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segunda-feira, 15 de junho de 2009

Almada Negreiros

É vergonhoso e desumano da minha parte publicar, no mesmo dia, dois posts sobre figuras tão antagónicas como são Almada Negreiros e... e... coiso... (Carlos Castro). Sinto-me mal por tê-lo feito, mas as circunstâncias da vida assim o ditaram.

Nascido em 7 de Abril de 1893, Almada Negreiros faleceu no dia 15 de Junho de 1917. Para comemorar esta data, transcrevo um dos mais belos poemas deste génio da nossa literatura.

Canção da Saudade

Se eu fosse cego amava toda a gente.


Não é por ti que dormes em meus braços que sinto amor. Eu amo a minha irmã gémea que nasceu sem vida, e amo-a a fantaziá-la viva na minha idade.


Tu, meu amor, que nome é o teu? Dize onde vives, dize onde moras, dize se vives ou se já nasceste.


Eu amo aquela mão branca dependurada da amurada da galé que partia em busca de outras galés perdidas em mares longíssimos.


Eu amo um sorriso que julgo ter visto em luz do fim-do-dia por entre as gentes apressadas.


Eu amo aquelas mulheres formosas que indiferentes passaram a meu lado e nunca mais os meus olhos pararam nelas.


Eu amo os cemitérios — as lagens são espessas vidraças transparentes, e eu vejo deitadas em leitos floridos virgens nuas, mulheres belas rindo-se para mim.


Eu amo a noite, porque na luz fugida as silhuetas indecisas das mulheres são como as silhuetas indecisas das mulheres que vivem em meus sonhos. Eu amo a Lua do lado que eu nunca vi.


Se eu fosse cego amava toda a gente.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

O Firme Soldado de Chumbo

Era uma vez vinte e cinco soldados de chumbo, todos irmãos, porque tinham sido todos feitos da mesma colher de cozinha. Tinham armas aos ombros e olhavam em frente, muito elegantes nos seus uniformes encarnados e azuis. — Soldados de chumbo! — foi a primeira coisa que ouviram neste mundo, quando levantaram a tampa da caixa onde estavam. Um rapazinho tinha dado esse grito e batido as palmas; tinham-lhos dado como prenda de anos, e ele colocou-os em cima de uma mesa. Os soldados eram todos iguais uns aos outros — excepto um, que só tinha uma perna; fora o último a ser moldado e já não havia chumbo que chegasse. No entanto, mantinha-se de pé tão bem como os outros que tinham duas pernas, e é ele o herói desta história.

Hans Christian Andersen
(2 Abril 1805 - 4 Agosto 1875)

Conto completo aqui

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Done!

O futuro é negro...

PS- E ainda bem!!!

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Uma estranha metamorfose

Franz Kafka
(3 de Julho 1883 – 3 de Junho 1924)

“Se fosse vivo, faria hoje 125 anos”. É uma expressão muito utilizada, mas que, neste caso, transporta um selo de impossibilidade e surrealismo. Aliás, dois substantivos perfeitamente adaptáveis à obra de Kafka, um dos mais importantes escritores/pensadores do século XIX/XX. “A Metamorfose”, “O Castelo”, “O Processo” são obras de leitura obrigatória.

Jim Morrison
(8 de Dezembro 1943 – 3 de Julho 1971)

Jim Morrison é encontrado morto na banheira de casa. O Lagarto andou por aí a cantar aos amores, ao álcool e às drogas e acabou como se esperava, alegadamente vítima de uma overdose. Líder de uma das bandas mais influentes do século XX, “The Doors”, Jim Morrison não era apenas um rebelde em cima do palco, mas também perante os papéis em branco, onde escrevinhava letras que ficariam para sempre na memória futura. Era, sem dúvida, uma pessoa bizarra, diferente. “People are strange” (and so were you).

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Vénia!

