terça-feira, 13 de junho de 2006

Palavras

Gosto de brincar com as palavras
Saber o que querem dizer
Se elas não forem faladas
Alguém as tem que escrever.

E depende da caneta
Que as tiver que pintar
Tinta branca, tinta preta
O papel tem que aceitar.

A pessoa tem que sentir
As palavras no seu peito
Não têm um plano a seguir
Escrever torto, escrever direito.

Coração é o que interessa
O resto é desnecessário
Pode-se até escrever à pressa
Tudo depende do horário.

André Pereira

sexta-feira, 9 de junho de 2006

Sonho Real

"Deixa a música levar-te onde o teu coração quer chegar."

quinta-feira, 8 de junho de 2006

Pedra Filosofal

Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer.

Como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos.

Como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam
como estas árvores que gritam
em bebedeiras de azul.

Eles não sabem que sonho
é vinho, é espuma, é fermento
bichinho alacre e sedento
de focinho pontiagudo
que fuça através de tudo
num perpétuo movimento.

Eles não sabem que o sonho
é tela é cor é pincel
base, fuste ou capitel
arco em ogiva, vitral.

Pináculo de catedral
contraponto, sinfonia
máscara grega, magia
que é retorta de alquimista.

Mapa do mundo distante
Rosa dos Ventos Infante
caravela quinhentista
que é cabo da Boa-Esperança.

Ouro, canela, marfim
florete de espadachim
bastidor, passo de dança
Columbina e Arlequim.

Passarola voadora
pára-raios, locomotiva
barco de proa festiva
alto-forno, geradora.

Cisão do átomo, radar
ultra-som, televisão
desembarque em foguetão
na superfície lunar.

Eles não sabem nem sonham
que o sonho comanda a vida
e que sempre que o homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos duma criança...

António Gedeão

quarta-feira, 7 de junho de 2006

Tratado de Tordesilhas


No dia 7 de Junho de 1494 foi assinado o Tratado de Tordesilhas que definia a partilha do chamado Novo Mundo entre Portugal e Castela (parte da actual Espanha).

A divisão das terras descobertas e a descobrir era estabelecida a partir de um semi-meridiano hoje situado a 46º 37’ a oeste do Meridiano de Greenwich.

Em princípio, o tratado resolvia os conflitos que se seguiram à descoberta do Novo Mundo por Cristóvão Colombo. Embora contrariasse a bula de Alexandre VI, foi aprovado pelo Papa Júlio II numa nova bula, em 1506.

Actualmente, Portugal e Espanha (na época, Castela) não têm a influência de outrora e o mundo funciona como marioneta nas mãos do Tio Sam. Contudo, a bipolarização do século XV mantém-se hoje, cada vez mais acentuada por cruzes de ouro, com a “existência” do Bem/Mal, Céu/Trevas, Certo/Errado, Paz/Guerra, Deus/Diabo que nos conduz a uma constante escolha que nos impede de sermos verdadeiramente felizes, sem qualquer tipo de pressão nem de fios a comandar-nos os movimentos.

É urgente algo com pulso de ferro que una todos os povos num ideal comum, que seja favorável a todo e qualquer ser humano existente. Mas, será isso possível? A felicidade da plenitude desta massa “rebânica” em que nos tornámos?
André Pereira

terça-feira, 6 de junho de 2006

O dia da Besta - 6/6/6

Tenham medo... Tenham muuuuuuuuuuuuuuito medo!

André Pereira

segunda-feira, 5 de junho de 2006

Portugal tenta (re)conquistar Colónia


No próximo dia 11 de Junho, a Selecção Nacional Portuguesa dá o pontapé de partida no Mundial de Futebol realizado na Alemanha. Quis o destino (?) que Angola fosse o primeiro adversário. Este aspecto não deixa de ser curioso por várias razões: é a primeira vez que a Selecção Africana participa num campeonato do mundo de futebol e tem logo como primeiro oponente Portugal, seu “amigo” de longa data. Mas, até aqui, nada de extraordinário. Interessante será dizer que esse mesmo jogo, que colocará frente a frente ambos os países, se realizará numa cidade alemã chamada Colónia. E esta, hein?
André Pereira

sexta-feira, 2 de junho de 2006

Triste Sina


Vivem-se momentos conturbados em Timor. A situação tem-se vindo a agravar de há uns dias para cá, com diversos ataques armados e presumíveis tentativas de ocupação de Díli. Um país recentemente formado sofre, assim, um duro golpe no caminho para a implementação da paz que raramente fez parte da vida do seu povo. O futuro não será fácil e o passado não se apagará. A união é a chave para o presente.
André Pereira

