. Nada mais enganador. Através deste texto, pretendo desmistificar essa ligação estreita que muitos fazem entre o Pensamento de Nietzsche e os Ideais Nazis. É óbvio que, como acontece com grande parte das teorias, podem-se sempre criar relações e encontrar justificações para o que se pretende. A obra de Nietzsche é, toda ela, construída em metáforas e aforismos. A complexidade da sua interpretação já é tal que, colocada fora de contexto, pode ser sujeita a interpretações erradas. Assim o fez Adolf Hitler.

Comecemos pela política. Esta, com certeza, não era uma das principais preocupações de Nietzsche. Apesar de se opor ao Absolutismo, também não era partidário da Democracia, uma vez que entendia que o poder deveria pertencer a um pequeno grupo de indivíduos, os verdadeiros nobres, capazes de exercer a vontade de potência.

No que respeita aos Judeus, Nietzsche, na sua obra “Humano, Demasiado Humano”, faz algumas referências a este povo: “Diga-se de passagem que o problema dos judeus existe apenas no interior dos Estados nacionais, na medida em que neles a sua energia e superior inteligência, o seu capital de espírito e de vontade, acumulado de geração em geração em prolongada escala de sofrimento, devem preponderar numa escala que desperta inveja e ódio, de modo que, em quase todas as nações de hoje – e tanto mais quanto mais nacionalista é a pose que adoptam –, aumenta a grosseria literária de conduzir os judeus ao matadouro, como bodes expiatórios de todos os males públicos e particulares. Um povo que, não sem a culpa de todos nós, teve a mais sofrida história entre todos os povos, e ao qual devemos o mais nobre dos homens (Cristo), o mais puro dos sábios (Spinoza), o mais poderoso dos livros e a lei moral mais eficaz do mundo. E além disso: nos tempos mais sombrios da Idade Média, quando as nuvens asiáticas pesavam sobre a Europa, foram os livres pensadores, eruditos e médicos judeus que, nas mais duras condições pessoais, mantiveram firme a bandeira das Luzes e da independência intelectual, defendendo a Europa contra a Ásia.” Através deste excerto, podemos admitir que Nietzsche e Hitler olhavam os judeus de forma bastante diferente. Hitler considerava os judeus como “retrógrados, parasitas da humanidade, abomináveis e mestres da mentira”, como descreveu na sua obra “Mein Kampf” (“Minha Luta”).


(continua)
André Pereira
Quinze

sábado, 14 de fevereiro de 2009

DOR CRÓNICA
Amor


Hoje comemora-se o Dia dos Namorados e o Dia Nacional do Doente Coronário. Pode ser coincidência, mas eu acho que foi uma escolha muito bem pensada. (Sim, porque há um senhor algures numa catacumba que escolhe a que dias correspondem o quê – dia da árvore, do museu, das fotocópias e até do amor). Esta coincidência só demonstra que “o amor é uma doença”. E sim, “nele julgamos ver a nossa cura”. Pena não poder ser tratada com xanax e aspegic.

Este é o dia para os beijinhos e abraços de uns e para os Jack Daniels e cigarros de outros. Se há quem aproveite para passear com a sua cara metade, há também quem tire o dia para destruir a sua metade da cara. Pelo menos a de dentro. Porque, quem vê caras não vê corações. E quem vê corações não vê caras, é a talvez a única explicação para que a Manuela Moura Guedes seja casada.

O amor não pede licença para entrar. Entra e pronto. Mesmo que a porta esteja fechada à chave. No amor, passa-se o mesmo que se passa no caso Freeport. Todos são culpados, mesmo não havendo provas. Escolhe-se um alvo, manda-se uma carta anónima e acusa-se a pessoa de ter entrado no nosso coração e que agora não a conseguimos tirar daqui, e a culpa é dela, não deveria ter feito isso, amo-te, dói e nunca mais te quero ver, és má!

O amor é rápido, inconsciente e traumático. É tal e qual uma nódoa negra. Quanto mais carregarmos mais dói, mas dá um prazer do caraças e uma enorme sensação de alívio. Mas continua a doer no coração. Mas porquê no coração? Não se pode sentir amor com o rim, ou com o fígado? Tinha muito mais piada enviar uma caixinha de chocolates em forma de intestino, por exemplo. E até faria mais sentido. Tal como o amor, também dá muitas voltas, é maior do que o nosso próprio tamanho e tem o mesmo fim...

