Mostrar mensagens com a etiqueta Casting Stars. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Casting Stars. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Are you with Metallica?

Grande concerto ontem dos Metallica! Muita gente, muita música e muito pó. Pela cor predominante, até poderia pensar que estava na Damaia. Mas não, estava ali bem perto dos betinhos do Restelo. Coitadinhos... tiveram que gramar com Slipknot e Metallica a noite toda. É muito bem feito! Para aprenderem que a vida não passa apenas pelas pranchas de surf e pelo protector solar nos lábios, mas também pela música. Aliás, pela música de qualidade!

Eu admito. Gosto de Slipknot, mas fui apenas para ver Metallica. Eu e os milhares de fiéis seguidores da banda californiana. James Hetfield, Lars Ulrich, Kirk Hammet e Robert Trujillo fizeram um périplo pelos clássicos ("Blackened", "One"...) e pelas músicas mais recentes ("All Nightmare Long", "The Day That Never Comes"...). No entanto, senti alguma confusão na playlist. Dos três concertos que vi destes senhores (Rock in Rio 2004, Super Bock Super Rock 2007 e Rock in Rio 2008), este foi seguramente o mais fraquinho.

O impacto do primeiro (2004) foi estrondoso e, talvez por ter sido a minha primeira vez, foi o meu preferido. Em 2007 foi um concerto muito muito consistente a todos os níveis (musical, som, playlist, ambiente). Em 2008, a apresentação do St. Anger enfraqueceu um pouco o concerto (não foi dos melhores albuns...). Ontem, foi o menos conseguido de todos. A má qualidade de som (os técnicos só estão habituados ao Leonard Cohen e à Mafalda Veiga) prejudicou a actuação das bandas. A playlist também não foi a melhor. De qualquer das formas, não deixou de ser um grande concerto. Não fossem eles a melhor banda do mundo!

Hell yeah!!!

Casting Stars

sábado, 9 de maio de 2009

OqueStrada - Tasca Beat: O Sonho Português

Após sete anos de palco, os OqueStrada lançaram o seu primeiro álbum de originais. A banda de Almada decidiu sair do escuro das cortinas e lançar-se para as bancas das lojas através do álbum “Tasca Beat: O Sonho Português”. Este disco é, claramente, um produto dos tempos modernos, em que várias culturas se misturam e se apresentam como uma só.

Composto por João Lima, Pablo, Zeto Feijão, Miranda e Donatello Brida, o grupo almadense reúne um vasto leque de instrumentos que vai desde a guitarra portuguesa até ao acordeão, passando pela trompete e pela contra-bacia – sim, uma bacia e um pau de vassoura unidos por um cordel.

Música tradicional portuguesa, sonoridades africanas, guitarradas ciganas e uma voz límpida e despreocupada. O talento musical de todos os elementos é acima do normal, e a versatilidade melódica é notória em todo o álbum.

Depois de tanta espera, a chegada deste disco apenas tem um comentário: Era só o que faltava! Para primeiro single, os OqueStrada escolheram a canção “Oxalá te Veja”, uma música em que Miranda diz que tem “dores fechadas em caixinhas”.

No entanto, as caixinhas não estão lá muito bem fechadas. Há algumas dores que vagueiam pelo álbum. As palavras não sobem ao nível da música e, muitas vezes, chegam a roçar o ridículo com expressões e erros de gramática crassos. Porém, o cd parece-me geralmente bem construído e, depois de treze músicas bem esgalhadas (é mesmo este o termo – ouçam e confirmem), ainda há um bombom final. Nesta prenda há qualquer coisa que me anima.


Casting Stars

sábado, 18 de abril de 2009

Amália Hoje

Pode ser com esta voz que Amália chorará seu triste fado. Um choro de alegria e agradecimento a três vozes que, sob a batuta de Nuno Gonçalves (The Gift), uniram num só canto os vários cantos da diva do fado.

A Sónia Tavares (The Gift), Paulo Praça (Plaza) e Fernando Ribeiro (Moonspell) coube a tarefa de cantar o fado num registo mais pop. Os arranjos de Nuno Gonçalves – muito ao estilo dos The Gift – transformaram a solidão das guitarras numa espécie de “solidão acompanhada” por violinos, percussão, órgão, sintetizador, guitarra eléctrica e outros instrumentos fora do alcance do fado tradicional.

Ouvir a “Gaivota” – primeiro single – na voz da Sónia Tavares acaba por ser algo de tão surpreendente como já esperado. Um paradoxo que nos ajuda a compreender a essência do disco e a extrema versatilidade das músicas cantadas por Amália. A sonoridade triste, pesarosa e abandonada de uma voz e duas guitarras encaixa perfeitamente neste pop cheio e compacto, que, mesmo sorridente, não deixa esconder as lágrimas de um destino cantado.

