segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Se por acaso (me vires por aí)

Se por acaso me vires por aí
Disfarça, finge não ver
Diz que não pode ser, diz que morri
Num acidente qualquer
Conta o quanto quiseste fazer
Exalta a tua versão
Depois suspira e diz que esquecer
É a tua profissão

E ouve-se ao fundo uma linda canção
De paz e amor

Se por acaso me vires por aí
Vamos tomar um café
Diz qualquer coisa, telefona, enfim
Eu ainda moro na Sé
Encaixotei uns papéis e não sei
Se hei-de deitar tudo fora
Tenho uma série de cartas para ti
Todas de uma tal de Dora

E ouvem-se ao fundo canções tão banais
De paz e amor

Se eu por acaso te vir por aí
Passo sem sequer te ver
Naturalmente que já te esqueci
E tenho mais que fazer
Quero que saibas que cago no amor
Acho que fui sempre assim
Espero que encontres tudo o que quiseres
E vás para longe de mim

E ouve-se ao fundo uma velha canção
De paz e amor

Na sexta-feira acho que te vi
À frente da Brasileira
Era na certa o teu fato azul
E a pasta em tons de madeira
O Tó talvez queira te conhecer
Nunca falei mal de ti
A vida passa e era bom saber
Que estás em forma e feliz

E ouve-se ao fundo uma triste canção
De paz e amor

JP Simões

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

O Maior País do Mundo

É verdade que, tendo em conta o título deste texto, me podem acusar de publicidade enganosa. No entanto, verão que tal tem a sua justificação. “Muitos parabéns! Acabou de ser a quinquagésima terceira pessoa a considerar o nosso país como o maior do mundo. Tal facto é digno de uma entrada directa no livro do Guinness”. Foram estas as palavras que me ecoaram no cérebro em meados do mês passado. Estava eu colado ao computador e com a televisão ligada, quando me deparo com mais uma notícia de qualidade e valor noticioso inegáveis – “Portugal tem o maior assador de castanhas do mundo”. Como não poderia deixar de ser, prosperou em mim um sentimento de patriotismo e orgulho que nunca antes havia sentido. O meu corpo sorriu e senti-me pertencente ao povo mais culto e inteligente do planeta. Afinal, construímos o “maior assador de castanhas do mundo que pesa, nada mais, nada menos, que 650 kg!!!”.

Mas o nosso peso na inteligência guinnessiana não fica por aqui. O mesmo povo que deu “novos mundos ao mundo”, que partiu em busca do desconhecido, que atravessou mares e oceanos, desertos e fronteiras, que lutou bravamente contra o Adamastor, que defendeu até à morte as cinco chagas de Cristo que trazia ao peito, volta hoje a ser um dos mais fortes e temidos países do mundo!

Súbditos, ajoelhem-se perante a nossa grandiosidade messiânica! Nós detemos em nosso poder a mesa mais comprida do mundo! É verdade, mais de 15 mil pessoas na Ponte Vasco da Gama, a maior da Europa, sentaram-se a uma mesa de 5.050 metros de comprimento para saborear uma magnífica feijoada – também ela a maior do mundo. Diz-se que nesse dia – 22 de Março de 1998 – apesar de a ponte estar fechada ao trânsito, foram atingidas elevadas velocidades e variados rebentamentos.

Como nós não gostamos de ficar atrás de ninguém, sete meses depois, nos dias 22, 23 e 24 de Outubro, uma indivíduo pôs mãos à obra e preparou a maior refeição do mundo sem ajuda! Que grande feito! Foram 50 horas e 30 minutos de preparação de um almoço para 1.081 pessoas. Sobrou uma dose, por isso é que aquele 1 surgiu ali no final.

Continuando na área que mais nos apraz, muito por culpa de génios da cozinha como o Chef Silva, Carlos Capote ou Filipa Vá Com Deus, de realçar que o nosso espólio conta com os maiores torresmos da Península Ibérica, o maior bolo-rei do mundo, o maior magusto do mundo e a maior sopa do mundo – um tradicional gaspacho alentejano preparado em Cercal do Alentejo. Para acompanhar, nada melhor que beber do maior copo de vinho do mundo. Também Viseu contribui para a nossa vitrina de recordes, tendo confeccionado o maior pão com chouriço do mundo, com 970 metros!

O tamanho do chouriço foi, neste caso, um factor de alegria para todos. No entanto, muitos não se controlam e o caso toma outros contornos. Que o diga um bode, detentor dos maiores chifres do mundo! São 1,09 metros de galhos na cabeça. Não deve ser fácil… Os outros animais emocionaram-se com a situação e convocaram manifestações, entre elas, uma largada de touros que durou 25 horas seguidas, em Samora Correia.

Como estes protestos de animais podem não parecer muito reais – mas que as há, há! e não são poucas – nada melhor do que proporcionar ao mais comum dos mortais uma viagem pelo mundo da magia. Foi isso que fez Luís de Matos, ensinando a 52 mil pessoas um método para fazer desaparecer 52.001 lenços, no dia 16 de Novembro de 2003 no Estádio do Dragão. Este honroso título tem o nome de “mais não-mágicos ensinados a fazer um truque num único local”. Que bonito! Parece uma frase do Saramago… O Estádio dos tripeiros, mais tarde, foi o local escolhido para atingir mais um estrondoso recorde e emocionante (perdoem-me as lágrimas) número de magia. Foi lançado o maior número de aviões de papel em simultâneo, no mesmo local.

Aproveitando a onda de fantasia, falemos do Benfica. Em 2006, o maior clube português foi considerado como o maior clube do mundo, após ter atingido o patamar de 160 mil sócios. Mas o desporto não se remete apenas ao futebol e, no hóquei, possuímos o jogador mais velho do mundo, com 71 anos, quase tantos quantos aqueles que separam o Benfica de um título.

Em 1999, Portugal uniu forças e construiu o maior logótipo humano do mundo (34.309 pessoas no dia 24 de Julho de 1999, no Estádio Nacional, para o logótipo da candidatura ao Euro 2004).

No entanto, quando falamos de desporto e recordes, não podemos omitir o nome de Gualdino Guerreiro. Duas vezes citado no “Guinness”, em 2002 e 2003, manteve uma bola de golfe suspensa num taco “sandwedge” durante uma hora, 19 minutos e 28 segundos em Pembrokeshire (Reino Unido) e em dois tacos, no mesmo local, durante 59 minutos e 58 segundos.

Que precisão entre bolas e tacos. Do mesmo se podem gabar os noivos que participaram na cerimónia que contou com o maior número de casamentos do mundo. As noivas, ou pelo menos uma delas, também se pode mostrar satisfeita visto que recebeu o maior bouquet de noiva do mundo. Eram rosas, senhor. O maior ramo de rosas com 518 flores, com 28,4 kg, obra de um florista português, pois claro! Resta saber quem entregou este ramo e a quem. Suspeita-se de alguém que tenha assistido ao maior desfile de biquini do mundo, na Figueira da Foz. Mais de 2.000 mulheres em biquini, no ano de 2004, é de colocar os olhos em bico.

Em bico ficou o maior canivete do mundo, obra portuguesa. Não se sabe se ajudou a construir a maior guitarra acústica do mundo ou a maior manta de retalhos do mundo, também obras genuinamente nacionais.

Contudo, podemos sempre guardar a maior colecção de souvenirs reais relacionados com a princesa Diana de Gales, propriedade de um português.

Também lá fora damos cartas. Que o diga José Melo, empresário que possui o mais alto monumento autóctone canadiano do mundo, o “Inukshuk”.

Por falar em estrangeiro e em aborígenes, não posso deixar de referir a ilha da Madeira, actualmente (e até que a morte os separe) governada por Alberto João Jardim. Foi lá, na passagem de ano de 2006 para 2007, que se realizou o maior espectáculo do mundo de fogo de artifício.

Em época natalícia, não podemos ficar para trás no que respeita a: (três opções) 1- ajuda aos mais desfavorecidos; 2- criação de boas condições de saúde; 3- bater recordes do Guinness. A resposta é… a terceira!!! Não só somos proprietários da maior árvore de Natal do mundo, como também temos em nosso poder (ah ah ah, sorriso maléfico!!!) a maior árvore artificial da Europa. Construímos um Pai Natal de 14 metros em Torres Vedras, levámos 14.100 pessoas a participar num desfile de Pais-Natal no Porto, e ainda enviámos 350 mil cartas para o Pai Natal na Lapónia!

Como a Lapónia fica tão longe quanto o nosso sublime passado, poucas hipóteses temos de receber alguma prenda. No entanto, e recordando alguns recordes históricos, podemos orgulhar-nos de fazermos parte do tratado mais antigo do mundo, o Tratado da Aliança Luso-Britânica, assinado em Londres a 16 de Junho de 1373 e ainda em vigor. D. Afonso Henriques é detentor do reinado mais longo da Europa e o príncipe da Coroa Luis Filipe (D. Luís II), dono do reinado mais curto, que durou apenas 20 minutos, em 1908.

Todos estes grandiosos feitos – e muitos outros que não consegui nomear – têm realçado, ao longo dos anos, as melhores qualidades do povo português. Bolos, castanhas, aviões de papel, árvores de Natal... Tudo isto dava um filme. Até podia ser realizado pelo Manoel de Oliveira, o realizador mais velho do mundo no activo, com 99 anos.

Gostaria de terminar este artigo de opinião com uma notícia de última hora! Preparem os confetti, segurem nas garrafas de Champanhe, rufem os tambores… Esta é “A Crónica Mais Longa Sobre Recordes Portugueses no Livro do Guinness”. Os meus sinceros parabéns a mim!