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

DOR CRÓNICA
Estatutos*

Gostava de iniciar esta crónica com uma mensagem de Ano Novo, mas não estou muito a par do estatuto dos Açores… Por outro lado, tenho um conhecimento bastante aprofundado do estatuto da Madeira. Mas não sei se será correcto iniciar o ano a falar de regimes autocráticos.

Por falar em autoridade, ou na falta dela, outro estatuto que tem estado na agenda mediática é o da carreira docente. O Governo diz uma coisa, os professores outra. Eu resolveria da mesma forma que resolvia as equações de Matemática: ia ao final do livro ver as soluções.

Mas acho que nós, em Portugal, não temos muito jeito para ver soluções. Nem sequer para as imaginar. Acordamos com um "bom dia" que termina sempre em "se deus quiser", vamos para o trabalho com um "lá tem que ser" e chegamos a casa com um "isto está cada vez pior". Até pode estar, mas das duas uma: ou confiamos em deus, ou melhoramos. Com isto não estou a dizer que não devamos confiar em deus, mas depositar as nossas esperanças em alguém que nasceu há pouco mais de três semanas é uma atitude quase tão inteligente como pagar um bilhete para ir ver o União de Leiria. E a comparação até é adequada, uma vez que são duas entidades cuja existência é duvidosa.

Resumimos a nossa maneira de viver às batinas e aos horóscopos da Maya, atirando a responsabilidade para outro. Nunca temos culpa de nada, e tudo vai acontecendo por obra e graça do Espírito Santo. E não me estou a referir ao Banco, que em entidades dessas já deixámos de acreditar.

E acreditar é o que Santana Lopes não deixa de fazer. Ele mesmo usufrui da chamada "existência Duracell", "existe, existe, existe...". Ou melhor "insiste, insiste, insiste"... É esse o seu estatuto, o de existir, e insistir, para além de qualquer súplica dos portugueses.

Assim começa um novo ano com coisas tão novas e originais como crise, greves e Santana... Olhem, seja o que deus quiser, não é?

*Director's Cut

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

DOR CRÓNICA

LOL*

Hoje começo o texto a rir. Não porque tenha visto um jogo da Selecção ou porque tenha ouvido uma anedota do Donaltim. Aliás, o único ponto comum destes dois exemplos é o de provocarem exactamente a reacção contrária ao riso. E eu não quero isso, pelo menos hoje, que decidi escrever sobre essa tão bonita e esplendorosa palavra lusitana que é o LOL.

Só a sua sonoridade nos leva a fazer aquele som ridículo com a boca tapando-a logo de seguida, enquanto espreitamos pelo canto do olho o alvo do nosso gozo. A própria palavra LOL é difícil de dizer, faz-nos enrolar a língua e expulsar qualquer coisa que tenhamos presa ao céu-da-boca. Mas também para nós portugueses sempre foi difícil transmitir qualquer riso.

Somos umas pessoas tristes. Gostamos de saber que estamos na cauda da Europa, olhamos o chão como se o estivéssemos a decorar para um exame, maldizemos tudo e mais alguma coisa e nunca tiramos a mão do queixo. A não ser quando recebemos uma mensagem! Não somos capazes de sair do sofá para ir dar uma corrida, mas fartamo-nos de fazer exercício todos os dias com os nossos dedos. Todos os dias, todas as horas, todos os minutos! Não digo segundos porque é uma palavra a que não estamos muito habituados. A não ser que só haja duas equipas ou dois países ou duas economias.

Com três letrinhas apenas se escreve a palavra LOL. Também se escreve a palavra MÃE, é verdade, mas eu tenho para mim que quando deus inventou esta bonita frase (sim, eu acredito em frases), escolheu a palavra LOL em vez de MÃE, até porque nunca teve nenhuma.

Virando-me agora para a realidade, acho que, mais tarde ou mais cedo, vamos deixar de falar, de rir, de chorar ou até de cantar para o fazermos só com as pontas dos dedos. Se bem que não seria mau de todo. Há duetos de Natal que preferia conhecer apenas por mensagem.

De qualquer das formas, tenho que admitir que LOL é a única palavra de três letras que me faz rir. Ah, e PSD...


* abreviatura da expressão Laughing Out Loud que, na língua de Shakespeare (o Camões inglês com dois olhos), significa “rindo a bandeiras despregadas”


Quinze

terça-feira, 25 de novembro de 2008

DOR CRÓNICA

Crise

Como primeiro artigo de opinião no jornal "Quinze", nada melhor do que falar de algo que temos sempre na ponta da língua. E não me refiro a aftas. E muito menos a... isso. Falo de crise.