“Nome de Rua” na voz de Paulo Praça é outra das músicas que surpreende os nossos ouvidos. Mas talvez o maior espanto surja com a imponente prestação de Fernando Ribeiro a cantar o “Grito” e a “Formiga Bossa Nova”. Nada habituado à raiz triste de um fado trinado, o vocalista dos Moonspell empresta o seu poderio vocal a um fado renascido por um pop consagrado.

“Amália era muito mais que Fado. Amália era a voz. Mas atrás das letras, do tom triste e melancólico, havia melodias que queriam mais espaço que umas tristes guitarras”, diz Nuno Gonçalves.

Intitulado «Amália Hoje», o álbum terá nove fados imortalizados por Amália Rodrigues e sairá a 27 de Abril pela La Folie e Valentim de Carvalho Multimédia, no ano em que se completa uma década da morte da fadista.


Casting Stars

sábado, 4 de abril de 2009

Pearl Jam - Ten

Dezoito anos depois, um dos melhores álbuns de sempre volta às estantes comerciais. O primeiro disco dos Pearl Jam “Ten” regressa com vários extras. Versões de concertos em vinil, cadernos de apontamentos de Eddie Vedder e Jeff Ament e uma nova remistura do álbum pelo produtor Brendan O’Brien são alguns dos doces. Mas aplausos, de pé!!!, para a edição em DVD do MTV Unplugged.

“Even Flow”, “Alive”, “Black” e “Jeremy” vagueiam num mar de tantas preciosidades que até se torna um crime não comprar esta box. Nela, está abrigada parte de uma vida que, graças aos rebeldes de Seattle, se confunde com a de muitas gerações. São sonoridades que marcaram a década de 90 e ainda hoje são escutadas com a mesma garra e entrega da primeira vez.

Falar de Pearl Jam é adocicar as palavras com grunge, sapatilhas e cabelos desgrenhados. É sentar-se num banco descontraidamente alto, sorrir timidamente para o microfone e soprar-lhe livres frases de rua.

Eddie Vedder, Jeff Ament, Matt Cameron, Mike McCready e Stone Gossard oferecem-nos, assim, uma excelente prenda de Páscoa. Até poderia ser uma amêndoa, mas dada as surpresas que contém, é mais um ovo de chocolate, e Kinder!


Casting Stars

sábado, 21 de fevereiro de 2009

AC/DC - Portugal, 3 Junho

Hoje, por ironia do destino, vou escrever uma crónica que, no seu corpo longo e esguio de texto, tem as malditas palavras “Estádio Alvalade XXI”. Qualquer texto que eu pensasse em escrever incluiria todas as palavras de todas as línguas do mundo, menos aquelas três, ordenadas daquela forma… Triste fado o meu!

Porém, alegre rock! Porque os AC/DC vão estar nesse sítio que referi (e cujo nome me recuso a reescrever) no dia 3 de Junho. Até aqui tudo bem (ou melhor, tudo excelente!), mas o facto de terem sido vendidos mais de 16 mil bilhetes em apenas duas horas, deixa as coisas um bocadinho complicadas para quem tenciona assistir ao concerto.

Cada pessoa pode adquirir apenas quatro bilhetes. Portanto, façam as contas, ponham gasolina no carro, apanhem a auto-estrada (para o Inferno) e toca a comprar bilhete que não tarda esgotam. Entre 55 e 60 euros, coisa barata…

Este é o seu segundo concerto em Portugal, treze anos depois de uma passagem pelo Estádio do Restelo (também me custa escrever estas palavras, menos do que aquelas lá de cima, é um facto). O espectáculo integra a digressão suportada no álbum “Black Ice” e grande parte das actuações já está esgotada. Em Madrid, onde actuarão a 05 de Junho no estádio Estádio Vicente Calderón, os bilhetes esgotaram em três horas.

“Black Ice” surge após um intervalo de oito anos, no que respeita à edição de álbuns de inéditos. Angus Young, Malcolm Young, Brian Johnson, Phil Rudd e Cliff Williams prometem um excelente espectáculo, com guitarradas, gritos, saltinhos um bocado amaricados mas que têm uma pinta do caraças e boinas, muitas boinas.

Em todo o mundo já foram vendidos mais de 200 milhões de cópias de discos do AC/DC, sendo que 18 milhões foram apenas nos últimos cinco anos.

Olhem ali um elefante azul em cima daquela árvore! Ainda bem que olharam porque, por esta altura, já estou eu a caminho da bilheteira.

Casting Stars

sábado, 14 de fevereiro de 2009

dR. estranho amor

É triste mas é verdade. Há um dia para os namoradinhos darem beijinhos muito agarradinhos um ao outro. Se não puderem dar beijinhos muito agarradinhos um ao outro, mandam mensagenzinhas com muitos asteriscozinhos um ao outro.