André Pereira

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Ouvi dizer

A cidade está deserta,
E alguém escreveu o teu nome em toda a parte:
Nas casas, nos carros, nas pontes, nas ruas.
Em todo o lado essa palavra
Repetida ao expoente da loucura!
Ora amarga, ora doce!
Para nos lembrar que o amor é uma doença,
Quando nele julgamos ver a nossa cura!


Ornatos Violeta

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

domingo, 23 de dezembro de 2007

sábado, 22 de dezembro de 2007

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Cimeira na tal Tenda

Estão três Reis Magos à conversa.

Pedro – Epa… Tanta luz ali à frente.
Ricardo – Fujam! Deve ser a bófia!
Pedro – Calma, calma (franzindo os olhos para tentar ver melhor). São estrelas. Uma, duas, três… (faz a contagem, apontando com o dedo) Doze estrelas! Vamos ver mais de perto.
Ricardo – ‘Bora! Robert, vens?
Robert – Ok, eu vou, mas aviso já que não falo!

Montados nos seus camelos, três reis atravessaram o longo deserto da margem sul, desafiando o sol ardente, a sede e inúmeros outros perigos para chegarem a Belém. O charmoso Pedro Santana Lopes, o africano Robert Mugabe e o cigano Ricardo Quaresma haviam visto doze estrelas brilhando no céu e, guiados por elas, iriam saudar o nascimento daquele que, segundo a profecia, seria o Rei dos Reis. Emocionados, cada um se ajoelha e oferece um presente.

Ricardo saudou o menino com ouro.
Após ter passado a minha infância a trabalhar na Feira de Carcavelos, trouxe o que de melhor arranjei. Não sei se gostas de brincos e de anéis, mas é o que tenho. Se quiseres mais, podemos negociar.

Robert trouxe incenso.
Entrego-te incenso, utilizado para louvar os deuses e encarado como um símbolo da realeza. No meu país todas as pessoas são tratadas como verdadeiros reis, possuindo o direito de voto. Só os animais e os brancos é que não.

Pedro ofereceu mirra, uma resina usada para perfumar e embalsamar.
Estava para te trazer uns frascos de gel e brilhantina, mas decidi-me pela mirra, que também dá um cheirinho agradável para quando saíres à noite.

Menino – Porreiro, pah! Gostei muito das vossas amáveis oferendas. Estou muito satisfeito. A tenda está com um bom clima, tem um bom espírito, o espírito de Lisboa! Estejam à vontade. Puxem a vós um fardo de palha e façam como se estivessem em vossa casa.

Maria – Não me sujem é os cortinados! Andei eu aqui a lavar o estábulo para o meu menino nascer, e isto já está tudo a ficar laranja. Deve ser da luz…

José – Não digas isso, Maria. Se não fossem as laranjas, eu não estava aqui nesta tenda tão quentinha.

Maria – Lá isso é verdade. Bem, façamos um brinde protocolar ao nosso anjinho e vamos a despachar que tenho de ir para Belém.

Ricardo – Espera lá, mas nós não estamos em Belém? Não foi aqui que o menino nasceu?

Mal Ricardo termina a sua frase, entra na tenda um homem, coberto por uma túnica branca longa e um chapéu esquisito na cabeça.
Boa noite meus senhores! Qual Belém qual quê… Estamos em S. Julião da Barra, o melhor local para passar uns dias de férias.

Burro – Desculpem lá incomodar. Mas vocês é que se enganam no caminho e o burro sou eu? O burro sou eu?

De repente, ouve-se um estrondo à entrada da tenda. Dezenas de homens armados entram na tenda, vasculham ao mais ínfimo pormenor todos os objectos da sala e algemam todos os presentes.
Vamos lá ver o que temos aqui… Uma lareira sem protecção, um burro falante, uma vaca que escreve livros, mirra (cheira com perspicácia) fora da validade, incenso (leva um bocadinho à língua) que não cumpre com as normas da União Europeia, e ouro (observa com atenção) falsificado. Vai tudo dentro!

André Pereira

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Monty Python - Every Sperm is Sacred

Let the heathen spill theirs

On the dusty ground.

God shall make them pay for

Each sperm that can't be found.

Happy Birthday! D'oh

Os Simpsons é uma série de desenhos animados que retrata o dia-a-dia de uma família norte-americana. Criado pelo cartunista Matt Groening para a emissora Fox Network, foi exibido pela primeira vez no dia 17 de Dezembro de 1989. Através dos protagonistas Homer, Marge, Bart, Lisa e Maggie, o programa faz críticas ao comportamento humano, à sociedade e ao modo de vida americano.

A série tem 400 episódios e 18 temporadas, o que a torna na mais antiga em exibição nos Estados Unidos. Recebeu inúmeros prémios desde que iniciou emissões, tais como: 23 Emmy Awards, 22 Annie Awards e um Peabody. Em 2000, o programa ganhou uma estrela no Passeio da Fama, em Hollywood. Em 1998, a revista Time elegeu-a como a melhor série televisiva do século.

Fonte:
A nossa amiga Wikipedia

domingo, 16 de dezembro de 2007

Deputados da Coreia do Sul à pancada

Deputados do Partido Nova Democracia Unida, que governa a Coreia do Sul, lutam com o maior partido da oposição, o Grande Partido Nacional. Mais de 100 deputados da oposição ocuparam o púlpito da Assembleia Nacional pelo segundo dia consecutivo, na tentativa de bloquearem uma moção que poderia pôr em risco a corrida presidencial do seu candidato, Lee Myung-bak.

Fonte: Público
Foto: Han Jae-Ho/Reuters

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Highway in Hell

Cheguei à rodoviária e estava tudo normal. Autocarros nas pistas, pessoas à espera e os funcionários na hora de almoço.

Como estava atrasado para apanhar o autocarro, corri o máximo que pude e consegui um honroso quarto lugar na fila da bilheteira. Como não poderia fazer nada, tive de manter a tranquilidade e aguardar a minha vez.

Passados uns minutos fui atendido. “Boa tarde, estou muito atrasado. Queria um bilhete para Lisboa!” Ao que responde a senhora, com toda a calma do mundo: “No próximo autocarro?”. Ora bem, eu estou super atrasado, coisa que até lhe disse e ela pergunta-me se quero ir no próximo autocarro!

“Sim, no próximo. Rápido, se faz favor”. Sabendo que estou atrasado, quero apanhar o próximo autocarro para Lisboa e não sou propriamente um adulto, coloca-me as seguintes questões: “Então o próximo sai dentro de 2 minutos”“É às quinze horas”“Com cartão-jovem?” “Não tem trocado?”“Espere um momento que não tenho moedas”“Então está fresquinho?”

Enquanto espero nervosamente o meu bilhete, ouve-se uma voz no altifalante da rodoviária (“Faaaaxabor grfff o prooóxchimnoo aauoutocccarro chggfffffchchhhhpara Carrazeddddde ctthchyhhde Anschixxxxiães encontra-se gffffff na lllinha 3sssss”). Há coisas que eu não percebo. Será que o senhor que fala pelo altifalante é surdo? Não só por falar muito alto como não se apercebe que as pessoas não entendem nada do que ele diz.

Ele pode dizer uma coisa completamente estúpida e as pessoas ficam na mesma: “Atenção, atenção! Temos a informação de que há setenta e três bombas nucleares na sala espera. Façam o favor de fugir” E todos se mantêm impávidos e serenos. Porquê? Porque não se entende nada do que ele diz!

Chego, finalmente, à pista onde se encontra o autocarro. Mais uma fila, para variar. Aliás, nós, os portugueses, estamos muito habituados a filas. Também podemos chamar de bichas, e ninguém pode negar que cada vez há mais.

“Quem vai para o Aeroporto põe as malas deste lado quem fica em Sete Rios põe daquele”. Ou seja, chega uma altura em que o autocarro se divide ao meio e começa a andar só com duas rodas. O que, por um lado, até é bom, tendo em conta o trânsito na segunda circular.

Entro no expresso e, como é natural, procuro um lugar para me sentar. Consegui ser um dos primeiros a entrar e há muitas cadeiras vazias. Escolho a que me agradar mais, tiro o casaco, poiso a mala, recosto o banco e fecho os olhos para descansar um pouco.

Há pessoas que eu não entendo. O autocarro vazio, eu sentado no meu banco, de olhos fechados. Se fosse de noite tinha medo de estar tão sozinho. E vem uma velha “Desculpe, está no meu lugar”.

Depois há outra coisa. O autocarro é o meio de transporte mais parecido com o povo português: tem sempre o relógio atrasado, tem duas televisões e nenhuma funciona, o ar condicionado só funciona no Inverno, a casa-de-banho ou não funciona ou está ocupada e o cheiro é bastante alternativo.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Soubesse eu


Soubesse eu este estado
Que me provoca o que minto
Não te traria onde trago
Nem sentiria o que sinto.

Soubesses o que me fazes
Pena pensar que tu mentes
Não me trarias onde trazes
Nem sentirias o que sentes.


Letras: André Pereira
Fotografia: Berthault-Jacquier

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

"Um Outro Olhar" no IPJ

Olhas-me com timidez… Baixas a cabeça, tapas a cara entre dedos de chocolate, e os teus lábios contrariam a lei da gravidade. Reages assim sempre que te espelho na minha memória fotográfica, no meu cristal reflectido, na minha lente tele-objectiva... Não te escondas de mim, não afastes os teus olhos dos meus, mais tarde ou mais cedo irei encontrar-te no meu view-finder.