O senhor Jorge Palma comemora hoje 58 anos de vida. Não parece, é um facto. É caso para dizer que o álcool conserva.

"És a minha maçã de Junho, és o teu corpo e o meu
Amo-te mais que à vida, que a vida sem ti morreu."

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Divagações por aí

O arquipélago da Madeira está em altas (não tão em altas como a ilha do Pico, atenção!).

- A Vânia Fernandes conseguiu levar a música portuguesa à final do Festival da Eurovisão. Uau! Uma final em que, ao contrário de todas as outras finais – em que há um vencedor e um vencido – houve um vitorioso e mais de uma dezena de derrotados. Digo mais de uma dezena porque a nossa excelente canção alcançou o tão estrondoso e sublime 13ºlugar!

- O Cristiano Ronaldo ergueu a taça europeia de clubes e ainda vê nos tabloides nacionais referências à loucura ninfomaníaca da sua namorada.

- O Alberto João fez qualquer coisa da qual também se deve orgulhar (só falei dele agora porque está na foto e tem de haver um certo raccord).

Tudo parece que corre bem lá para o conjunto de ilhas situado algures no Oceano Atlântico. Só há um pequeno problema: eu não saber por que razão me lembrei de escrever este post. Há quem diga que o esquecimento é o suicídio da alma, mas também há muito boa gente que se esquece onde deixou as chaves do carro. Depois, há ainda aqueles que, de barriga cheia, dizem que “o humor surge da transformação repentina de uma grande expectativa para o nada”. E vocês perguntam: “Queres a tosta mista com queijo e fiambre?”. Uma pergunta que, para além de ser estúpida, não tem nada a ver com o que disse anteriormente. E, para os mais curiosos, sim foi Kant.


Foto: Ricardo Almeida (sim, conseguiu tirar a foto e o Sô Presidente não o insultou)

domingo, 20 de abril de 2008

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Hitler nomeado Chanceler

A 30 de Janeiro de 1933, Adolf Hitler prestou juramento oficial como Chanceler na Câmara do Reichstag, perante o aplauso de milhares de apoiantes Nazis.

O Presidente Hindenburg nomeou Hitler Chanceler numa designação legal, o que foi uma ironia da história, uma vez que os partidos do centro tinham apoiado o presidente Hindenburg por ele ser a única alternativa viável a Hitler, não prevendo que seria ele a trazer o fim da República.

Mas nem o próprio Hitler nem o seu partido obtiveram alguma vez uma maioria absoluta. Nas últimas eleições livres, os Nazis obtiveram 33% dos votos, ganhando 196 lugares em 584. Mesmo nas eleições de Março de 1933, que tiveram lugar após o terror e violência terem varrido o Estado, os Nazis obtiveram 44% dos votos. O partido ganhou controlo de uma maioria de lugares no Reichstag através de uma coligação formal com o DNVP. No fim, os votos adicionais necessários para aprovar a lei de aprovação do governo, que deu a Hitler a autoridade ditatorial, foram assegurados pelos Nazis pela expulsão de deputados Comunistas e intimidando ministros dos partidos do centro. Numa série de decretos que se seguiram pouco depois, outros partidos foram suprimidos e toda a oposição foi proibida. Em poucos meses, Hitler tinha adquirido o controlo autoritário do país e enterrou definitivamente os últimos vestígios de democracia.

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Miaaaaaaaaaaaaauuuuuu

Ah e tal... Venho lá de baixo dizem-me que não sei quê, chego cá acima já me dizem que não! Mas que é isto?! Sem muitas palavras para descrever este dia... "estranho".

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Liga de Cavalheiros

Mais uma excelente noite na Travessa da Fábrica dos Pentes. Desta vez, o nosso mentor foi o grande, o irreverente, o único… Filipe Homem Fonseca! Foram algumas horas de extrema alegria e contagiante galhofa. Obrigado Filipe, por teres pegado na minha história e teres colocado um burro a falar. Eheh Tudo depois de um certo indivíduo ter tido um Acidente Vascular Cómico, passado por um hospital com um fisioterapeuta musculosamente gay e ter batido com a cabeça numa pedra, in the middle of nowhere.