No fundo, desde que haja “um” e “outro” tudo faz sentido neste dia tão amoroso quanto parvo. Porque o amor é isso mesmo, parvo e aquilo que o Miguel Esteves Cardoso escreveu. O amor estranha-se, entranha-se e pimba. Lá vamos nós arrastados pelos colarinhos a bater com o queixo no chão. Cara rasgada, joelhos esfolados e coração escangalhado. “Pode-me receitar alguma coisa para as dores, senhor doutor?”

Os Dr Estranho Amor são uma banda portuguesa que, através da sua melancolia musical, me faz recordar os Ornatos Violeta. Talvez seja uma comparação muito óbvia e simultaneamente muito arriscada, mas foi o que me veio logo à cabeça mal carreguei no play.

O seu single de apresentação “Mais do Mesmo” já anda a rodar nas rádios nacionais, sendo lançado em cd hoje, Dia dos Namorados. No entanto, no seu
myspace, já se podem ouvir outras (excelentes) músicas, tais como “Wishky Mundo Novo”, “Arte de Dar” ou “Fim de Hollywood”.

Zeal na voz, Cebola no baixo, Tutxi na bateria, Borges nas teclas, Madeira e Hugo Costa nas guitarras, moldam este coração de um doutor estranho, muito estranho… Mas bom! Um pop rock muito próprio, em português e com laivos de angústia na voz e nas melodias. “Se não acreditas nas coisas do coração, pode ser que um dia caias no erro outra vez…”


terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Oasis no Atlântico

Os irmãos Gallagher regressam a Portugal quatro anos depois da última visita. Desta vez, os Oasis irão pisar o Pavilhão Atlântico. Pisar, espezinhar, torturar e talvez destruir o Pavilhão Atlântico, melhor dizendo.

Uma das bandas de culto dos anos 90, pela quarta vez no nosso país (pelo menos legalmente), promete um espectáculo bombástico, semelhante ao da semana passada na Palestina. Dizer que Noel e Liam Gallagher são rapazes de coro que bebem leitinho antes de ir para a cama e que choram a ver o Casablanca é tão verdade como terem estado realmente naquele “país”.

Políticas e explosões aparte, falemos desta banda que tem nome de coisa que não existe. Sem dúvida que o seu álbum “Definitely Maybe” marcou toda uma franja musical que hoje já é casada e começa a ter filhos. Ainda hoje, este mesmo álbum serve de ponto de comparação sempre que se fala em estreias agradavelmente inesperadas. Com 100 mil cópias vendidas nos primeiros quatro dias, alcançou o título de disco que mais rapidamente foi vendido. Quase tão rápido como a permanência do Santana Lopes como primeiro-ministro.

Mas não nos podemos esquecer do sucesso que teve o álbum seguinte “(What's The Story) Morning Glory?”, onde podemos encontrar algumas das músicas que mais andam nas bocas dos fãs, “Wonderwall”, “Don’t Look Back in Anger” ou “Roll With It”.

Curiosamente, Noel Gallagher já não pode ouvir a “Wonderwall”, tantas foram as vezes que a tocaram e o sucesso que atingiu. Talvez mesmo por isso se tenha tornado aborrecido e até mesmo enjoativo tocar os mesmos acordes… Um pouco à semelhança do que se passa com os Radiohead, que se recusam a tocar o “Creep” nos seus concertos.

Para o concerto de dia 15 de Fevereiro, a banda britânica irá mostrar ao público português as novas músicas do seu mais recente disco, “Dig Out Your Soul”, lançado no final do ano passado. Em palco, estarão, para além dos rufias Noel e Liam Gallagher, o guitarrista Gem Archer, o baixista Andy Bell e o baterista Chris Sharrock.

Para terminar, é ou não estranho haver oásis no Atlântico?


Casting Stars

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

O Pós-Modernismo na Música Portuguesa Actual

A Música Portuguesa actual está, indubitavelmente, associada ao fenómeno Pós-Modernista que a nossa sociedade atravessa. A inclusão de determinados conceitos pós-modernos na nossa música faz dela um dos pilares vanguardistas do tempo actual. A Naifa, Deolinda e Donna Maria são três conjuntos musicais que reúnem características muito próprias mas, simultaneamente, idênticas entre si. Este é um fenómeno que está, gradualmente, a ganhar uma forma mais vincada no panorama musical português. São cada vez mais as bandas que unem vários universos musicais, através da junção de instrumentos, vozes e até roupagens.