Raul Vilar

Na próxima quarta-feira, proceder-se-á, no Instituto Português da Juventude, em Coimbra, à inauguração da exposição fotográfica “Um Outro Olhar”. Totalizando 49 fotografias, é composta por trabalhos da autoria de crianças e jovens portadores de deficiência mental de sete instituições particulares de solidariedade social (IPSS) da Região Centro.

A exposição, que se encontra integrada nas comemorações dos 70 anos do Instituto Superior Miguel Torga, conta com fotografias de crianças e jovens da Associação Portuguesa de Pais e Amigos das Crianças com Deficiência Mental (APPACDM) de Anadia, do Centro de Educação Integrada da Bela Vista, em Águeda, ambas no distrito de Aveiro; APPACDM de Coimbra, APPACDM de Soure, Associação para o Desenvolvimento e Formação Profissional de Miranda do Corvo (ADFP), CERCI Penela, todas no distrito de Coimbra; e CERCI Pombal, no distrito de Leiria.

Os jovens autores foram acompanhados por alunos da Licenciatura em Comunicação Social do Instituto Superior Miguel Torga, alunos que também cederam o material fotográfico necessário. A equipa de alunos do ISMT foi composta por Ana Carolina Correia, Ricardo Almeida, Manuel Marques, Igor Pinto, Carlos Constantino e Altino Pinto.

Entretanto, todos os alunos se licenciaram, e muitos pretendem seguir o território do foto-jornalismo. É o caso de Ricardo Almeida, que já trabalha na área. , “Desta vez os fotógrafos foram eles, e não nós...Torná-los autores das fotografias e deixá-los felizes é algo que me deixa reconhecido e bem comigo próprio”, afirma.

Altino Pinto considera ter sido “uma experiência bastante enriquecedora, que gostaria de repetir”. “Ver como aquelas pessoas olhavam e pegavam numa máquina fotográfica deixou-me bastante emocionado”, conclui.

Os papéis inverteram-se e aqueles que normalmente se encontram à frente da máquina fotográfica perderam o medo e tomaram as rédeas dos seus olhos. As fotografias variam entre retratos dos colegas, trabalhos manuais, paisagens, entre outros. Muitos deles nunca tinham pegado numa máquina fotográfica, o que dificultou um pouco o método. Porém, mais genuínas não poderiam ficar. Desde o sorriso de uns lábios inquietos até ao mais pormenorizado olhar de um rosto, os utentes destas associações sentiram o carinho atirado em flashs de luz e sombras.

“Adorei a experiência e, sem dúvida, que repetiria”, assegura Ana Carolina Correia. “Não estava à espera de tão boa recepção, todos eles foram muito queridos connosco”, afirma com um brilhozinho nos olhos. Foi com eles, inocentes de enganos, que Carolina fez um Amigo, coisa mais preciosa do mundo. O Amigo multiplicado por todos os corações que encontrou.

Esta exposição pretende dar a conhecer um universo considerado insondável por muitos. Simultaneamente, proporcionou-se às crianças e jovens um dia diferente, pautado por grande animação e alegria.

Patente até ao próximo dia 5 de Janeiro, a exposição cumprirá posteriormente circuito de itinerância pelas IPSS aderentes a este projecto.


Texto:
André Pereira
Fotografia: Ana Carolina Correia

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Piiiiii

Bad Boy MC Crazy Mother Fucker, que é como quem diz, Ricardo Araújo Pereira com a cara pintada de preto e a dizer que é da Cova da Moura:

“Eu sou tão intelectual, tão intelectual que a buzina do meu carro não faz piiiiii, faz três vírgula catoooooorze.”

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Em cada letra

Em cada letra te escrevo
Em cada sonho te guardo
Em cada partida te levo
Em cada regresso te trago.

Em cada boca te grito
Em cada silêncio te calo
Em cada boneco te imito
Em cada pessoa te falo.

Em cada alimento te provo
Em cada segundo te conto
Em cada pedaço te inovo
Em cada ruela te encontro.

Em cada promessa te beijo
Em cada braço me cais
Em cada ausência te vejo

Em cada presença te vais.

Letras: André Pereira
Fotografia: Nuno Abreu

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Escola de Hotelaria e Turismo de Coimbra festeja 18º aniversário

A Escola de Hotelaria e Turismo de Coimbra (EHTC) e o Centro Novas Oportunidades (CNO) atravessam momentos de festa. Se a EHTC festeja o seu 18º aniversário, o CNO tem apenas seis velas para soprar.

Localizada na Quinta da Boavista, a EHTC foi inaugurada a 29 de Novembro de 1989. Dotada com os requisitos para uma formação técnica e profissional de qualidade, esta escola está vocacionada para possibilitar uma preparação integral dos futuros profissionais, incutindo-lhes espírito de iniciativa, autonomia, polivalência e inovação, factores fundamentais para um correcto desempenho e valorização da sua actividade.

A Escola de Turismo tem já uma longa história para contar, apesar da sua tenra idade. No seu primeiro ano, a Escola abriu um curso – Recepção, Portaria e Animação – vocacionado para recepcionistas de hotel. Foram 33 os alunos que frequentaram o curso que apresentava apenas uma valência profissional. Hoje em dia, a generalidade destas três dezenas de alunos dirige hotéis. Cursos de bar e de restaurante também começaram a ser ministrados.

O ano lectivo de 1992/93 marcou o início de cursos de valência profissional e escolar. Foram os casos do curso de “Restaurante/Bar” e “Cozinha/Pastelaria”. No ano seguinte, a Escola introduziu uma outra oferta formativa, a oferta pós-12ºano, em que todos os cursos passaram a possuir dupla certificação (escolar e profissional). Inicia-se o curso de “Direcção de Restauração” (mais tarde “Técnicas e Gestão de Restauração”) que forma alunos para cargos de chefia para a direcção de restauração. Este curso manteve-se durante oito anos, tendo sido reformulado e mudado de nome para “Técnicas e Gestão Hoteleira”.

No presente ano lectivo, o curso de Turismo sofreu uma pequena reestruturação. O nome alterou para Hotelaria e Turismo, ganhando, com esta mudança, a valência do alojamento hoteleiro, abrindo o leque de hipóteses de trabalho aos estudantes.

Quanto ao emprego, a directora da EHTC Ana Paula Pais mostra-se bastante orgulhosa. “Após o primeiro mês de concluído o curso, todos os formados têm emprego”, afirma. Para promover a empregabilidade, todos os anos, no mês de Maio, há uma semana que aproxima os jovens estudantes e os empresários da área.

“São as próprias empresas que vêm cá buscar os alunos”, assegura Ana Paula Pais que, com um sorriso nos lábios mostra o seu orgulho ao dizer que os ex-alunos “têm emprego em todo o lado – na região centro, por todo o país e até no estrangeiro”.

“Como exemplos mais próximos podemos apontar a directora da Quinta das Lágrimas, o director do Astoria, e a directora do Hotel Almedina, todos eles ex-alunos da Escola de Hotelaria e Turismo de Coimbra”, conclui.

Actualmente, a Escola possui 17 turmas e 391 alunos. “O futuro será mantermo-nos por aí. Não tanto crescer em quantidade, mas sim em qualidade”, assegura a directora. Diminuir o número de desistências e fazer com que os alunos formados permaneçam no sector são os principais objectivos da direcção da Escola. Para ajudar nestas tarefas, existe um Gabinete de Apoio Psico-pedagógico ao aluno, que tem um conjunto de actividades com um cariz mais social e psicológico

“O futuro passa, ainda pela modernização da escola, com vista a acompanhar a evolução do próprio sector turístico”, realça Ana Paula Pais. “Esta evolução impõe que a escola antecipe as necessidades do mercado, através, por exemplo, do desenvolvimento de projectos mais criativos”, refere.

Desde sempre que a Escola possui formação contínua. No entanto, até ao ano de 1999, esta formação era desenvolvida pelos serviços centrais, em Lisboa, através de um projecto denominado “Brigadas Móveis” – grupos de formadores em determinadas áreas que se deslocavam pelo país. Em 1999, a EHTC iniciou a sua própria formação contínua específica, desenvolvida dentro da própria Escola. Actualmente, a EHTC faz formação em toda a Região Centro, em parceria com restaurantes, unidades hoteleiras, autarquias, regiões de turismo, entre outras entidades.

“Formar, Qualificar e Certificar”

Este é o lema conjunto da Escola de Hotelaria e Turismo de Coimbra e do Centro Novas Oportunidades. Se a formação engloba o processo de aprendizagem, direccionado aos jovens, a qualificação é destinada aos activos que se encontram fora do processo de escolarização, mas no processo de qualificação das suas competências. Já a certificação encontra-se voltada para a área do Centro Novas Oportunidades e certificação escolar e profissional. A EHTC trabalha, desta forma, com estes três públicos: jovens, activos e adultos.

A EHTC acolheu, até à data, 1630 alunos. Destes, 872 obtiveram certificação, “um número que gostaríamos de aumentar”, afirma a directora Ana Paula Pais. Passaram ainda 8972 activos em formação e foram leccionados 527 cursos em formação contínua, uma área a reforçar.

“No entanto, encontramos algumas lacunas nos nossa população escolar. São elas a área linguística e o atendimento ao público”, garante Ana Paula Pais. Com o objectivo de colmatar estas falhas, “estamos a trabalhar para certificar a Escola como entidade formadora nos próximos dois anos”, conclui a directora. Esta certificação da Escola trará mais-valias ao nível da melhoria dos procedimentos e dos serviços aos alunos. Presentemente, a escola tem sob sua alçada duas escolas: Escola de Hotelaria e Turismo do Fundão, que já tem seis anos, e conta com 120 alunos; e a Escola de Hotelaria e Turismo do Oeste, localizada em Óbidos e nas Caldas da Rainha. A de Óbidos foi inaugurada este ano, e conta com 60 alunos. Já a de Caldas da Rainha ainda se encontra em fase de construção.