Já agora… vai uma massagem com extra?

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

15 Outubro 1844 – 25 Agosto 1900

Lei contra o Cristianismo

Datada do dia da Salvação: primeiro dia do ano Um (em 30 de Setembro de 1888, pelo falso calendário).

Guerra de morte contra o vício: o vício é o Cristianismo.

Artigo Primeiro – Qualquer espécie de antinatureza é vício. O tipo de homem mais vicioso é o padre: ele ensina a antinatureza. Contra o padre não há razões: há cadeia.

Artigo Segundo – Qualquer tipo de colaboração a um ofício divino é um atentado contra a moral pública. Seremos mais ríspidos com protestantes do que com católicos, e mais ríspidos com os protestantes liberais do que com os ortodoxos. Quanto mais próximo se está da ciência, maior o crime de ser cristão. Consequentemente, o maior dos criminosos é filósofo.

Artigo Terceiro – O local amaldiçoado onde o Cristianismo chocou seus ovos de basilisco deve ser demolido e transformado no lugar mais infame da Terra, constituirá motivo de pavor para a posteridade. Lá devem ser criadas cobras venenosas.

Artigo Quarto – Pregar a castidade é uma incitação pública à antinatureza. Qualquer desprezo à vida sexual, qualquer tentativa de maculá-la através do conceito de “impureza” é o maior pecado contra o Espírito Santo da Vida.

Artigo Quinto – Comer na mesma mesa que um padre é proibido: quem o fizer será excomungado da sociedade honesta. O padre é o nosso chandala – ele será proscrito, deixá-lo-emos morrer de fome, jogá-lo-emos em qualquer espécie de deserto.

Artigo Sexto – A história “sagrada” será chamada pelo nome que merece: história maldita; as palavras “Deus”, “salvador”, “redentor”, “santo” serão usadas como insultos, como alcunhas para criminosos.

Artigo Sétimo – O resto nasce a partir daqui.

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

PAAAMMMMM

Ladies and Gentlemen, girls and boys, please welcome… Nuno Markl! Clap clap clap

Durante quatro aulas, o
Markl foi o mentor de um grupo de treze pessoas que têm em comum o facto de quererem fazer humor. O nosso google da comédia disparou sabedoria em todas as direcções, deixando-nos boquiabertos. Para além disso, ainda possui uma mala sem fundo que tem lá dentro todas as séries realizadas nos últimos 3.000 anos. Foi uma honra absorver os ensinamentos deste verdadeiro senhor. E este grupo é fantástico, estou a adorar esta workshop!

Ah, e para acabar.... PAAAAAAMMMM!

Doris Lessing vence Prémio Nobel da Literatura

Contra todas as previsões, Doris Lessing foi ontem distinguida com o Prémio Nobel da Literatura. A relativa surpresa com que o anúncio foi acolhido nada tem que ver com os méritos literários de uma autora que, prestes a completar 88 anos, já conquistou quase todos os mais importantes prémios literários - falta-lhe o Booker, para o qual foi nomeada três vezes -, mas apenas pelo facto de, na lista de principais favoritos, não constar o seu nome em evidência (o italiano Claudio Magris dominava os prognósticos das casas de apostas).

"Narradora épica da experiência feminina, que com cepticismo, ardor e uma força visionária perscruta uma civilização dividida", como justificou a Academia Sueca em comunicado, a romancista britânica é autora de uma obra cujo tom pessoalíssimo - a elegância da linguagem é uma marca dos seus livros - se alia a um combate de causas ideológicas (do feminismo aos direitos humanos) para criar uma obra que ao longo dos anos conquistou um número apreciável de leitores fiéis.