Atravessamos um período pós-modernista em que vivemos e construímos com base na recolha e na reutilização de ideias e conceitos que tiveram lugar no passado. Com isto, não estamos a querer dizer que aniquilámos a nossa criatividade e que apenas existimos e produzimos com mero recurso ao que já aconteceu, ao que já existiu, ao que já se disse. Antes pelo contrário. A Pós-Modernidade é caracterizada como uma forte aptidão para o unir de diferenças que, juntas, podem funcionar melhor ou, pelo menos, de uma forma distinta. Desta forma, há um caminho que nos conduz à inovação. Esta ideia de inovar emerge com o pensamento moderno. Uma outra ideia associada ao conceito de evolução é a do paralelismo entre a Arte e Sociedade. A conjugação destas duas ideias justifica a inovação, uma vez que a História não se repete. O pós-modernismo não é uma invenção, uma teoria, uma tese, uma ideologia. O pós-modernismo é o que estamos a viver. É o mundo em que estamos embutidos que é diferente do mundo de Marx. É a complexidade, a difusão, o pluralismo, são as múltiplas faces de um mesmo entendimento, são as diversas formas de interpretação, é a possibilidade de flexibilização, é o fim do maniqueísmo puro e simples, é o fim dos códigos prontos, da escravidão pela religião com deus e sem deus. O pós-modernismo é o materialismo.

A música portuguesa tem sofrido algumas alterações nos últimos anos. Apesar de se manterem nomes incontornáveis como Carlos do Carmo, Rui Veloso, Sérgio Godinho, Jorge Palma, Xutos & Pontapés, entre outros, há toda uma panóplia de artistas que se vão renovando a si mesmos e à própria música nacional. A introdução de novas sonoridades, através da inclusão de instrumentos já “esquecidos” ou menos apreciados, o regresso da recordação ou a retoma do espírito nacional e da tradição local são características da nossa música actual.

Nomes como A Naifa, Deolinda ou Donna Maria têm ganho enorme relevo e importância numa sociedade que, cada vez mais, se afirma como sendo Pós-Modernista.

A Naifa é uma banda que une as linguagens clássicas do fado e do pop, criando um universo tocado por percussão, baixo eléctrico e sintetizadores. Alguns dos seus membros têm formação na escola do punk, o que reflecte a diversidade que existe dentro da banda. O baixo e a bateria dão-nos uma secção rítmica que acompanha na perfeição o dedilhar da guitarra portuguesa, que se por vezes nos faz lembrar Carlos Paredes, viajando pelo blues e pelo rock.


Deolinda é um original projecto de música popular portuguesa, inspirado pelo fado e as suas origens tradicionais. Formado em 2006 por quatro jovens músicos com experiências musicais diversas (jazz, música clássica, música étnica e tradicional), procuram, através do cruzamento das diferentes linguagens e pesquisa musical, recriar uma sonoridade de cariz popular que sirva de base às composições originais do grupo.

Os Donna Maria são um trio da grande Lisboa, com Marisa Pinto na voz, Miguel Ângelo Majer na bateria e programações e Ricardo nos teclados e samplers. Têm fortes influências da música electrónica e uma alma profundamente portuguesa bem patente no recurso a instrumentos tradicionais, como a guitarra portuguesa ou o acordeão. Neste contexto, os Donna Maria pretendem devolver a desejada frescura à Música Portuguesa através da sua visão electrónica e contemporânea.

Donna Maria foram uma bela surpresa no panorama musical português. Canções pop que vão buscar influência simultaneamente ao trip-hop e às raízes culturais portuguesas fazem deste grupo um dos excelentes exemplos da cultura pós-modernista associada à música portuguesa.

Estas três bandas portuguesas (A Naifa, Deolinda e Donna Maria) contêm na sua génese uma mistura de vários géneros musicais, o que lhes permite uma versatilidade muito grande e uma abrangência musical que se estende a vários ramos. Esta multiplicidade e desmembramento quase “natural” destas bandas faz com que se enquadrem no estilo Pós-Modernista. Para além disso, a inclusão de instrumentos vários (muitos tipicamente portugueses) na construção criativa da própria música, bem como a própria imagem transmitida levam-me a crer que se englobam perfeitamente no fenómeno Pós-Modernista. O facto desta “afirmação musical” se pautar pela utilização de instrumentos tradicionais portugueses faz com que haja um certo paralelismo com um outro fenómeno que é o da Glocalização. Ou seja, a pertença a um mundo global e globalizado não implica que haja uma homogeneização nos comportamentos e na construção de cultura.

Apesar de serem conceitos diferentes, Globalização e Pós-Modernismo coexistem e, do nosso ponto de vista, completam-se, uma vez que a junção de vários elementos de um passado cultural tradicional de um país, por exemplo, pessoaliza-o e globaliza-o. Ou seja, há uma afirmação do ser português (no nosso caso), não deixando de lado a integração no mundo global. E é isto que se passa com a nossa música. A saudade do passado sempre existiu, mas com o Pós-Modernismo, talvez se esteja a substituir o tempo verbal.

