sábado, 21 de março de 2009

DOR CRÓNICA
Racismo

Eu sou racista. Admito! Não gosto de cobras. Nem de moscas. Muito menos de pombos! Nunca gostei. Cheguei a ir muitas vezes com a minha mãe para o Rossio dar-lhes comida, mas sempre pensei que o milho estivesse envenenado. Por isso é que ia tantas vezes para lá. E as correrias que fazia atrás deles, com as pontas dos pés a fazerem mira ao raio dos bichos... Hoje já não faço isso. Agora, como quem não quer a coisa, ou mando-lhes uma chapelada ou esmigalhaço-os sentado ao volante.

Em relação a estes animais faço prevalecer a “raça humana”. Neste caso, sou racista. Agora, conotar seres humanos como pertencentes a uma ou outra raça é algo de tão retrógrado e animal que nem entre esses seria admitido. Logo, o conceito de racismo não é o mais correcto. A não ser para aqueles que se acham superiores só pelo tom de pele ou pela origem. Certamente serão superiores, mas em estupidez.

Infelizmente, ainda hoje em dia assistimos a muitos casos de “racismo”, a maior parte das vezes camuflado. Ao balcão, somos todos sorrisos, mas mal viramos costas, franzimos as sobrancelhas e rosnamos entre dentes. “Cabrão do preto…” ou “Vai para a tua terra” são das expressões mais desumanas e cruéis ditas nas mesas de café ou nas ruas do nosso (orgulhosamente só) Portugal.

Estes seres vêem o mundo a preto-e-branco e comunicam através de grunhidos. Normalmente vivem em cavernas, andam sempre em grupo e são conhecidos pela ausência de cérebro. Como exemplo, entre eles nunca poderia haver um Descartes. Porque só comprovam uma parte da sua máxima, a de existir (infelizmente).

Mas talvez faça sentido ser “racista”. Até porque essas pessoas, da forma como “pensam” (com muitas aspas), só podem pertencer a uma espécie defeituosa.

4 comentários:

Pedro Pinto disse...

Grande crónica! Adorei!

;)

André Pereira disse...

Obrigado! Abraço

Marta disse...

Olá, sou a Marta e estou a vizitar o teu blogue pela segunda vez. Hoje optei por comentar porque realmente gostei desta crónica e da forma como foi escrita.

Posso aconselhar-te a ler um livro, "Lueji" do Pepetela.

"Lueji" não foi escrito para cinema, mas podia efectivamente ter sido. Provavelmente, será por essa razão, que não resisto em chamar a atenção para a beleza e pormenor com que Pepetela descreve os cenários, sobretudo nas cenas de amor entre a rainha e o seu caçador Luba.

Estou de acordo com tudo o que constatas e acho que se revelam muito actuais alguns pensamentos e citações que marcaram as ideologias anti-racistas, assim como a sua evolução na história, como por exemplo:

"Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor da sua pele, pela origem ou ainda pela religião. Para odiar, as pessoas precisam de aprender e, se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar."

São varias as reflexões ligadas ao fenómeno do Racismo nomeadamente através do legado do ex-líder e ex-presidente sul-africano. Além das correntes mais ontológicas, utilizadas pelos sociólogos e antropólogos, as correntes menos explícitas cujo significado e conteúdo conseguiram ter impactos emotivos surpreendentes.

Não fosse, afinal:

"A good head and a good heart are always a formidable combination" N.M

André Pereira disse...

Olá Marta,

Muito obrigado pelo teu comentário! Vou apontar o teu "conselho literário" :) De facto, o racismo é algo de tão estúpido que só "pessoas" sem carácter e sem o mínimo de inteligência o podem defender.

Nelson Mandela foi, e continua a ser, um dos pilares que cerra as fileiras contra o racismo.

Beijos e continua a visitar o blogue sempre que quiseres :) Obrigado!