Centro Novas Oportunidades comemora 6º aniversário

O ano de 2001 marcou a criação do Centro Novas Oportunidades, que na data se chamava Centro de Reconhecimento de Validação e Certificação de Competências, proporcionando a aquisição de certificação escolar e profissional.

O Centro Novas Oportunidades, coordenado por Sandra Simões, tem tido uma procura bastante elevada. Esta é uma consequência natural da “necessidade pessoal e profissional da pessoa”, afirma a directora do Centro. “A certificação das suas competências não só permite ao indivíduo um reconhecimento profissional como eleva a sua auto-estima”, continua. As áreas mais procuradas para certificação centram-se na “Cozinha e Empregados de mesa”. O processo de certificação inicia-se com a apresentação de um portfólio reflexivo de aprendizagens. Este dossier será entregue a profissionais especializados na área em causa, que analisam as competências do candidato. Poderá ser necessária uma formação complementar, que o indivíduo terá de efectuar. Após este processo, o candidato será confrontado perante um júri de certificação de competências, que o irá avaliar.

André Pereira
O Despertar

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

O Benfica jogou com quem?

O Glorioso empatou ontem com o AC Milan. Assisti ao jogo no café “Rekinte”, na bela cidade de Coimbra, acompanhado de dois grandes amigos benfiquistas, pois claro! O jogo até começou de feição para a equipa da casa, mas foi Andrea Pirlo que inaugurou o marcador com um golaço de fora da área. O Benfica respondeu da melhor forma com um excelente golo do uruguaio Maxi Pereira.

A partir daí, o Benfica jogou, jogou e jogou, vulgarizando, por completo, a equipa italiana. É um facto que a equipa de Maldini, Pirlo, Seedorf e companhia não atravessa um bom momento no campeonato italiano (ocupa o 9º lugar!), mas esta é sempre uma equipa a temer, não sendo por acaso considerada por muitos, eu incluído, como a melhor equipa do mundo.

Porém, tenho alguns apontamentos a fazer:

- Os meus olhos, e os olhos de qualquer ser humano ou extraterrestre, são indignos de ver jogar RUI COSTA. Defendo, ainda, com a plena consciência do que estou a dizer, que os portugueses deveriam descontar para um imposto denominado “Rui Costa”, no artigo 3º, alínea c).

- Para meu extremo espanto, o lateral-direito Luís Filipe realizou um bom jogo de futebol, chegando mesmo a roçar a categoria de “muito bom”. Eu, que entendo que deveria existir uma lei que proibisse o jogador Luís Filipe de jogar na mesma equipa que o Rui Costa, tenho de dar a mão à palmatória e admitir que ontem o Luís até jogou bem.

- “É um muro? Uma vassoura? Um aspirador? Não, é o David Luiz!” Bem-dito sejas, David Luiz! Que grande regresso.

- Por fim, gostaria de realçar a exibição daquele que, para mim, foi o melhor jogador em campo, Kostas Katsouranis. Apesar de ter passado despercebido durante todo o jogo, conseguiu anular o meio-campo do AC Milan, que é composto por jogadores tão banais como Pirlo, Seedorf, Gattuso ou Kaká.

*Tenho plena consciência de que mais jogos virão e o Maior Clube do Mundo (leia-se Benfica) me irá provocar ataques de fúria e desejos em ter a licença de porte de arma para eliminar uns quantos.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Hélio Passos - Morena do Rio Turvo

Pontos fortes: a música, a roupa, a dança, o vídeo-clip, o strip-tease, os últimos acordes desesperados, a VOZ, a letra da canção (deliciosa) e por fim, mas talvez o principal…

a sensualidade...

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Fade to Black

Life it seems, will fade away
Drifting further every day

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Observatório Astronómico da Universidade visita o Sol

“O mistério das coisas? Sei lá o que é mistério! O único mistério é haver quem pense no mistério. Quem está ao sol e fecha os olhos começa a não saber o que é o sol, e a pensar muitas coisas cheias de calor. Mas abre os olhos e vê o sol e já não pode pensar em nada porque a luz do sol vale mais que os pensamentos de todos os filósofos e de todos os poetas. A luz do sol não sabe o que faz, e por isso não erra e é comum e boa.”

Alberto Caeiro, “Guardador de Rebanhos”

O Observatório Astronómico da Universidade de Coimbra desenvolve, desde 1997, o projecto Dia da Astronomia na Escola. Desde esta data, o Observatório já visitou quase três centenas de escolas tendo sido abrangidos mais de cinquenta mil alunos, para os quais a astronomia mostrou ser um veículo privilegiado na aprendizagem das ciências em geral.

Segundo Artur Soares Alves, director do Observatório, “esta iniciativa pretende proporcionar a alunos, professores e restante comunidade educativa uma forma agradável e interactiva de apoiar, complementar e consolidar as matérias abordadas nos programas oficiais”.

Todos os anos, durante a Semana da Ciência e da Tecnologia, de 19 a 25 de Novembro, instituições científicas, universidades, escolas, associações e museus abrem as portas a um mundo tão longe quanto fascinante, proporcionando actividades desenvolvidas, através de um contacto directo com o público.

O projecto “Sol para Todos”, financiado pelo Programa Ciência Viva, tem como objectivo a promoção da ciência em geral e da astronomia em particular junto dos alunos de escolas do ensino não superior. O motor do projecto é o espólio de mais de 30.000 imagens do Sol (espectroheliogramas) existentes no Observatório Astronómico da Universidade de Coimbra, fruto de um trabalho de mais de 80 anos de observações diárias do Sol iniciado em 1926. Actualmente, encontram-se digitalizadas e disponíveis ao público aproximadamente 15.000 imagens, fruto de um projecto igualmente financiado pelo Ciência Viva, que decorreu entre 2002 e 2004.

Trata-se de uma colecção de observações solares de enorme valor científico. O Observatório Astronómico dispõe de um acervo museológico constituído por um vasto número de instrumentos de observação e medição astronómica e terrestre. Conta ainda na sua colecção com mapas e cartas celestes, sendo a maioria do espólio constituída por peças dos séc. XVIII e XIX.

Para João Fernandes, coordenador deste projecto, “este tema leva-nos para algo longe daquilo que é terreno, fazendo-nos imaginar”. Também astrónomo e docente no Departamento de Matemática da Universidade de Coimbra e Observatório Astronómico da Universidade de Coimbra, João Fernandes afirma que “as pessoas costumam aderir a este tipo de iniciativas”, perspectivando-se “um excelente feedback por parte de todos”.

No Observatório Astronómico é realizada investigação em Astronomia e Astrofísica nas áreas da Física Solar, Física Estelar, Mecânica Celeste e Astrofísica Extragaláctica. Alguns destes trabalhos visam a preparação dos programas científicos de missões da Agência Espacial Europeia como COROT e GAIA.

O Sol

O Sol é a estrela mais próxima da Terra. O nosso planeta está, por isso, e desde a sua formação, dependente do Astro-Rei. Esta dependência não se resume apenas ao facto da Terra ter o seu movimento anual, de translação, em torno do Sol. É muito mais do que isso. O Sol é a principal fonte de calor e de luz de que a Terra dispõe e fundamental para toda a Vida que ela comporta. Os fenómenos que ocorrem no interior e na superfície solar têm impacto na superfície terrestre.

André Pereira
O Despertar

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Dificilex

A Selecção Nacional conseguiu o apuramento para o Europeu de Futebol de 2008, após um empate a zero com a Finlândia. Se, por um lado, os portugueses podem aplaudir Scolari por mais uma qualificação, por outro, terão de atirar tomates e todo o tipo de fruta ao nosso primeiro-ministro. Porquê? Porque o jogo não foi assim tão simplex.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Epílogo

Primeiro, foi o Big Bang quando, após uma feijoada divina, o Espírito Santo puxou o dedo errado da mão de Deus...

domingo, 18 de novembro de 2007

Corpo de Cristo

A ASAE fez uma investigação numa igreja. Foram apreendidos 20 kg de carne estragada. Jesus já foi constituído arguido.

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

ASAE investiga Bento XVI

Bento XVI já não é Papa. A ASAE foi investigar o Vaticano e descobriu que não havia licença para um pastor alemão.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Boa vista

Quem quer quentes e boas, quentinhas?
A estalarem cinzentas, na brasa.
Quem quer quentes e boas, quentinhas?
Quem compra leva mais calor p'ra casa.


É ou não é, Jaime?

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

AAC: 120 anos de Capa e Batina

Fundada no dia 3 de Novembro de 1887, a Associação Académica de Coimbra comemora este ano o seu 120º aniversário. A luta pelos direitos dos milhares de estudantes da Universidade de Coimbra marca a longa vida da Academia mais antiga de Portugal e uma das maiores da Europa. Desde a Tomada da Bastilha, passando pelas crises de 62 e 69, até à luta actual contra as propinas.

Diversas comemorações tiveram lugar por toda a cidade, culminando no sábado passado, com um espectáculo no Teatro Académico de Gil Vicente. Evocar o passado e projectar o futuro foram os principais objectivos da comissão organizadora que levou a cabo exposições, lançamentos de livros, tertúlias e uma gala no Casino Estoril. Foram oito meses de festejos, iniciados no dia 24 de Março – Dia do Estudante –, com o descerramento de uma placa comemorativa à porta da AAC.

Ainda no âmbito das comemorações, foi lançado um livro, da autoria de Rafael Marques – presidente da delegação de Coimbra da Cruz Vermelha – que relata alguns momentos marcantes da história da Academia. Os lucros reverterão para a Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental (APPACDM).