Casting Stars

sábado, 24 de janeiro de 2009

The All Star Project

Os The All Star Project foram uma das mais agradáveis surpresas da música portuguesa nos últimos anos. Originária de Leiria, esta banda emprega uma sonoridade alternativa, navegando por estilos diferentes que se unem num só, e muito bem!

O primeiro álbum “Berlengas Connection” deu início a um percurso que se vislumbra longo. As guitarras, a bateria e o teclado empregam sons inovadores que nos transportam para um filme passado algures entre Marte e Júpiter (não necessariamente entre estes dois planetas, mas dá jeito nomear alguns, para que a metáfora funcione. Podia dizer entre Vila do Conde e Alfornelos, mas a mesma não faria muito sentido).

Depois deste parêntesis galáctico, talvez seja mesmo melhor arranjar uma explicação mais plausível que defina o género musical dos The All Star Project. Influências várias, passando por Pink Floyd, The Beatles, Spiritualized e My Bloody Valentine. Todos deram uma forte ajuda na construção do seu mais recente álbum “Your Reward… A Bullet”, um álbum claramente pós-rock. Porém, este ano de 2009 contará com um novo trabalho dos leirienses que assinaram recentemente contrato com a produtora independente norte-americana “Forgotten Empire Records”, permitindo um alargamento a novos mercados, para além do alemão, belga, inglês e japonês, já explorados pela sua editora “Rastilho Records”.

“Desconhecidos localmente, aproveitados globalmente” poderia muito bem ser o slogan desta banda. A verdade é que os TAP foram convidados a colocar a sua música “Empire” num filme do Andy Warhol. Sim, é verdade, não leram mal. O convite surgiu pelo IMAGO, Festival Internacional de Cinema, e consistiu em criar uma banda sonora original que seria executada ao vivo durante a rodagem do filme e que servisse de abertura ao festival em 2007. Assim foi.

A progressão dos TAP está a ser visível e, caso disso, são muitos dos prémios que já receberam. O segundo EP, “Something to do with death”, lançado em 2006, foi escolhido pelos ouvintes da RUC – Rádio Universidade de Coimbra como o melhor português do ano passado. E o auditório considerou “The third man” o quinto tema nacional, sendo que o melhor foi “Fácil de entender”, dos alcobacenses The Gift. Com grande expressão na Antena 3, os TAP vão subindo degraus seguros rumo ao estrelato.

Numa iniciativa inédita, a banda estabeleceu uma parceria com o histórico do futebol nacional, o
Sport Clube Leiria e Marrazes. Publicidade nas camisolas em troca de música, é este o acordo. E parece estar a dar resultado, quer para um lado, quer para o outro. Para breve, está a criação do Hino do clube.

Acima de tudo, a música portuguesa está de parabéns! Novos valores se apoderam do mercado. Pena que não sejam tão divulgados quanto a sua qualidade o permite. Um projecto com todas as estrelas.

Casting Stars


E com a grande ajuda da excelente entrevista feita pelo meu amigo Gaspar! Obrigado! Ah, e visitem a
Rubrica Maltratada, um excelente blogue!

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Xutos & Pontapés - 30 anos

A crónica desta semana não poderia ser escrita sem ter, pelo menos, um “X” e um “&”. São caracteres tão pouco usados que acho que até os vou escrever mais uma vez: X &. Já está! Esta introdução parva para quê? Pergunta o leitor. É verdade que podia ter começado com palavras elogiosas à banda a que me vou referir. Mas expressões como “estes gajos são excelentes”, “tocam que sa farta” ou “bons como o caraças” já se tornaram um hábito. E ainda bem! Porque as verdades são para serem ditas, escritas e cantadas.

Apesar de todo este suspense, tenho a certeza absoluta de que já sabem de quem estou a falar (o título e a fotografia ajudam um bocadinho). Não, não estou a falar da claque do FC Porto, mas sim dos Xutos & Pontapés, músicos! Eles comemoram, este ano, 30 anos de concertos tendo o primeiro sido dado no dia 13 de Janeiro… de 1979, pois claro.

Para comemorar esta data, Tim, Kalu, Cabeleira, Zé Pedro (o músico que desfila a pastilha elástica ao som da guitarra) e Gui (o gajo de quem ninguém se lembra porque só apareceu agora para dar autógrafos – depois de um passagem de seis anos na década de 80) deram um concerto no Pavilhão de Portugal, no Parque das Nações. Desde o “Homem do Leme” até ao “Circo de Feras”, passando pelo “Sémen” (a música, meus amigos, a música!!! Que, aliás, foi a primeira dos Xutos a passar na rádio, a Rádio Comercial), foram várias as músicas que fizeram o público tirar os pés do chão e as mãos dos bolsos.