quinta-feira, 1 de junho de 2006

Dia Mundial da Criança


Hoje celebra-se o Dia Mundial da Criança. Mas, afinal, para quê? O nosso futuro continua a ser maltratado pelo presente e os sonhos que pairam nas nossas cabeças tendem constantemente a evaporar. Será que há a necessidade de haver um dia dedicado exclusivamente à criança? Não deveriam ser todos? Os saltos, sorrisos, gritos e correrias não são condição essencial da nossa existência? Poderia encarar este tema por várias perspectivas, desde a Pedofilia à mortalidade infantil (com especial atenção para os países africanos), mas muita tinta já foi derramada. Contudo, não tanta como o sangue.
Texto: André Pereira
Foto: Nuno Ferreira

terça-feira, 30 de maio de 2006

"Temos sido roubados"


Adalberto Júnior, jogador profissional do SFC (Só Futebol Clube) aceitou conceder uma entrevista ao Diário de Fictícias, com o intuito de “esclarecer o que se passa no mundo do futebol”.

DF: Adalberto, qual é o seu estado de espírito neste momento?
AJ: (enquanto limpa o suor da testa) Foi um jogo limpo, valeu pelos três pontos, acho que merecemos ganhar e vamos agora pensar no próximo jogo, que é já no próximo domingo.

DF: Não me referia ao seu sentimento após o jogo de ontem, mas sim ao que sente quando vê o seu nome envolvido neste caso de polícia?
AJ: (atrapalhado) Claro, claro… Apenas estava a ensaiar. É claro que me sinto apreensivo e com o moral muito em baixo. Tenho a certeza que nada fiz para ter sido constituído arguido, mas espero que se faça justiça.

DF: O que pensa deste caso?
AJ: Este é claramente um caso que não aconteceu por mero acaso. Tudo se tem vindo a agravar desde a 8ª jornada. Desde essa altura temos sido roubados…. Já fiquei sem três telemóveis, duas fitas para pôr no cabelo, seis brincos e até já fiquei sem uma tatuagem que tinha no braço a dizer “Amor de Mãe”. Imagine os meus colegas… Ninguém me tira da cabeça que o senhor árbitro, durante o jogo e sem darmos por isso, mete a mão nos nossos bolsos e tira o que pode.

DF: Tem a noção que é uma acusação muito grave, apelidar o árbitro de “senhor”…
AJ: Sim, mas assumo todas as minhas responsabilidades pelo que disse. Às vezes reconheço que me exalto e depois excedo-me quer no tom de voz quer nas palavras que utilizo… (Agora já sem camisola) Como capitão desta equipa afirmo que no próximo jogo não cometeremos qualquer tipo de falta.

DF: É uma forma de protesto?
AJ: Claro que sim. Todos nós sabemos que os árbitros, especialmente em Portugal, gostam muito de apitar. A razão para tal é que ninguém sabe. Mas eu digo, sem qualquer medo de represálias: o objectivo desses “senhores” é polir bem o apito para que este se torne cada vez mais dourado…

DF: Está a insinuar alguma coisa?
AJ: Hoje em dia, o arco-íris já não aparece muitas vezes, o céu torna-se cada vez mais azul…

DF: Alguma metáfora?
AJ: Não sei, senti-me apertado na defesa e disseram para meter a bola fora “Mete fora, mete fora!”. Foi o que eu fiz. Por isso, acho que se pode considerar uma metáfora.

DF: Mudando de assunto, o Mundial de Futebol aproxima-se e o Adalberto não faz parte dos eleitos do seleccionador…
AJ: Sim, fiquei muito desiludido com esta escolha até porque eu sou um jogador com muita qualidade. Acho que o mister não me escolheu porque eu costumo usar muitos brincos e falo com o sotaque do norte, carago. Mas ninguém morreu por isso.

DF: Contudo, o que deseja aos 23 jogadores que irão representar o seu país?
AJ: Bem, já ganhámos várias vezes esta competição, por isso não vai ser muito difícil levarmos mais um troféu para casa, para depois desfilarmos no Bairro da Tijuca, ao som do samba!

DF: Eu referia-me à Selecção Portuguesa…
AJ: Ah pois… O meu país do coração. Sim, adoro muito Portugal, o clima é fantástico, os portugueses são muito simpáticos. Somos o povo irmão. E, como é natural, espero encontrar Portugal na final… Quer dizer… Espero que Portugal vá à final!

DF: Que conselho dá aos seus fãs?
AJ: Acima de tudo está o futebol, só depois vem a escola! Eu fiz assim e, graças a Deus, sou o que se vê!