quarta-feira, 3 de março de 2010

Festival da canção mal cantada


Hoje a televisão pública nacional deu a conhecer parte dos artistas que se propõem representar o nosso país no próximo Festival da Eurovisão. A pergunta que se coloca é: Porquê?

Por que diabos se dá espaço televisivo a músicos cheios de nada? Nem música, sequer. Que, curiosamente, é aquilo que se avalia neste festival.

Apagam-se notas musicais e acrescentam-se frases de amor. Daquelas lamechas, clichés e sem sentido. Rimam, isso é o mais importante. A partir daí, qualquer coisa serve.

Não estava à espera de ouvir grandes composições esta noite. Aliás, estava mesmo a contar com um desfile de diarreia musical. E, neste ponto, este espectáculo não me desiludiu.

O que me surpreendeu foi a utilização dos microfones e dos instrumentos musicais apenas como objectos de decoração. O playback (aquilo que nos permite encantar, mesmo não sabendo cantar nem sequer assobiar) foi o grande intérprete da noite. E, mesmo ele, esteve mal. Porque as vozes que se ouvem são as vozes que o simulam em palco. Quando é assim, não há muito a fazer.

Será que uma guitarra eléctrica dá o mesmo som se não estiver ligada a um amplificador? Não há fios a ligar o órgão a uma fonte de energia? E o saxofone? Não precisa de um microfone que transmita o som para a televisão?

Quem percebe minimamente de música considera o playback um insulto, uma agressão! Quem não percebe ouve e não liga. Mas os festivais da canção são para as pessoas que percebem de música ou para as pessoas que não percebem? Se for para estas últimas, então sim, este Festival da Canção é o espectáculo perfeito. Se for para o outro tipo de pessoas então deixem-me ir ali puxar o autoclismo.

A semi-final de hoje terminou com uma mensagem de apoio para a Madeira. Eu preferia enviar uma mensagem de apoio para o Festival da Canção. Isso sim, uma tragédia.

NOTA: Ao longo dos próximos dias, conto dar a minha opinião sobre algumas actuações. E prometo não utilizar a palavra "bacana".

2 comentários:

Pedro disse...

Exactamente a mesma opinião. Reparei até que numa música havia solos de guitarra eléctrica e no palco só estava um gajo a tocar acordes numa guitarra acústica e a rir-se para as bailarinas. Enfim, mais um grande passo em frente para modernização e inovação da televisão do Estado.

André Pereira disse...

Uma autêntica palhaçada.