Casacos de motard vestidos e braços cruzados no ar! Vamos lá continuar a ouvir estes senhores que, ao que parece, nos vão dar mais rocalhada durante muitos anos. É disso exemplo o álbum a lançar brevemente. E o primeiro single já anda a rodar nas rádios, televisões e emules, “Quem é Quem”. Eu sou eu, é apenas o que posso adiantar… E só sei que, três décadas depois, e por mais estranho que pareça, é o Zé Pedro quem está com melhor aspecto. Será que conserva?

Casting Stars

Imagem: Ana Coelho

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Movimento UPA

Um dos projectos musicais mais interessantes e inovadores de 2008 ficou a dever-se a uma Instituição Particular de Solidariedade Social, a “Encontrar+se”. Através do Movimento UPA (Unidos Para Ajudar), a Encontrar+se reuniu diversos artistas portugueses e “convenceu-os” a fazer boa música.

Como diz no próprio site, “os projectos actuais estão ligados à luta contra o estigma e o preconceito associados às doenças mentais, pois eles são dos principais obstáculos para que as pessoas tenham o apoio de que precisam.” Eis um excelente motivo para ouvir as músicas no site ou, agora, para as ouvir no CD+DVD lançado no final do ano passado. Este CD+DVD reúne todo o material que deu vida a esta campanha (músicas, filmes, ilustração), bem como o making of com filmagens das gravações e alguns depoimentos dos músicos.

Entre as duplas, contam-se músicos como Paulo Gonzo e Balla, Cool Hipnoise e Tiago Bettencourt, Sérgio Godinho e Xana, José Mário Branco e Mão Morta, Camané e Dead Combo, Xutos & Pontapés e Oioai, Mesa e Rui Reininho, Clã e Jorge Palma, Mariza e Boss AC, e Rodrigo Leão e JP Simões. Foram estes os “benfeitores musicais” que ajudaram a desenvolver esta iniciativa de solidariedade.

Estas junções melódicas não só funcionaram na perfeição como também serviram de tubo de ensaio para algumas experiências musicais. E todas estas práticas de laboratório são muito bem-vindas. Ainda para mais com a base social a que estão associadas.

sábado, 27 de dezembro de 2008

2008, os melhores (acho eu)

O Natal chegou ao fim. Pelo menos por este ano. Durante os próximos onze meses, podemos adormecer descansados sem pensar na possibilidade de encontrar a Popota debaixo dos lençóis. Porém, nem tudo são rosas. Infelizmente, aqueles quinze minutos em que estamos sentados à lareira, com os lábios cheios de açúcar a pegar no cheque FNAC desaparecerão durante… 364 dias! Nãaaaaaooooooo!!!

Mas é assim a vida. Não podemos esperar sentadinhos no sofá que nos caiam nas mãos formas gratuitas (e legais!) de obter o que quisermos da empresa homónima daquela que já patrocinou o Benfica. Mas deixemo-nos de falar de alegrias repentinas. Falemos, isso sim, de música!

Hoje, e visto que este é o meu último artigo de 2008, decidi fazer uma análise mais geral sobre alguns álbuns que saíram este ano. Na impossibilidade de me referir a todos, irei mencionar apenas dois álbuns portugueses e dois estrangeiros.

No que respeita ao panorama nacional, é indiscutível a entrada a pés juntos dos Deolinda com o álbum “Canção ao Lado”. Foram a revelação mais bombástica de 2008, acima de qualquer atentado na Faixa de Gaza, ou de qualquer paulada do Bynia. A lufada de ar fresco que vieram trazer aos nossos ouvidos assenta numa revitalização pós-modernista que a música portuguesa atravessa. O regresso ao passado é trazido por estes músicos com os pés bem assentes no futuro. E tudo isto apenas com duas guitarras, um contrabaixo e uma voz (sublime, diga-se de passagem).

Manel Cruz, com o seu “O Amor dá-me Tesão / Não Fui eu que o Estraguei” transporta-nos para um universo de cassete em que carregávamos no REC e no PAUSE ao mesmo tempo, esperando ansiosamente pela música que queríamos gravar. Ah, e fazíamos figas para que a música não fosse cortada no final por um inadequado compromisso comercial. Manel Cruz recorda-nos esses tempos, essas gravações, os cheiros da aparelhagem, os autocolantes pequeninos que nunca colavam na cassete, o som irritante a rebobinar… E fá-lo de uma forma genial. Não fosse ele um dos grandes músicos portugueses da actualidade.

Lá fora, não posso deixar de referir o regresso tão aguardado dos Metallica. É certo que o tempo não volta atrás, mas se voltasse, gostaria de cá ficar. A banda californiana regressou este ano com “Death Magnetic”, e misturou recordações antigas com saudades futuras. Força, garra, rapidez e virtuosismo, adjectivos que bem poderiam ser sinónimos de Metallica.