"A boa terrorista", "A erva canta" , "O quinto filho" ou "A revoltada" são apenas alguns dos títulos mais notórios de uma obra que reúne mais de 50 títulos de poesia, entre romances, poesia, ensaios, autobiografias, contos e ficção-científica.

O inconformismo discreto da multifacetada autora, nascida no actual Irão, não a impediu de assumir ao longo dos anos posições firmes que visavam colocar em xeque a corrupção latente em vários governos africanos ou a permanente subjugação da mulher às mãos de uma sociedade castradora. Mas o sentido de justiça assumiu também outras formas Lessing era já uma escritora renomada quando resolveu enviar, sob pseudónimo, um escrito inédito para uma editora. O texto acabaria por ser recusado, o que levou a escritora a assumir uma posição pública favorável aos jovens escritores, denunciando a podridão do meio literário.

Quando a Academia Sueca divulgou a sua decisão - "uma das mais meditadas que tomámos até agora", anunciou o director da instituição, Horace Engdahl -, Doris Lessing encontrava-se em Londres a fazer compras e só tomou conhecimento formal do anúncio quando se deparou com a agitação invulgar em frente à sua residência. "Nos últimos 30 anos ganhei todos os prémios. É um verdadeiro 'royal flush'", afirmou, satisfeita, aos jornalistas que durante duas horas esperaram pela sua chegada.

Dispersa por várias casas editoriais portuguesas, das Publicações Europa-América à Cotovia, a obra de Doris Lessing deverá agora ser agora alvo de uma atenção superior, já que vários da dezena e meia de livros publicados entre nós se encontram esgotados há muito. No dia 19 chega às livrarias, através da Presença, uma das mais recentes novelas da autora, "O sonho mais doce", publicado em 2001. Ainda sem data definida de publicação encontram-se "The golden notebook", porventura o seu título mais conhecido, e "The cleft", o último romance que assinou.


in Jornal de Notícias

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Hell Pizza obrigada a retirar Hitler de outdoors

A Hell Pizza foi obrigada a retirar dos outdoors, na Nova Zelândia, uma peça da nova campanha publicitária que mostrava Adolf Hitler com uma fatia de pizza na mão, enquanto fazia a saudação nazi.

A campanha criada pela agência Cinderella utiliza personagens históricas para promover os produtos da rede de pizzarias mas a comunidade judaica considerou ofensiva a utilização do ditador nazi associada ao slogan "É possível fazer as pessoas acreditar que o paraíso é o inferno (Hell)".

A notícia da Folha Online, citada pelo Clube de Criativos de São Paulo, refere ainda que Hitler foi substituído pela figura do Papa Bento XVI, no sul da Nova Zelândia, com o slogan "O inferno (Hell) é autêntico e eterno".

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Está bem, não insistas mais... eu vou!

Parabéns minha querida Beyoncé! Então fica combinado... Levo o champanhe e o creme para as massagens. Até logo, no mesmo local de sempre.

sábado, 1 de setembro de 2007

Hitler invade a Polónia

A invasão da Polónia pelas tropas de Hitler marcou o início da Segunda Guerra Mundial, na madrugada de 1º de Setembro de 1939.

A Alemanha, derrotada na Primeira Guerra Mundial, havia perdido seus territórios ultramarinos, a Alsácia Lorena e parte da Prússia. As altas indemnizações impostas pelos Aliados causaram o colapso da moeda e desemprego em massa, factores que, explorados pelos nazis, contribuíram para o fortalecimento de Hitler no poder (assumido em 1933).

As relações entre a Alemanha e a Polónia já eram tensas desde a República de Weimar. Nenhum governo do Reich e nenhum partido alemão concordavam com a nova delimitação da fronteira leste do país (com um corredor polaco, neutro, separando o país da Prússia Oriental), imposta no Tratado de Versalhes.