São essas histórias que constroem as bases daquilo que é hoje a Associação Académica de Coimbra. O primeiro momento de relevante interesse surge no ano de 1836, quando os estudantes se vêem impossibilitados de representar uma peça no antigo teatro de Santa Cruz. Devido a esse facto, a Academia deliberou a construção de um novo teatro, que viria a nascer nos baixos do Colégio das Artes.

Nos finais de 1837, após graves divergências no seio do grupo, surgiu a Nova Academia Dramática, que se instalou no Edifício do Colégio de São Paulo “O Apóstolo”, onde é hoje a Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra.

A Nova Academia Dramática era composta por três institutos: dramático, de música e de pintura. No dia 17 de Abril de 1849, os estatutos da Nova Academia Dramática são revistos e os institutos agregados num único – “O Instituto” –, com autonomia quase total, passando a Academia a denominar-se Academia Dramática de Coimbra.

Mais tarde, o nome sofre alterações para Instituto de Coimbra, alojando-se, em 1868, no Colégio de São Paulo, na Rua Larga. Já sete anos antes, havia sido fundado o Clube Académico de Coimbra, que, também alojado no Colégio de São Paulo, acaba por se fundir com a Academia Dramática de Coimbra, dando origem à Associação Académica e Dramática. Esta, em 1887, após uma revisão de estatutos, passa a designar-se Associação Académica de Coimbra.

Dois anos mais tarde, a AAC é transferida para o Colégio da Trindade. Este acontecimento foi uma verdadeira tragédia para a Academia, pois ditou o quase total desaparecimento das actividades culturais estudantis, já que as novas instalações não permitiam a realização de espectáculos, que eram a principal fonte de receitas da AAC. Assim, singraram as actividades desportivas como a ginástica atlética e acrobática, esgrima, jogo do pau, luta greco-romana, além de longos passeios a pé, a cavalo e de velocípede.

Em 1892, no seguimento de um Guarda-Mor ter detido um estudante por três dias na prisão académica por ter recebido, em oposição às ordens da reitoria, um novato na Porta Férrea com o tradicional Canelão, reúnem-se os estudantes em Assembleia Geral na Igreja da Trindade, votando uma greve geral. Como consequência, encerraram-se as instalações e suspenderam-se as actividades da AAC. A paralisação durou três anos. Os estudantes fundaram o Clube Académico Irmãos Unidos, para logo depois, em Setembro de 1896, retomarem o nome de Associação Académica de Coimbra.

Durante sete anos a AAC não teve casa fixa. A última localizava-se na esquina da Rua do Norte com a Rua do Cosme, para aí levada pelo então académico Egas Moniz. Mais tarde, em 1901, a AAC arrendou novamente o Colégio da Trindade, de onde tinha sido expulsa anos antes.

Em 1913, o Senado Universitário concedeu à AAC o rés-do-chão do Colégio de São Paulo, onde já estava instalado o “Clube dos Lentes”, oriundo da mesma raiz: a Academia Dramática. As instalações no Colégio eram já escassas para toda a actividade académica, que já incluía a dos organismos autónomos então existentes: o Orfeon e a Tuna. A relação com o Clube dos Lentes não era boa e o primeiro andar que ocupavam já tinha sido destinado à Academia, mas a entrega tardava, o que muito desagradava os dirigentes da AAC.

No dia 25 de Novembro de 1920, pela madrugada, cerca de quarenta estudantes ocuparam os andares superiores do Colégio, num assalto que se tornou famoso e que a academia denominou Tomada da Bastilha. O Colégio passou a ser conhecido como a Bastilha e o dia 25 de Novembro passou a ser considerado o dia da Academia de Coimbra, data ainda hoje comemorada pela AAC.

A data de 25 de Novembro tem sido anualmente comemorada com o Cortejo dos Archotes, no qual os estudantes evocam esta data tão importante para a Academia de Coimbra.

Durante as décadas do Estado Novo em Portugal, a AAC foi uma instituição de clara oposição ao regime vigente. Reuniões secretas, tomadas de posição públicas e privadas e algum bloqueio ao Governo eram as formas mais usadas. O crescimento do descontentamento estudantil, nomeadamente devido à Guerra Colonial, fez com que muitos estudantes fossem presos e perseguidos pela PIDE. Em 1969, a crise estudantil atinge o seu auge, culminando no dia 17 de Abril, que representou um importante passo rumo à Revolução dos Cravos.

Após o 25 de Abril de 1974, os estudantes tiveram uma voz preponderante na construção do Ensino Superior em Portugal. Novamente, a liderança deste movimento coube à AAC, como mais prestigiada Associação de Estudantes em Portugal. Durante os anos que se seguiram à Revolução dos Cravos, muitas foram as greves e as tomadas de posição dos estudantes em Coimbra.

Hoje, a Associação Académica de Coimbra mantém a força que a caracteriza, erguendo bem alto a capa negra de saudade, mas também de confiança num futuro melhor.

Fonte: Site da AAC

André Pereira
O Despertar

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

"Ídolo das Palavras"

Cena 1
NOTA PRÉVIA:
Todos os personagens entram em cena a cantar, à excepção da actuação de Gonçalo Gabriel. No palco, está uma rapariga com um timbre lindo e completamente afinado. No entanto, canta demasiado bem para conseguir falar em palco. Os júris falam a cantar:

Júri 1 - Sim, tu cantas muito bem/ Mas aqui é para falar.
Júri 2 - E se queres ser alguém/ Ou falas ou pões-te a andar.
Júri 3 - Eles têm razão/ Põe-te mas é na alheta.

Rapariga - Mas eu até tenho apresentação/ E sei conversa da treta.
Todos os júris - (Cantando a música do Toy “Estupidamente apaixonado”) Estupidamente interpretado/ não sabes o que fazer/ como tu há muitas mais/ vai-te embora, não voltes mais/ que já não te queremos ver.

Rapariga chora desconsoladamente e sai da sala a correr.

Cena 2
Encontramo-nos na sala de espera.

Voz-off - Gonçalo Gabriel/ vai ser avaliado/ o que será feito dele/ se for enxovalhado?
Apresentação do candidato, no sofá.

Gonçalo Gabriel - (Cantando música do Marco Paulo “Dois Amores”) Eu tenho dois amores/ que nada são iguais/ um é declamar poemas/ o outro é vender jornais/ um é declamar poemas/ o outro é vender jornais.

Cena 3
Gonçalo Gabriel encontra-se no palco.

Júri 1 - (Cantando música de Tozé Brito e Paulo de Carvalho “Olá, tu por aqui?”) Olá! Tu por aqui?
Gonçalo Gabriel - Olá, então como vai?
Júri 1 - Tudo vai bem?
Gonçalo Gabriel - Olhe, tudo vai mal para mim.
Júri 1 - Mas tudo vai mal porquê?
Gonçalo Gabriel - Estou muito nervoso aqui/ não sei se passarei…/ se falar bem, diz-me que fico aqui.
Júri 1 - Se falares bem, direi.

Cena 4
Analepse de Gonçalo Gabriel no sofá da sala de espera.

Gonçalo Gabriel – Sempre sonhei falar em público.

Cena 5
Gonçalo Gabriel inicia a sua performance.

Gonçalo Gabriel - (Falando) Eu sou o Gonçalo Gabriel, tenho 32 anos e adoro jogar computador. Um dia, andava eu a passear e tropecei numa pedra. “Sacana da pedra!”, resmunguei. Mas ninguém me ouviu porque eu estava sozinho. Depois fui jogar paintball e cortar o cabelo.

Cena 6
Nova analepse. Entrevista à mãe do Gonçalo Gabriel.

Mãe do Gonçalo Gabriel - (Cantando música do José Cid “20 anos”) Há muito muito tempo/ era ele uma criança/ que brincava num baloiço/ e nos escorregas./ Andava pelos cantos/ a ler Ary dos Santos/ e a declamar poemas como o Viegas.

Cena 7
Em palco. O júri chora de emoção à medida que Gonçalo Gabriel vai falando.

Gonçalo Gabriel - (Falando) Fiz um corte “à homem” e depois decidi ir pintar as unhas. Cheguei a casa e cumprimentei o meu colega de quarto. Ele não respondeu porque é um gato, mas eu não liguei. À noite, fui jantar debaixo da ponte porque estava cheio de frio. Adormeci em cima de uma revista cor-de-rosa, que me borrou o casaco de pele que tinha comprado em saldos. E é esta a minha história.

Cena 8
Após a actuação, ainda no palco.

Júri 1 - Então tu falas assim/ e cantas no coro nacional/ não é preciso pensar, tu para mim/ saltas já para a final.
Júri 2 - Estou completamente/ espantada com o que ouvi/ por mim também segues em frente/ encontramo-nos no Tivoli.
Júri 3 - A tua voz é feia / e música não é contigo/ estou aqui a pensar numa ideia/ queres lançar um disco comigo?

Cena 9
Gonçalo Gabriel abandona o palco bastante emocionado e abraça a família.


André Pereira e Nelson Antunes

Miaaaaaaaaaaaaauuuuuu

Ah e tal... Venho lá de baixo dizem-me que não sei quê, chego cá acima já me dizem que não! Mas que é isto?! Sem muitas palavras para descrever este dia... "estranho".

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Poesia-Orgasmo

De sílabas de letras de fonemas
se faz a escrita. Não se faz um verso.
Tem de correr no corpo dos poemas
o sangue das artérias do universo.

Cada palavra há-de ser um grito.
Um murmúrio um gemido uma erecção
que transporte do humano ao infinito
a dor o fogo a flor a vibração.