Financeira, económica, política, social. Vivemos assim. Basta escrevinhar qualquer coisa que essa mesma coisa entra logo em crise. É um facto, e não é de hoje. Pelo menos por cá. Perguntem aos vossos avós. "A coisa nunca esteve tão má como agora". O problema é que o "agora" a que se referem é um "agora" que sempre existiu, é um "sempre". São os políticos que não trabalham, o Benfica que não joga nada, a Júlia Pinheiro que fala muito alto, os salários que não sobem, o Mário Nogueira que não corta o bigode. Enfim... coisas que atormentam a vida de qualquer um.

Portugal é um país conhecido não pelos Descobrimentos ou pela Literatura. Já nem os galos de Barcelos dão imagem ao nosso país. Nem o de Ronaldo. O nosso logótipo (qual esfera armilar) deveria ser um saco roto, ou um euro de pés descalços, vá... E digo "logótipo" porque nós funcionamos como uma empresa. Não como uma empresa reputada, mas sim como um BPN, por exemplo. Creditamos as nossas esperanças, compramos acções e nicles. E esse é o nosso principal problema, compramos aquilo que deveríamos fazer, creditamos o que não nos deveria ser urgente. Dá muito trabalho pensar e agir por ímpeto próprio, é muito mais fácil comprar, juntar na carteira todos os talõezinhos e comer um pão-de-leite misto aquecido só um bocadinho, se faz favor. Ah, e um copo de leite morno.

Não há pachorra! Nem dinheiro. Mas a culpa é nossa. Vivemos à sombra de golpes de espada, de taças que levantámos nos anos 60, de textos que pensámos e não sentimos (ou sentimos e não pensámos?) e, acima de tudo, vivemos à sombra do futuro que vamos com toda a certeza conquistar! (A sério, desta é de vez. Deixem-me só arrumar o que o anterior inquilino desarrumou e depois entramos em crescimento).

E assim encaramos mais um ciclo. Porque a vida é feita em espiral. Sempre que damos um passo atrás é para tomar balanço para saltarmos. Pena é que erremos sempre na direcção. Mesmo que seja assistida.


Quinze
Imagem: DR

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Entrevista a Pedro Tochas

“Andar pelo mundo de mochila às costas é romântico”
Pedro Tochas é um comediante bastante versátil. Desde o stand-up comedy até ao teatro de rua, Tochas destaca-se pela sua capacidade de improviso. O Quinze chegou à conversa com o artista que gosta de ser palhaço. Tem actuação marcada no Teatro José Lúcio da Silva, no próximo dia 6 de Novembro (quinta-feira). Ao palco levará o espectáculo “Já tenho idade para ter juízo”.

Como nasceu o gosto pela comédia?
É difícil apontar um dia em específico, mas as coisas tornaram-se mais claras para mim quando tinha dezanove anos. Estava numa festa de Natal e havia palhaços e música. Para alegrar ainda mais o ambiente, decidi fazer algumas brincadeiras e uns malabarismos. As pessoas gostaram e eu não mais parei. Fiz festas para os amigos, para as crianças, nas feiras e, com o tempo, fui adquirindo a minha independência nesta área. Mais tarde, fui estudar teatro para Inglaterra, deixando para trás o curso de Engenharia Química que estava a tirar em Coimbra.

Como é actuar na rua?
É bastante diferente de actuar num teatro ou numa sala, por exemplo. A interacção com o público é muito maior e, no meu caso, sinto-me muito mais “artista” desta forma. Eu escolho uma rua, de preferência com algum movimento, e faço o meu papel. Passear pelo mundo de mochila às costas é espectacular e romântico.

Por onde já andaste?
Já actuei em dezassete países, incluindo Austrália, Nova Zelândia, Singapura, Estados Unidos, Escócia, Inglaterra e Suécia. Porém, o meu sonho é actuar no Japão.

Qual foi o espectáculo mais marcante?
Foi, sem dúvida, na Escócia. Todos os anos, em Edimburgo, se realiza o maior (e, na minha opinião, o melhor) espectáculo do mundo de artistas de rua. Actualmente, são 800 os espectáculos diários. Na primeira vez, estava a fazer interrail e, chegado à estação de Edimburgo, deparei-me com um grandioso espectáculo. “Um dia hei-de actuar aqui”, pensei. Passados alguns anos, aconteceu.