Ambicionando as matérias-primas da Roménia, do Cáucaso, da Sibéria e da Ucrânia, Hitler começou a expansão para o Leste. Embora as potências ocidentais temessem o perigo nazi, permitiram o seu crescimento como forma de bloqueio ao avanço comunista soviético.

Conquistas passo a passo

Em 1935, a Alemanha havia reiniciado a produção de armamento e restabelecido o serviço militar obrigatório, contrariando o Tratado de Versalhes. Ao mesmo tempo, aproximou-se da Itália fascista de Benito Mussolini; de Francisco Franco, na Espanha; do Japão; e anexou a Áustria (Anschluss), em 1938, por se tratar de um povo de língua alemã.

No ano seguinte, com a conivência da França e da Inglaterra, incorporou a região dos Sudetas, que abrigava minorias alemãs, na Checoslováquia. Por fim, aproveitou o cepticismo ocidental em relação à União Soviética e assinou com Josef Stalin um acordo de não-agressão e neutralidade de cinco anos.

Estava aberto o caminho para atacar a Polónia, exigindo a devolução da zona conhecida por "corredor polaco" e do porto de Danzig (neutra, a futura Gdansk).

Diante da negativa da Polónia em ceder Danzig, as tropas alemãs invadiram o país em 1 de Setembro de 1939 e travaram uma guerra-relâmpago (blitzkrieg) com a frágil resistência local. Dois dias depois, a Inglaterra e a França declararam guerra à Alemanha, eclodindo a Segunda Guerra Mundial.

domingo, 12 de agosto de 2007

Orfeu Rebelde

Orfeu rebelde, canto como sou:
Canto como um possesso
Que na casca do tempo, a canivete,
Gravasse a fúria de cada momento;
Canto, a ver se o meu canto compromete
A eternidade do meu sofrimento.

Outros, felizes, sejam os rouxinóis...
Eu ergo a voz assim, num desafio:
Que o céu e a terra, pedras conjugadas
Do moinho cruel que me tritura,
Saibam que há gritos como há nortadas,
Violências famintas de ternura.

Bicho instintivo que adivinha a morte
No corpo dum poeta que a recusa,
Canto como quem usa
Os versos em legítima defesa.
Canto, sem perguntar à Musa
Se o canto é de terror ou de beleza.


Miguel Torga
(12 Agosto 1907 – 17 Janeiro 1995)

sábado, 4 de agosto de 2007

Livro de Hitler pode ser publicado na Alemanha

O livro “Mein Kampf”, de Adolf Hitler pode voltar a ser publicado na Alemanha. Desde o fim da Segunda Guerra Mundial que o livro fora proibido pelos defensores da Democracia.

Este é um dos símbolos que o maior líder mundial do século XX deixou aos seus discípulos. Escrito na prisão entre 1923 e 1924, esta Bíblia trouxe ao mundo questões que viriam, mais tarde, a ser utilizadas na construção e edificação do Terceiro Reich.

André Pereira

terça-feira, 3 de julho de 2007

1933: Hitler controla a imprensa falada

No dia 3 de Julho de 1933, o Ministério de Propaganda do Reich submeteu todas as áreas da imprensa falada à Câmara de Radiodifusão do governo nazi.

"Pouco a pouco, temos que educar os ouvintes alemães para a tolerância, para a aceitação de outros modos de pensar. Enquanto este trabalho não for concluído, as comissões de vigilância são imprescindíveis." Esta era a opinião do ministro do Interior do Reich, no início da década de 1930.

Como esta "educação para a tolerância" não resultou, o regime de Hitler resolveu criar uma câmara de radiodifusão própria, que abrangia as emissoras de rádio, associações de ouvintes, o comércio de transistores, a sociedade de radiodifusão e o Ministério da Propaganda.