Para terminar, gostaria de referir a reedição do concerto dado no Carnegie Hall pelos músicos que ficaram para a história como Buena Vista Social Club. Um regresso que não cansa, mas antes descansa. Com os pés na água quente, um copo com um guarda-chuva espetado numa azeitona e um cachimbo na ponta dos lábios.

Apesar de já ter escrito sobre três dos quatro álbuns que refiro neste artigo, julgo que nunca é demais fazê-lo, até porque pertencem ao meu top de 2008. Em 2009, outros álbuns surgirão, novos sons, novas maneiras de ouvir esses sons, mas, acima de tudo, mais originalidade. Porque, se se quer ser o melhor, não vale a pena ser excelente quando se é igual.


Imagem: DR
Casting Stars

sábado, 20 de dezembro de 2008

Carlos do Carmo - Fado Maestro

Fazer uma crítica musical já é algo de extremamente difícil. Não só impõe que exista uma análise cuidada do tema em causa, como também uma escolha criteriosa e extremamente cuidada das palavras a utilizar. Mais difícil se torna quando se fala de génios, de almas que ganharam voz e de poemas que foram semeados e cresceram nessa mesma voz que nos embala. Falo, simplesmente, de Carlos do Carmo.

As apresentações são dispensáveis. Apaguem as luzes, recolham o tapete, vendam os tambores… É preferível evitar o Grandioso com risco de ser pequeno demais para este senhor.

Para comemorar os seus 45 anos de carreira, Carlos do Carmo decidiu brindar-nos com um Best Of. Este “Fado Maestro” está dividido em três versões. Na primeira, são recordados fados como “Lisboa Menina e Moça”, “Os Putos”, “Um Homem na Cidade” ou “Canoas do Tejo”. Já a segunda versão é uma homenagem de Carlos do Carmo aos poetas que cantou. “O Cacilheiro”, “Fado Varina” e “Homem das Castanhas” são alguns dos exemplos. Esta edição especial engloba, para além do CD, o DVD Documentário “O Fado de Uma Vida”, realizado por Rui Pinto de Almeida. Neste DVD estão incluídos ainda 10 temas ao vivo, quatro gravados em Frankfurt e os restantes gravados em Lisboa. A terceira versão conta com o CD standard e com o DVD Documentário.

Carlos do Carmo é um homem que canta gerações, que declama saudades e vidas nuas de um sítio real, de uma rua com roupa à varanda, de um largo com duas balizas feitas de pedra. A sua voz é o seu castelo, o seu novelo onde descansa o olhar numa estrela da tarde.

Sobre Carlos do Carmo, João Lobo Antunes escreveu: “A comparação é talvez fútil, mas eu atrevo-me a dizer que Marceneiro cantou os fados de Lisboa, e Carlos do Carmo canta Lisboa em fado. E por isso, quando longe desta cidade eu o ouvia, ele trazia-me sempre naquilo que cantava, a cor, o ruído, o cheiro, a gente, o paradoxo de uma saudade que doía e, ao mesmo tempo, consolava.”


sábado, 13 de dezembro de 2008

Mais um artigo (vá, um remix), mas desta vez para o CS

Há um culto à volta destes senhores, e eu tenho muito gosto em dizer que faço parte dele. Não envolve sacrifícios de animais, leitura de cartas nem uniões de sangue. Os Metallica criaram o seu espaço muito cedo, na década de 80, com álbuns tão geniais como "Kill 'em All", "Ride the Lightning" ou "Master of Puppets". Em 2008, surge "Death Magnetic", o primeiro com Rick Rubin aos comandos da produção. O título do álbum é uma homenagem "a todas as estrelas de rock que já morreram", como explica James Hetfield.

Artigo completo aqui.

sábado, 6 de dezembro de 2008

Buena Vista Social Club at Carnegie Hall

Em 1996, o músico Ry Cooder fez uma das viagens mais úteis da humanidade. Foi a Cuba e, juntamente com Wim Wenders, deu a conhecer ao mundo a alma deste povo, através do documentário "Buena Vista Social Club". Em 1998, os artistas cubanos deslocaram-se ao Carnegie Hall, em Nova Iorque e proporcionaram ao público presente uma das melhores noites de música da história. Dez anos mais tarde, eis que surge a melhor prenda de Natal, de Aniversário, de Casamento ou até mesmo de Divórcio. Porque, apesar de tudo, ninguém fica indiferente ao que sai das colunas da aparelhagem. Ibrahim Ferrer, Compay Segundo, Omara Portuondo e Ruben Gonzalez são apenas alguns dos nomes que podem flutuar pelos recantos do nosso quarto ou pelos vidros embaciados do carro.