De todos os locais onde actuaste, terás certamente bastantes histórias para contar…
Sim, lembro-me de, na Nova Zelândia, quando terminei o meu espectáculo, um miúdo de cinco anos ter vindo ter comigo: “You are a cool clown!”. Fiquei sem palavras. Foi um dos maiores elogios que recebi, ainda para mais vindo de uma criança.

Ouves muitas críticas?
Eu trabalho para o público. Se as pessoas não gostam, não trabalho para ninguém. Reconheço que o meu trabalho suscita amor/ódio, mas eu gosto disso porque odeio indiferença. Admito que as pessoas possam não gostar do espectáculo, mas podem ter a certeza de que eu dou sempre o meu melhor.

Normalmente tem-se a ideia de que os comediantes são pessoas muito tristes… Isso é verdade?
Comigo é claramente mentira. Sou tão alegre no palco como o sou fora dele. A diferença é que o ritmo que coloco em cada actuação é alucinante. E, como é óbvio, não transporto essa energia para o meu dia-a-dia. Acho que, se o fizesse, não aguentaria muito tempo.

Como é o teu processo de criação?
Como criador, dá-me gozo fazer coisas diferentes, mas é um processo bastante doloroso. Preciso de ter um deadline, para sentir pressão.

O que te faz rir?
A vida, as pequenas coisas… Tento ver o mundo de um ponto de vista positivo. Hoje ainda nada me fez rir. Mas ajudei um senhor a comprar o bilhete do metro. Ele ficou contente e eu também. Não é só o rir, mas também o sorrir.

E o que te faz chorar?
Não há nada que me faça chorar, mas fico triste com muitas situações… O momento que o nosso país atravessa não é de muitas alegrias, por exemplo. Quando alguém me questiona sobre Portugal eu respondo que é um bom sítio se não tiveres problemas de saúde ou problemas legais. É necessário que o sistema legal funcione com maior rapidez. A justiça em Portugal é muito lenta.
Gostavas de fazer papéis dramáticos?
Penso que seria uma experiência curiosa. Se bem que optaria por fazer papéis mais ligeiros, em séries ou cinema. Já o teatro não é algo que esteja dentro dos meus planos.

Já tens um longo percurso profissional, mas tornaste-te “conhecido do público” com os anúncios da Frize…
Sim, foi um anúncio marcante para mim. Mas há pessoas que avaliam o meu trabalho apenas por essa “gota de água” no mar que é todas as outras coisas que faço.

No “Programa da Maria”, tinhas o teu quarto a preto e branco. Terminado o programa, gradualmente deixaste a televisão. Foste à procura de cor?
Não (risos), eu sempre tive cor. Mas encaro a televisão como um meio para passar o meu trabalho e não como um fim.

Quem são os teus ídolos?
Em Portugal, sem dúvida, o Herman José e o Raul Solnado. A nível internacional, venero Charlie Chaplin, Daniel Keaton e Dave Gorman, entre muitos outros.

No próximo dia 6 de Novembro vais actuar no Teatro José Lúcio da Silva (TJLS), levando a palco o espectáculo “Já tenho idade para ter juízo”. Esse título reflecte mesmo o que sentes?
Muita gente me faz essa pergunta, mas na verdade não sei responder. Para quem anda pelo mundo inteiro de mochila às costas a pedir esmola… (risos). Em relação ao espectáculo, espero que as pessoas vão de espírito aberto e ouçam a minha mensagem. Este é o espectáculo mais positivo que já escrevi em toda a minha vida e vou entregar-me de corpo e alma. Só espero levar mais gente ao TJLS do que o futebol leva ao estádio.

Sendo de Avelar (Ansião), sentes algo de especial ao actuares em Leiria?
Sim, será uma actuação perto de casa. Gosto das pessoas de Leiria e tenho uma boa relação com o Académico, que já me contratou para alguns eventos.

Quem é o Pedro Tochas?
É um artista de rua comediante performer, por esta ordem. Artista de rua sempre em primeiro lugar, uma vez que actuar na rua é a melhor sensação do mundo. Adoro o que faço e tenciono fazer isto até aguentar. Trabalhando, não trabalho. O meu hobbie e a minha profissão são a mesma coisa.

Que conselho podes dar aos jovens que te vêem como ídolo?
Se descobrirem alguma coisa que vos dá prazer e satisfação pessoal, agarrem-na e não deixem que ninguém nem nada se meta à frente. Acreditem em vocês! Falo em qualquer área. Se gostam do processo e do fim, óptimo. Se optam apenas pelo fim, talvez não valha a pena.