quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Não tenho

Fartei-me de cheirar perfumes. Todos os dias entrava no Centro Comercial e vinha uma senhora bem arranjada com uns papéis brancos na mão. “É o nosso novo perfume, cheira a sumo de malmequer”. Respondi-lhe amavelmente que não podia cheirar porque me tinha esquecido do nariz em casa, na gaveta das camisolas de gola alta. Andei mais uns metros e, novamente, uma senhora muito bem arranjada saltou do balcão e propôs-me um cartão de crédito livre de prestações. Falou-me do clima de crise que vivemos e na importância de prepararmos o nosso futuro. Uma vez mais, recusei dizendo que nunca trazia o futuro comigo, só quando ia de férias. Sorriu-me e deu-me um panfleto. Aceitei, dobrei-o em quatro e meti no caixote do lixo mais próximo. Junto deste, fui interpelado por um senhor não tão agradável a nível de aparência. Tinha barba, um cigarro no canto dos lábios e um maço de revistas apoiado no braço esquerdo. “Uma revista por um euro. É para ajudar os toxicodependentes de Portugal. Se quiser passo recibo.” “Obrigado, mas não estou interessado.”, respondi. “Que falta de educação, olhe-me nos olhos e diga-me isso outra vez! Dê-me uma moeda pela sua vida e pela minha”, afirmou com ar ameaçador. Sorri, olhei-o nos olhos e disse: “Desculpe, mas não tenho vida, vou agora buscá-la ao infantário.”

3 comentários:

Anónimo disse...

Tens a certeza k gostas de ir às compras??? LOL
Quanto ao nariz que ficou nas camisolas de gola alta, o melhor é ires buscá-lo dado k esse que usas agora, não está bom!!! :p

Jokinhas

AD disse...

Oh pá... não tens mesmo coração.. lol
;)

pedro disse...

E o sentido do corpo humano mais desprezado... Nao digas que nao tens nariz, se calhar nao sabes e como usa-lo. Porque quando comecares a faze-lo nao queres outra coisa. Cheirar o frio que te aquece alma. Cheirar o sol que arrepia o espirito. Cheirar o vento que te abana a vida. E cheirar a vida que te enche a alma. A alma que foi aquecida pelo frio.

Um abraco,

p