Ouvir este cd é pôr a chave na ignição, ajeitar o chapéu de palha, ouvir o ronronar do motor e andar a 30 km/h com a brisa do mar a soprar-nos na cara. Paramos o carro, entramos no café, pedimos uma Cuba Libre (baixinho que não queremos chatices...), e jogamos mais uma partida de xadrez.

A identidade de um povo é reflectida como um espelho pelos artistas que preencheram o palco nesta magnífica noite de 1 de Julho de 1998. Desde o “Chan Chan”, onde abanamos as ancas como autênticos dançarinos (pelo menos mentalmente), passando pelo “Dos Gardenias”, onde fechamos os olhos e imaginamos a nossa cara-metade toda derretidinha a ouvir-nos cantar, este disco duplo transporta-nos para um outro mundo de notas quentes. Todas as outras catorze músicas “apenas” nos tiram os pés do chão e nos fazem comichões na barriga.

"Buena Vista Social Club" recebeu o Grammy de melhor álbum de World Music e é o disco mais vendido da categoria na história. E é por isto e por tudo o mais que não disse que este é um álbum que devemos, não comprar, mas trocar por uns míseros euros na loja mais próxima, não trazê-lo para casa dentro de um saco plástico, mas acompanhá-lo pela mão, não ouvir, mas escutar.

Dos gardenias para ti con ellas quiero decir te quiero, te adoro, mi vida. Ponles toda tu atencion porque son tu corazon y el mio. Dos gardenias para ti que tendran todo el calor de un beso. De esos besos que te di y que jamas encontraras en el calor de otro querer.

sábado, 29 de novembro de 2008

Deolinda - Canção ao Lado

"O seu nome é Deolinda e tem idade suficiente para saber que a vida não é tão fácil como parece, solteira de amores, casada com desamores, natural de Lisboa, habita um rés-do-chão algures nos subúrbios da capital. Compõe as suas canções a olhar por entre as cortinas da janela, inspirada pelos discos de grafonola da avó e pela vida bizarra dos vizinhos. Vive com dois gatos e um peixinho vermelho..."

Deolinda é talvez a banda portuguesa actual que mais raízes vai buscar à nossa música de referência, o fado. A junção perfeita entre as cordas da guitarra e do contrabaixo, aliadas à límpida e assertiva voz de Ana Bacalhau, fazem deste grupo um dos mais promissores do panorama musical português – e por que não dizer que já são uma certeza? Sonoridades como as transmitidas pelos Deolinda são peças de arte que temos de guardar muito bem, limpar com um paninho todos os dias e levar à inspecção nas datas marcadas. Felizmente, e pela maturidade que apresentam, não será necessário todo este cuidado (pelo menos da nossa parte).

Ouvir Deolinda é fechar os olhos, sentar-se num banco de madeira, colocar o braço sobre a mesa, sentir o copo de vinho moldar-se aos dedos e cheirar umas iscas acabadinhas de fazer. Tudo isto numa tasca antiga, com guitarras penduradas na parede e fotografias de pessoas famosas como forma de auto-elogio do senhor de avental.

Ao longo do disco “Canção ao Lado”, de 2008, os Deolinda apresentam várias músicas que nos provocam o excelente movimento pavloviano de carregar no repeat da aparelhagem. Desde o “Fado Toninho” (primeiro single), passando pelo “Movimento Perpétuo Associativo” (música proposta a hino nacional no
site
- “Agora não que falta um impresso” – Haverá frase mais portuguesa do que esta?), terminando com o “Clandestino” que é tudo menos a definição deste álbum… todas as músicas, sem qualquer excepção, marcam de forma irrepreensível a qualidade deste grupo.

Os Deolinda cantam um fado que ri, um fado que dança, um fado que usa roupas garridas e as mostra sem qualquer pudor aos velhos da taberna. Com os cotovelos apoiados no parapeito, os Deolinda cantam à janela de uma casa portuguesa, afinam as vozes enquanto limpam o pó do rádio antigo que está junto ao sofá, choram à noite ajoelhados sobre a cama, acordam de manhã cedo para limpar as escadas a assobiar. O melro por vezes muda de gaiola, nem sempre vai lá ter, arma confusão, mas não deixa de tocar ferrinhos e de alegrar a gente que passa na rua.

A voz de Ana Bacalhau é simultaneamente forte e suave, agressiva e calminha. Tanto nos faz encostar à parede como nos dá uma cama para adormecermos (e ainda nos tapa com o cobertor). Pedro e Luís Martins navegam pela madeira dos trastes da guitarra, simulam acordes, inventam notas já criadas. O contrabaixo de Zé Leitão estende a passadeira aos devaneios musicais de qualquer um que queira sonhar.

E assim se constrói uma banda, um conjunto, um grupo, ou lá o que lhe quiserem chamar. Para mim, são geniais, para eles, apenas Deolinda.

Casting Stars
(onde escrevo semanalmente sobre música)