O rádio, então um veículo de comunicação novo, era visto pelo ministro da Propaganda, Josef Goebbels, como meio ideal para controlar e divulgar o ideal nazi. Tanto o conteúdo como a apresentação dos programas de rádio passaram a ser controlados pela sua equipa. Todos os funcionários de rádio foram obrigados a filiar-se à Câmara de Radiodifusão. A partir de Outubro de 1939, à Câmara de Cultura do Reich.

Centralização dos programas

Quando começou a Segunda Guerra Mundial, os ouvintes alemães foram proibidos de acompanhar transmissões de emissoras estrangeiras. Quem infringisse esta determinação, era considerado criminoso e poderia ser condenado à morte. Em 1940, foi criado um programa único, que todas as emissoras eram obrigadas a retransmitir. Programas regionais eram permitidos apenas pela manhã.

Êxitos das Forças Armadas passaram a ser anunciados com marchas militares e, mesmo quando a Alemanha já estava praticamente em ruínas e a guerra perdida, as mensagens continuavam optimistas: "Tudo vai passar! Isto vai acabar! A cada Inverno segue-se uma Primavera!".

O fim, em Maio de 1945, em plena primavera europeia, também foi devidamente noticiado pelo rádio: "Directamente do quartel-general do Führer, chega a mensagem de que nosso Führer Adolf Hitler tombou pela Alemanha, lutando contra o bolchevismo até o último suspiro".

Sabine Ochaba

segunda-feira, 25 de junho de 2007

Holocausto pode ter sido “vingança” de Hitler contra prostituta

Uma teoria apresentada num congresso de psiquiatras na Escócia sustenta que Adolf Hitler pode ter-se tornado um homem de comportamento violento após ser contaminado pela sífilis transmitida por uma prostituta judia.

A possibilidade foi apontada pelo psiquiatra Bassem Habeeb, num artigo académico que circulou entre o público de especialistas no encontro mundial do Royal College of Psychiatrists, em Edimburgo. Segundo Habeeb, a doença teria sido transmitida a Hitler após ter tido relações sexuais com uma prostituta judia, em 1908.

À época uma doença incurável, a enfermidade pode levar à loucura, mudanças bruscas de humor e paranóia. "Se a vida de Hitler for analisada pelas lentes de um diagnóstico de sífilis, uma pista leva a outra, até emergir um padrão de infecção progressiva de uma doença que pode ter definido Hitler desde a sua juventude", disse o psiquiatra. Habeeb acrescentou que, embora não se possa afirmar com certeza, existem "amplas evidências" de que o líder nazi, que procurou eliminar os judeus através do Holocausto, era portador de sífilis.

Anotações do diário do médico de Hitler, Theo Morrell, indicaram que o paciente sofria de crises gástricas (de estômago), lesões de pele, mal de Parkinson e mudanças bruscas de humor – sintomas de sífilis, observou o Dr. Habeeb.

Hitler tinha ainda "sintomas de comportamento criminoso, paranóia e mania de grandeza", que poderiam ser interpretados como indicadores de neurosífilis, ou seja, da doença em seu estado avançado. No seu livro, "Mein Kampf" (Minha Luta), Hitler dedica uma dezena de páginas à sífilis, afirmando que a eliminação da "doença de judeus" deveria ser "uma tarefa de toda a nação alemã”.

Historiadores e médicos já haviam apontado a possibilidade de que o líder nazi tivesse sífilis. Mas, segundo Habeeb, ninguém tinha ainda percorrido os sintomas até encontrar uma ligação entre o estado avançado da doença e os traços da personalidade de Hitler que acabaram por ter influência no desenvolvimento do Holocausto.

Habeeb, do Hollins Park Hospital, em Warrington, no Norte da Inglaterra, já conduziu outras pesquisas semelhantes a respeito de líderes mundiais. Numa delas, especulou sobre o grau de influência que possíveis demências avançadas haveriam tido em personalidades políticas mundiais, como o líder soviético Estaline, o ex-presidente americano Woodrow Wilson, e o ex-primeiro-ministro britânico Ramsay MacDonald.