A poesia é de mel ou de cicuta?
Quando um poeta se interroga e escuta
ouve ternura luta espanto ou espasmo?

Ouve como quiser seja o que for
fazer poemas é escrever amor
a poesia o que tem de ser é orgasmo.

José Carlos Ary dos Santos
Fotografia: Ana Cruz

domingo, 28 de outubro de 2007

Sick Dez, Oras?

Maddie é a convidada do “Sick dez, oras?” desta semana. A menina encontra-se no estúdio, sentada de frente para a apresentadora Nossa Senhora de Fátima.

Nossa Senhora de Fátima - Boa noite, eu sou a Nossa Senhora de Fátima, e este é o “Sick dez, oras?”. Hoje, temos connosco o quarto pastorinho. Sei que vocês só conhecem três, mas eu vi lá mais um. Só que andou desaparecido durante estes anos todos. Deixemo-nos de conversa. Caros telespectadores, comigo tenho Maddie McCann. Boa noite Maddie. (olhando para os lados) Maddie? Maddie? Onde estás?
Maddie - Posso sair agora, mãe? (olhando para os bastidores)

NSF - Estás aí, sua marota! O que estavas a fazer debaixo da mesa? Ai a menina… Maddie, bem-vinda ao meu programa. Está à vontade, se precisares de alguma coisa… Um copo de água, uma cerveja…
Maddie - Queria um chazinho, se for possível.

NSF - (gritando para os bastidores) Sai um chá de camomila e um copo de água benta, com gás! (virando-se novamente para Maddie) Já não te via há muito tempo. Desde aquele dia de festa, na praia, com música ao vivo… O sol até dançou… Bons tempos…
Maddie - Sim, estava-se muito bem na praia. Mas depois a senhora apareceu, com aquela luz forte que me feriu os olhos…

NSF - Sim, eu lembro-me. Sabes, a minha 4L estava com um problema nos máximos… Então, e onde te escondeste, que eu nunca mais te pus os olhos em cima?
Maddie - Eu estava a brincar na areia com os meus irmãos, mas depois fui embora. Eles não sabem brincar!

NSF - Mas os teus irmãos ainda eram muito pequeninos. Ainda não sabiam falar, pois não?
Maddie - Não sabiam?! O Francisco e a Jacinta falavam muito bem. Já a Lúcia era mais dedicada a inventar histórias. Tinha uma grande imaginação, a rapariga…

NSF - Sim, de facto… Mas, Maddie, nos últimos tempos tens sido notícia de abertura dos telejornais, capa das mais diversas revistas. Tens estado no primeiro plano na Comunicação Social. Como encaras todo este mediatismo à tua volta?
Maddie - Sabe, eu fui sempre bem tratada por todos os locais onde estive. Desde o dia em que desapareci que tenho andado a dar a volta ao mundo. Precisava de espaço para mim, para as minhas coisas…

NSF - Compreendo, eu já não compro uma roupinha para mim há muito tempo. Ultimamente, tenho ido jogar umas partidas de futebol, para ver se faço exercício.
Maddie -
Ah sim?

NSF - Sim, sim. Já joguei contra uns dragões, também já fui a Belém. Há quem diga que foi a segunda vez que dei (à) luz em Belém. (ri-se e olha para Maddie, mas esta não entende a piada) Fui lá jogar com o Bento.
Maddie - O seu empregado?

NSF - Não, não… Aquele do cabelo à tigela.
Maddie - Ah, ok ok.

NSF - (olhando para o relógio) Parece que estamos a chegar ao fim da nossa entrevista. No entanto, não gostaria de terminar sem antes lhe oferecer este ramo de flores.

Ao ver as flores, Maddie entra em pânico e começa a chorar.

NSF - Maddie? Maddie? O que foi?
Maddie - Flores? Já me chega o inspector… (corre para fora do estúdio gritando) Nãaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaooooooo!

Nossa Senhora de Fátima encontra-se sentada no gabinete do produtor do programa “Sick dez, oras?”

Produtor - Então, aqui está o combinado. Oitenta milhões. (diz lentamente enquanto escreve no cheque)
NSF
- Muito obrigada! Estava mesmo a precisar de fazer umas obras lá em casa.

André Pereira

Adivinha Comédia

“DANTEs é que era bom” – diz o reformado – “era vê-los a cair que nem tordos às mãos da Pide.” “Que Inferno” – respondeu o rouxinol – “vai usar a tua língua suja no Purgatório que vais ver! Aí sim, isto é que se tornava um Paraíso.” (E é desta forma absolutamente… como é que se diz?... ESTÚPIDA!!!! que se faz a apresentação do blog mais palerma de todos os tempos).

O Blog dos 13 Workshopistas das Produções Fictícias!

sábado, 27 de outubro de 2007

Mudança de Hora

Estúdio de Rádio
Locutor

Este fim-de-semana muda a hora. Um dos momentos mais esperados pelos portugueses, logo a seguir à actuação do Luís Filipe Reis no “Natal dos Hospitais”. A mudança de hora é um fenómeno que a todos fascina e que é tema de conversa para vários dias.

Conversa entre dois indivíduos, na rua
- Epa, este fim-de-semana muda a hora!
- A sério?! Então, mas não era no primeiro fim-de-semana de Novembro?
- Não, pah! É no último de Outubro.
- Mas isso não é o Dia da Mãe?!
- Não! Isso é lá para Maio… Este fim-de-semana atrasa uma hora.
- Atrasa outra vez?
- Atrasa, mas da outra vez adiantou!
- Epa, então vamos perder uma hora!!
- Não vamos nada pah! Vamos ganhar! Dormimos mais uma hora!
- Mas como, se ganhamos?!
- Sim! Às duas volta a ser uma.
- Pois! Então perdemos!!
- Sim! Perdemos uma hora!... Calma que já me estás a confundir…
- Mas dormimos mais ou não?!
- Epa, o que é que isso interessa? Somos reformados há mais de quinze anos!

Estúdio de Rádio
Locutor

Ainda não ocorreu esta mudança de hora e os portugueses aguardam já com ansiedade a próxima mudança. Há já alguma angústia sobre o que falar até lá.

André Pereira e Nelson Antunes

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

And the oscar goes to...

Depois de Nuno Gomes ter começado a marcar golos e o Tratado Europeu ter sido acordado em Lisboa, só faltava mesmo o Benfica ganhar na Liga dos Campeões. E, surpresa das surpresas, com uma excelente exibição do Óscar, que marcou o golo que deu a vitória aos encarnados. Já o Sporting, não anda lá muito católico. Depois do Fátima, foi a vez de perder com o Roma.

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

domingo, 21 de outubro de 2007

Cair...

São catadupas de palavras que me assaltam a cabeça. Sinto tudo de todas as formas depressa. Acorro a todos os alarmes de urgência, a todos os meus esgares de impaciência. Tudo por pensar. Por querer pensar também. Porque só eu desejo o que não quero, só eu sinto o que não tenho. Eloquente traste que me atravessa a garganta. Rir? Ria quem canta, que a minha história não se escreve em folhas pautadas no caminho. Vai-se fazendo em noites passadas sozinho.

André Pereira

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Santana, o Regresso

Abram alas para o Santana…
…com o seu sorriso amarelo, após ter sido interrompido pela chegada de José Mourinho a Portugal. Santana Lopes regressa, assim, ao Parlamento, mas desta vez com uma diferença, foi eleito.

Selecção obtém vitórias importantes rumo ao Europeu de 2008
As principais ausências foram as do treinador Luiz Felipe Scolari e do jogador Nuno Gomes. Ambos jogaram onde costumam dar maior contributo às suas equipas: na bancada.

Quaresma com protecção extra
Nos jogos frente ao Azerbaijão e ao Cazaquistão, Ricardo Quaresma foi um importante elemento da equipa das quinas. No entanto, a comitiva portuguesa teve de reforçar as medidas de segurança à volta do “Harry Potter português”. Não por este querer fazer desaparecer alguém, mas sim porque não contava com o seu guarda-costas pessoal Luiz Felipe Scolari. Mesmo assim, Quaresma ainda conseguiu fugir, pelos seus próprios meios, das tentativas de roubo a que esteve sujeito, tendo tempo, ainda, para dar um brinde ao recém-chegado Ariza Makukula.

Cardozo vale 20 golos por época
Por falar em avançados goleadores, Óscar Cardozo disse num jornal desportivo que valia 20 golos por época. “É só conseguir mexer as pernas, depois os braços, abrir os olhos, aprender a dar uns chutos na bola, coordenar os movimentos, largar o soro, e depois vão ver”, afirmou o paraguaio.

José Rodrigues dos Santos sofre interferências
O pivot do Telejornal afirma que a direcção da RTP sofreu pressões por parte do Governo. Após longa conversa, o Zé contou como teve conhecimento destas pressões governamentais: “O tempo estava bom, mas, de um momento para o outro, senti as minhas orelhas a abanar tanto, mas tanto, que só poderiam ser altas pressões. Fiquei a saber que eram pressões do Governo porque me disseram: “Oh Zé, tens as orelhas rosadas, pah!” E eu, pronto, desconfiei.”

André Pereira

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Liga de Cavalheiros

Mais uma excelente noite na Travessa da Fábrica dos Pentes. Desta vez, o nosso mentor foi o grande, o irreverente, o único… Filipe Homem Fonseca! Foram algumas horas de extrema alegria e contagiante galhofa. Obrigado Filipe, por teres pegado na minha história e teres colocado um burro a falar. Eheh Tudo depois de um certo indivíduo ter tido um Acidente Vascular Cómico, passado por um hospital com um fisioterapeuta musculosamente gay e ter batido com a cabeça numa pedra, in the middle of nowhere.

Já agora… vai uma massagem com extra?

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

A Evolução Simpsoniana

Esta é mais uma das inúmeras pérolas que a família amarela nos tem proporcionado ao longo dos anos. Simplesmente genial... D'oh!

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

15 Outubro 1844 – 25 Agosto 1900

Lei contra o Cristianismo

Datada do dia da Salvação: primeiro dia do ano Um (em 30 de Setembro de 1888, pelo falso calendário).

Guerra de morte contra o vício: o vício é o Cristianismo.

Artigo Primeiro – Qualquer espécie de antinatureza é vício. O tipo de homem mais vicioso é o padre: ele ensina a antinatureza. Contra o padre não há razões: há cadeia.

Artigo Segundo – Qualquer tipo de colaboração a um ofício divino é um atentado contra a moral pública. Seremos mais ríspidos com protestantes do que com católicos, e mais ríspidos com os protestantes liberais do que com os ortodoxos. Quanto mais próximo se está da ciência, maior o crime de ser cristão. Consequentemente, o maior dos criminosos é filósofo.

Artigo Terceiro – O local amaldiçoado onde o Cristianismo chocou seus ovos de basilisco deve ser demolido e transformado no lugar mais infame da Terra, constituirá motivo de pavor para a posteridade. Lá devem ser criadas cobras venenosas.

Artigo Quarto – Pregar a castidade é uma incitação pública à antinatureza. Qualquer desprezo à vida sexual, qualquer tentativa de maculá-la através do conceito de “impureza” é o maior pecado contra o Espírito Santo da Vida.

Artigo Quinto – Comer na mesma mesa que um padre é proibido: quem o fizer será excomungado da sociedade honesta. O padre é o nosso chandala – ele será proscrito, deixá-lo-emos morrer de fome, jogá-lo-emos em qualquer espécie de deserto.

Artigo Sexto – A história “sagrada” será chamada pelo nome que merece: história maldita; as palavras “Deus”, “salvador”, “redentor”, “santo” serão usadas como insultos, como alcunhas para criminosos.

Artigo Sétimo – O resto nasce a partir daqui.

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

PAAAMMMMM

Ladies and Gentlemen, girls and boys, please welcome… Nuno Markl! Clap clap clap

Durante quatro aulas, o
Markl foi o mentor de um grupo de treze pessoas que têm em comum o facto de quererem fazer humor. O nosso google da comédia disparou sabedoria em todas as direcções, deixando-nos boquiabertos. Para além disso, ainda possui uma mala sem fundo que tem lá dentro todas as séries realizadas nos últimos 3.000 anos. Foi uma honra absorver os ensinamentos deste verdadeiro senhor. E este grupo é fantástico, estou a adorar esta workshop!

Ah, e para acabar.... PAAAAAAMMMM!

Fátima, SAD (Sociedade Anónima de Deus)

Estas duas últimas semanas foram ricas em acontecimentos de elevado nível jornalístico. Falamos, por exemplo, da chegada de José Mourinho a Portugal. O treinador português trazia vestido umas calças de ganga da Levi’s, umas All Star azuis com os atacadores atados em nó cego e uma t-shirt branca de tamanho M da Lacoste. O perfume era da Channel e a barba teria sido feita há dois… não, desculpem, três dias. Ah, e parece que houve eleições no PSD, e que também se ficou a saber os galardoados com o prémio Nobel.

Res publica
No passado dia 5 de Outubro festejou-se a implantação da República. Se, por um lado, José Sócrates, Cavaco Silva e Mário Soares teceram elogios à democracia, por outro, há ainda quem condene esta ideologia. Numa reunião no Reichstag, estiveram presentes Bush, Hugo Chávez, o Rei Juan Carlos e Alberto João Jardim.

Só 80 milhões?!
O Bispo de Leiria-Fátima fez mais uma contratação para o seu plantel. Desta vez, não se trata nem de um padre nem de uma freira para alargar a frente de ataque da sua equipa, mas sim de um novo local para realização dos jogos. 80 milhões é o número em cima da mesa. Aliás, a Igreja Católica desde há longos anos que está habituada a lidar com milhões. Alguns exemplos, para reavivar a memória: 9 milhões mortos sob a égide da Inquisição, 7 milhões de judeus mortos nos campos de concentração, com o conhecimento da Igreja Católica, etc, etc, etc. (para mais exemplos, favor abrir os olhos).

Danças com Loucos
Amanhã comemora-se o dia 13 de Outubro. Para as pessoas é um dia normal, para os outros é um dia em que se festeja a aparição da Nossa Senhora de Fátima aos três pastorinhos. Foi no dia 13 de Outubro de 1930 que o Bispo de Leiria tornou público, oficialmente, as aparições de Fátima. Segundo rumores, consta que o sol havia bailado um tango, seguido de um cha-cha-cha e uma salsa. Foram longos os dias de treino, até porque na altura as condições eram mínimas. Os ensaios foram coordenados por Marco di Camilis, que ensinou o sol e a Virgem a mexerem bem a anca. Consta que a Nossa Senhora nunca a tinha mexido…

O Orçamento do PSD
Luís Filipe Menezes é o novo líder do PSD. Desta forma, poderemos apreciar uma forte oposição ao governo socialista, com Menezes e Santana Lopes no mesmo barco. Bem… Santana Lopes? Desculpem, retiro o que disse. Aliás, parafraseando os nossos ilustres comentadores de futebol, reconheço que estas eleições resultaram numa “troca por troca”. José Sócrates já reagiu a estas eleições e disse que já esperava este desfecho: “Meus amigos, o Orçamento de Estado de 2008 vai apoiar a natalidade e os mais jovens. Foi por isso que o Marques Mendes saiu do PSD. Porque no PSD não há esse apoio!”

André Pereira

Doris Lessing vence Prémio Nobel da Literatura

Contra todas as previsões, Doris Lessing foi ontem distinguida com o Prémio Nobel da Literatura. A relativa surpresa com que o anúncio foi acolhido nada tem que ver com os méritos literários de uma autora que, prestes a completar 88 anos, já conquistou quase todos os mais importantes prémios literários - falta-lhe o Booker, para o qual foi nomeada três vezes -, mas apenas pelo facto de, na lista de principais favoritos, não constar o seu nome em evidência (o italiano Claudio Magris dominava os prognósticos das casas de apostas).

"Narradora épica da experiência feminina, que com cepticismo, ardor e uma força visionária perscruta uma civilização dividida", como justificou a Academia Sueca em comunicado, a romancista britânica é autora de uma obra cujo tom pessoalíssimo - a elegância da linguagem é uma marca dos seus livros - se alia a um combate de causas ideológicas (do feminismo aos direitos humanos) para criar uma obra que ao longo dos anos conquistou um número apreciável de leitores fiéis.

"A boa terrorista", "A erva canta" , "O quinto filho" ou "A revoltada" são apenas alguns dos títulos mais notórios de uma obra que reúne mais de 50 títulos de poesia, entre romances, poesia, ensaios, autobiografias, contos e ficção-científica.

O inconformismo discreto da multifacetada autora, nascida no actual Irão, não a impediu de assumir ao longo dos anos posições firmes que visavam colocar em xeque a corrupção latente em vários governos africanos ou a permanente subjugação da mulher às mãos de uma sociedade castradora. Mas o sentido de justiça assumiu também outras formas Lessing era já uma escritora renomada quando resolveu enviar, sob pseudónimo, um escrito inédito para uma editora. O texto acabaria por ser recusado, o que levou a escritora a assumir uma posição pública favorável aos jovens escritores, denunciando a podridão do meio literário.

Quando a Academia Sueca divulgou a sua decisão - "uma das mais meditadas que tomámos até agora", anunciou o director da instituição, Horace Engdahl -, Doris Lessing encontrava-se em Londres a fazer compras e só tomou conhecimento formal do anúncio quando se deparou com a agitação invulgar em frente à sua residência. "Nos últimos 30 anos ganhei todos os prémios. É um verdadeiro 'royal flush'", afirmou, satisfeita, aos jornalistas que durante duas horas esperaram pela sua chegada.

Dispersa por várias casas editoriais portuguesas, das Publicações Europa-América à Cotovia, a obra de Doris Lessing deverá agora ser agora alvo de uma atenção superior, já que vários da dezena e meia de livros publicados entre nós se encontram esgotados há muito. No dia 19 chega às livrarias, através da Presença, uma das mais recentes novelas da autora, "O sonho mais doce", publicado em 2001. Ainda sem data definida de publicação encontram-se "The golden notebook", porventura o seu título mais conhecido, e "The cleft", o último romance que assinou.


in Jornal de Notícias

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Fausto Correia (1951-2007)

A minha ligação com Fausto Correia apenas se materializou uma única vez, aquando da visita de alguns alunos do Instituto Superior Miguel Torga ao Parlamento Europeu – a seu convite. Para lá disso, trabalho no jornal “O Despertar”, que ele dirigia até ao dia de ontem. Pouco tenho a dizer sobre a pessoa, não querendo correr o risco de escrever palavras não sentidas. Por essa razão, deixo um texto de José Henrique Dias, docente universitário que recebe toda a minha admiração.

"Há notícias que nos recusamos receber. Depois de entregues, quaisquer que sejam as múltiplas vias, batem contra as nossas resistências, amolgam todas as lógicas, rasgam todas as fibras dos afectos. Há notícias que não deviam chegar-nos se pudéssemos esconjurá-las, tão solidamente brutais nos batem à porta.

Morreu o Fausto. Dito assim, na voz molhada de um amigo comum, tragicamente sincronizada com os noticiários das televisões. Dizermos não pode ser é, ainda mais que o último sopro da incredulidade, a tentativa íntima de deter o indetível, de execrar a dor que começa a minar e a crescer, a subir degrau a degrau ao limiar da insuportabilidade. Até ao regresso à crueza do real, até sabermos que há notícias que temos de receber.

Conheci Fausto Correia não sei bem situar quando, mas que sei situar bem. Nos passos perdidos de todos os fora em que se faz da vida o exercício da cidadania, do compromisso com valores superiores da ideia de servir a res publica, de implicar a existência num viver solidário onde a tolerância impera e os bons costumes importam na busca da luz mais iluminada da razão para ser livre e pensar livremente. Conheci Fausto Correia nos labirintos de uma saudade retocada da lucidez de pensar Coimbra para o futuro, Coimbra à sua espera no caminho da mudança que tarda. E agora, Fausto, que fazer dos projectos e como encontrar quem?

Abro nesta ferida, nesta fenda que a notícia rasgou, a recordação teimosa daquela noite em Bruxelas, em que eu com os alunos do meu Instituto, que tem colado o nome do nosso Miguel Torga, que o Fausto foi tão claramente explicando nos salões da Europa, a fazer o que devia, como ensinara o Mestre, aquela noite em que as raparigas e os rapazes do Curso de Comunicação Social (Fausto, a maioria já está aviada com o diploma a fazer-se à vida, e quantos deles têm aprendido por aqui nas colunas de O Despertar) o ouviram falar de coisas tão sérias com o ar tão leve do magistério esclarecido, as ideias arrumadas, o olhar terno, o sorriso envolvente, a Europa farol do crescimento intelectual a dar as mãos à dos outros desenvolvimentos, o pensar para além dos quintalinhos e quintalecos dos patifes bem falantes que sempre aparecem na hora da despedida.

Fico a dever a Fausto Correia esse momento alto da convivência despreconceituosa que cumpre e se cumpre na função de representar o melhor de nós, a sua disponibilidade e uma maneira de estar que as universidades não ensinam, que se aprendem melhor nas infantes correrias pelas ruelas da baixinha coimbrã, onde mal entra o sol mas se doiram as almas, em que definitivamente nos ganhamos para polir o gume cortante de todas as arestas, para trabalhar a brutidão das pedras rumo aos poliédricos roteiros de uma humanidade melhor. A nossa Coimbra, a do povo, sem capas velhinhas e fitas ao vento. Com mais encanto na hora de estar.

Aqui, nestas páginas que me facultou para umas croniquetas quinzenais em que me esforço por falar de pessoas, de alguns dos seus problemas na medida das minhas posses, vai agora crescer um enorme vazio. Vai faltar-nos a ALVORADA. Apaga-se a luz da discussão dos grandes problemas nacionais, no plano inclinado da dimensão nacional de Coimbra. Coimbra fica mais pobre. Ainda mais pobre. Quem souber olhar na direcção onde nasce o Sol, encontrará o lugar onde se resguardam os eleitos da nossa memória.

Obrigado, Fausto, por quanto ensinaste."

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Ai Nulinho, Nulinho

O Benfica venceu ontem o U. Leiria por 2-1 e – atenção que esta revelação é bombástica!!! Sentem-se num sofá e preparem já um copinho de água com açúcar – o Nuno Gomes marcou! Para quem pensa que isto não é nada, o Nulinho (assim conhecido no mundo futebolístico) conseguiu colocar a bola na baliza por duas vezes.

Parafraseando os nossos gatos, “há coisas deprimentes não há?”

domingo, 7 de outubro de 2007

“Se Deus pode acabar com o mal mas não quer, é monstruoso; se quer mas não pode, é incapaz; se não pode nem quer, é impotente e cruel; se pode e quer, por que não o faz?”

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

97 anos de República

“Lisboa amanheceu hoje ao som do troar da artilharia. Proclamada por importantes forças do exército, por toda a armada e auxiliada pelo concurso popular, a República tem hoje o seu primeiro dia de História. A marcha dos acontecimentos, até à hora em que escrevemos, permite alimentar toda a esperança de um definido triunfo [...] não se faz ideia do entusiasmo que corre na cidade. O povo está verdadeiramente louco de satisfação. Pode dizer-se que toda a população de Lisboa está na rua vitoriando a República.”

Jornal “O Mundo”, 5 de Outubro de 1910

O movimento revolucionário de 5 de Outubro de 1910 surgiu naturalmente como consequência de um conjunto de acções que construíam o panorama político da época. A contraposição entre os movimentos republicano e monárquico eram cada vez mais acentuados, com a Partido Republicano Português (PRP) a conseguir tirar partido de alguns factos históricos de repercussão popular. As comemorações do terceiro centenário da morte de Camões, em 1880, e o Ultimatum inglês, em 1890, foram aproveitados pelos defensores das doutrinas republicanas que se identificaram com os sentimentos nacionais e aspirações populares. Foram realizados diversos comícios, com vista a difundir os ideais republicanos. Elis Garcia, Manuel Arriaga, Magalhães Lima e Agostinho da Silva foram alguns dos oradores.

O terceiro centenário da morte de Camões foi comemorado de forma bastante simbólica. As ruas de Lisboa acolheram um enorme cortejo popular que ficou marcado pela festa e entusiasmo dos intervenientes. O poeta dos “Lusíadas” e o navegador Vasco da Gama foram trasladados para o Panteão Nacional, numa cerimónia de autêntica exaltação patriótica. A Sociedade de Geografia de Lisboa foi a autora da ideia destas comemorações, no entanto, a execução coube a uma comissão de representantes da Imprensa de Lisboa, constituída pelo Visconde de Jorumenha, Teófilo Braga, Ramalho Ortigão, Batalha Reis, Magalhães Lima e Pinheiro Chagas. Com isto, o Partido Republicano, ao qual pertenciam as figuras mais representativas da Comissão Executiva das comemorações do tricentenário camoneano, adquiriu uma enorme popularidade.

A Revolta Republicana

De um lado o General Manuel Rafael Gorjão Henriques, que comandava as forças monárquicas, do outro Machado Santos e as suas forças republicanas. A impotência do governo revelou-se pouco tempo depois, e a República era proclamada pelas forças vencedoras. Como consequência, D. Manuel II, que havia sucedido a D. Carlos I, era exilado para Londres.

Os dias 4 e 5 de Outubro de 1910 foram marcados pela revolta de militares da Marinha e do Exército, em Lisboa. Com o objectivo de derrubar a Monarquia, juntaram-se aos militares a Carbonária e as estruturas do Partido Republicano Português. Na tarde do dia 5 de Outubro, José Relvas, em nome do Directório do PRP, proclamou a República à varanda da Câmara Municipal de Lisboa. No dia 6 o novo regime foi proclamado no Porto e, nos dias seguintes, alargou-se ao resto do país.

A queda da Monarquia já era de esperar. Em 1908, D. Carlos e D. Luiz Filipe haviam sido assassinados por activistas republicanos. O reinado de D. Manuel II tentou acalmar o panorama político que se vivia, mas sem sucesso. Foi acusado de falta de firmeza e experiência, e de ser manipulado pela Rainha-mãe D. Maria Pia de Sabóia. Apesar de o 5 de Outubro não ter sido uma verdadeira revolução popular, mas essencialmente um golpe de estado centrado em Lisboa, a nova situação acabou por ser aceite no país e poucos acreditaram na possibilidade de um regresso à Monarquia.

Com o golpe de 5 de Outubro procedeu-se à substituição da bandeira nacional. O azul e branco da Monarquia foi substituído por um diferente leque de cores. O verde e vermelho ocupam a grande área da bandeira representando, respectivamente, a esperança e o sangue de todos os heróis portugueses. A esfera armilar, colocada no centro da bandeira, simboliza a época áurea dos Descobrimentos. Por sua vez, os sete castelos representam os primeiros castelos conquistados por D. Afonso Henriques. As cinco quinas significam os cinco reis mouros vencidos por este Rei e, finalmente, os cinco pontos em cada uma, as cinco chagas de Cristo. O hino “A Portuguesa”, composto por Alfredo Keil tornou-se o hino nacional.

Seguiu-se um período de democracia republicana, presidido por Manuel de Arriaga. Poeta e advogado, foi um dos principais ideólogos republicanos. Depois da instauração da República, ao ser eleito presidente, tentou reunificar o partido que, entretanto, se desmembrava em diferentes facções. Foi um esforço sem muitos resultados, visto que o seu mandato foi atribulado devido a incursões monárquicas movidas por Paiva Couceiro. Foi substituído pelo professor Teófilo Braga, em 1915. Dois anos depois, o primeiro Presidente da República morria em Lisboa.

Teófilo Braga, fundador do Partido Republicano, assumiu em 1910 a presidência do Governo Provisório Republicano assumindo, em 1915 o cargo de Presidente da República. Foi professor e escritor, tendo deixado uma vasta obra literária.

Este período republicano foi caracterizado por uma forte instabilidade política, conflitos com a Igreja, mas também grandes progressos na educação pública. A chamada I República Portuguesa terminou em 1926, com o golpe de 28 de Maio, a que se seguiram longos anos de ditadura.

“O Governo Provisório da República Portuguesa saúda as forças de terra e mar, que com o povo instituiu a Republica para felicidade da Pátria. Confio no patriotismo de todos. E porque a Republica para todos é feita, espero que os oficiais do Exército e da armada que não tomaram parte no movimento se apresentem no Quartel-general, a garantir por sua honra a mais absoluta lealdade ao novo regime.”

Edital da Proclamação da República

Teófilo Braga, Lisboa, 5 de Outubro de 1910

André Pereira
O Despertar